Responsabilidade que cabe a todos nós

Nesta segunda-feira (31) o projeto “Em Evidência” trouxe o repórter da Rede Globo e editor-chefe do programa “Cidades e Soluções” da Globo News, André Trigueiro, para falar sobre seu mais novo livro “Viver é a melhor opção” que trata de depressão, suicídio e espiritualidade. Com muita desenvoltura, o jornalista explicou porque o tema é um tabu, falou de prevenções, do serviço voluntário que ajuda um milhão de pessoas por ano e como a fé consegue ajudar diversos indivíduos a ter sempre um ouvinte de prontidão.

Jornalista André Trigueiro (foto: Luana Fialho)

Jornalista André Trigueiro (foto: Luana Feliciano)

André começou contando o caso envolvendo o livro “Os sofrimentos do jovem Werther”. O livro fala sobre um garoto que se mata por não ter seu amor correspondido. Toda a imersão causada pela narrativa causou, em 1774, uma onda de suicídios de pessoas que, empregando o mesmo método do personagem, tiraram sua própria vida. “Dependendo da forma como você escreve ou fala sobre isso, nas mentes fragilizadas emocionalmente, essa mensagem pode ser interpretada como uma sugestão. E aí nós passamos a ter um protocolo muito rígido. Ninguém fala sobre suicídio. O que a organização mundial de saúde diz é que há muitos motivos pra gente não ficar reportando toda hora o suicídio considerando o efeito Werther, como ficou sacramentada essa questão”, disse o autor.

Na construção de seu livro, ele consultou diversos psicólogos e psiquiatras, além de se familiarizar com o voluntariado do Centro de Valorização da Vida. O CVV é um centro de apoio emocional para onde qualquer pessoa pode ligar ou conversar por chat em busca de ser ouvido e ter alguém para quem contar o que a preocupa. A organização não-governamental conta com a ajuda de voluntários que recebem treinamento e disponibilizam o tempo que possuem em nome desta causa. “As pessoas precisam saber que depressão é caso de saúde pública, não é algo trivial. E que em 90% dos casos, é possível prevenir que alguém cometa suicídio, pois esta associado à psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis da depressão. Os outros 10% dizem respeito à casos em que as pessoas agem de forma fria e calculista.”

A palestra ainda contou com a participação por meio de vídeo da comentarista, analista de economia e colunista do Globo, Flávia Oliveira que foi convidada pela organização a fazer uma pergunta para o convidado. “Nós todos conhecemos a sua incansável disposição e a sua dedicação profissional a essa área de meio ambiente e, muitas vezes, a sustentabilidade e a preocupação ambiental são temas tratados como questões que dizem respeito à governos, políticos e empresas. Eu queria que você falasse pra gente como cada  um de nós pode participar dessa corrente de consumo e responsabilidade socioambiental”, perguntou a jornalista.

A resposta do repórter tem muita haver com a cultura da ostentação que nasceu e se desenvolveu na década atual. “A preocupação ambiental é o valor de uma nova ética. A ética de um projeto coletivo. O que dá pra gente fazer no dia-a-dia? Não cair na cilada de me deslumbrar com hiper consumismo ou com os apelos vorazes como o Black Friday e pela promoção que é ‘só amanhã’. Existe uma hipnose coletiva em torno do medo de que pra ser feliz ou se sentir uma pessoa realizada você precisa acumular bens e posses. O consumo consciente diz que você tem todo o direito de comprar o que você quiser desde que você se pergunte: “eu realmente preciso disso?”. É imoral ostentar abundância aonde ainda há tanta escassez”, concluiu ele.

Jornalista André Trigueiro (foto: Luana Feliciano)

Jornalista André Trigueiro (foto: Luana Feliciano)

Por fim, André Trigueiro fechou com uma reflexão:

“Viver significa experimentar uma sucessão de episódios desagradáveis e desapontadores. Graças a esses episódios eu aprendo a ser uma pessoa melhor, eu sou uma pessoa que tem mais sabedoria, que tem mais conhecimento e sabe lidar com as situações adversas da vida. A gente aprende com a dor e sofrimento: a vaia ensina mais que o aplauso, a crítica ensina mais que o elogio, isso não é uma retórica bonitinha, isso é fato”.

Por: Luana Feliciano

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