Esperança e redenção

412201.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxConhece a sensação de entrar numa sala de cinema com medo do que estar por vir? O temor de ir ver um filme com um personagem que já foi mal feito nas telonas e mesmo assim ainda ter um ultimo fio de esperança de que desta vez vai dar certo? Foi com essa mistura de medo e fé que um grupo de jornalistas e convidados entraram na primeira sessão do novo longa da Marvel, em parceria com a Fox, “Deadpool”. E uma coisa é certa, todos saíram felizes e muito satisfeitos com o que viram.

A escolha de Tim Miller para comandar o longa e de Rhett Reese e Paul Wernick, para roteirizar, foi perfeita por parte dos produtores. O diretor, que se diz apaixonado por histórias em quadrinhos, e a dupla de escritores, famosa por escrever os diálogos de Zumbilandia, fazem jus à fama. Desde o primeiro segundo, até as luzes se apagarem, o timing entre as piadas deixa o espectador alegre e entretido durante toda a história.

Contextualizando, Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um mercenário, e ex-combatente, que leva a vida aplicando pequenos golpes em desavisados, tudo sem se arriscar muito. Porém, ao conhecer a prostituta Vanessa Carlysle (Morena Baccarin) sua vida começa a mudar. O protagonista descobre que carrega um câncer em estado terminal e aceita a ajuda do Dr. Ajax (Ed Skrein) para tentar conter a doença. Todavia, o tratamento clandestino tem efeitos colaterais. Ou ele mata o paciente, ou ele ativa as células mutantes inertes que todo ser humano tem no corpo. O desfecho desta introdução todos já conhecem.

Nem tudo foram flores durante o tratamento e, junto com os superpoderes, Wade acaba ficando com a aparência de “um abacate que transou com um abacate mais velho ainda…” (frase citada nos trailers por seu amigo Weasel [T.J. Miller]). A história se desenrola e o “herói” (termo que ele não gosta de usar) busca vingança contra Ajax, tudo isso enquanto lida com a, suposta, ajuda da dupla de X-mens: Colossus e Míssil Adolescente Negassônico.

Falando nessa dupla, eles foram muito bem construídos e localizados na obra. O grandão de metal contrabalanceia a presença do mercenário tagarela. Enquanto Deadpool é completamente desbocado e não se importa com nada, Colossus é extremamente educado e ético enquanto herói. A Míssil é uma mistura dos dois, não liga pra nada em sua volta, a não ser seu celular, e não perde a oportunidade de fazer um comentário ácido. Um estereótipo de adolescente dos tempos modernos.

Se contrapondo aos filmes de ação comuns, “Deadpool” não apresenta aquela correria louca durante as cenas de luta, muito pelo contrário, o efeito de câmera lenta é usado justamente nessas partes e, aliado a trilha sonora e as ações do personagem, torna bonito e cômico um cenário de guerra, onde tripas e miolos voam por todo lado.

Deadpool não é um herói, mas também não é um vilão. O termo certo a ser usado para um personagem como ele é o de “anti-herói”. Usa ferramentas e meios “errados” para atingir um fim “certo”. Isso faz com que o personagem não tenha o comprometimento ético que os super-heróis devem ter para servir de exemplo para as crianças.

Sobre as cenas fortes, a produtora decidiu não censurar nenhuma. Isso quer dizer que o longa tem partes de sexo, nudez, palavrões, muito sangue e muitas – repito – muitas piadas infames, que fazem referencia a outras obras e atores, como Liam Neeson, o filme “Um Lugar Chamado Notting Hill” e – em especial – Hugh Jackman, o famoso Wolverine.

O filme é tão bem construído que consegue deixar engraçado até as cenas de sexo (que não estão ali à toa. Servem para mostrar ao público um pouco do perfil psicológico dos dois durante a relação maluca entre o personagem principal e sua “dama”, interpretada pela atriz brasileira).

A verdade é que “Deadpool” é um dos melhores filmes de “herói” já feito. Uma versão para maiores de 18 anos (na maioria dos países, com exceção do Brasil) de Guardiões da Galáxia. Então peguem sua pipoca e cuidado para não sujarem de refrigerante a pessoa que estiver na poltrona da frente.


Iago Moreira- 5º Período

3 comentários sobre “Esperança e redenção

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