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“Rosebush Pruning” é uma sátira provocadora sobre hipocrisia e poder

Entre sátiras sociais, excessos familiares e uma explosão de cores, Karim Aïnouz transforma o caos de uma família privilegiada em um thriller provocador

Após o sucesso recente de “Motel Destino”, o cineasta cearense Karim Aïnouz aposta em seu novo filme, “Rosebush Pruning”. Estrelado por Callum Turner como Ed, Riley Keough como Anna, Jamie Bell como Jack, Lukas Gage como Robert, Tracy Letts como Father, Elle Fanning como Martha e Pamela Anderson como Mother, o longa diverte ao explorar a intimidade de forma descontraída e erótica, com uma dose de sátira.

Uma sátira sombria e ousada sobre hipocrisia e valores sociais, “Rosebush Pruning” acompanha uma família americana privilegiada que vive na Espanha, marcada por conflitos e isolamento. Enquanto os irmãos Jack, Ed, Anna e Robert desfrutam da fortuna herdada, ignoram as necessidades do pai cego e buscam amor e acolhimento entre si. O equilíbrio familiar começa a ruir quando Jack, o mais velho, decide abandonar os irmãos para morar com a namorada Martha. Segredos vêm à tona, os laços de sangue se rompem e a família mergulha em uma espiral de violência.

Callum Turner brilha protagonizando e guiando a narrativa do filme.
(Foto: Divulgação/MUBI/Filmes do Estação)

O longa se inicia de forma, diga-se, poética. A cena de abertura apresenta o céu e o mar azuis e límpidos, acompanhados pelo som da natureza e pela narração de Ed (Callum Turner), que conversa sobre moda com seu amigo grego, George (Yorgos Stefanakos). A sequência estabelece um ritmo tranquilo, sem dar pistas do que está por vir.

De certa forma, a surpresa é positiva. Gosto de pensar nessa obra como se o roteiro de “Saltburn”, a ambientação e as cores de “Call Me by Your Name”, além da juventude e da trilha sonora de “Challengers”, tivessem um filho. Dessa combinação, teria surgido “Rosebush Pruning”.

O enredo começa a se desenvolver quando o irmão mais velho, Jack (Jamie Bell), apresenta sua namorada, Martha (Elle Fanning), à família. A partir daí, uma sequência de ciúmes, inveja, desejo e loucura toma conta da narrativa. Em uma cena marcante, Father (Tracy Letts), que é cego, pede à filha Anna (Riley Keough) que descreva a aparência de Martha. Visivelmente com ciúmes de Jack, Anna faz uma descrição que constrange a namorada do irmão.

Anna e Robert são quase uma dupla inseparável.
(Foto: Reprodução/Instagram)

Uma característica marcante surge logo no início, quando Ed afirma que, se pudesse ser outra pessoa neste mundo, seria Jack. Ao longo da narrativa, vemos Ed assumir aos poucos o lugar do irmão, principalmente após descobrir que sua mãe, até então considerada morta, está viva e que Jack era o único que sabia disso. Jack era o filho favorito dos pais, algo que sua mãe deixa explícito e que seu pai também evidencia em uma cena incestuosa com Ed, que estava se passando pelo irmão.

É possível perceber a dependência emocional que Jack tem dos pais. Embora nem sempre pareça evidente, esses sinais se tornam perceptíveis em determinados momentos. O roteiro, assinado por Efthimis Filippou, parceiro de longa data de Yorgos Lanthimos em filmes como “Pobres Criaturas”, “A Lagosta” e “A Favorita”, carrega a peculiaridade grega característica da dupla. Karim Aïnouz, por sua vez, soube aproveitar essa assinatura e acrescentar seu toque caloroso brasileiro.

O filme é quase uma ópera de cores. Em tempos em que o cinema vem ficando cada vez mais escuro, é um alívio e um respiro ver nas telonas uma obra tão colorida, característica marcante de Aïnouz. E, claro, para alguém formada em Moda, foi difícil conter a euforia a cada cena que mencionava marcas, produtos e designers. Ao retratar uma família que, de certa forma, é criativa, o longa também demonstra criatividade na maneira de construir e desenvolver sua narrativa.

Os herdeiros deixam ao longo da história cada vez mais suas desavenças, mesmo que de primeira pareça ser uma família unida.
(Foto: Reprodução/Instagram)

Ao final, chegamos a uma sequência de mortes e assassinatos surpreendentes, transformando o longa em uma espécie de thriller. Não seria de se esperar algo ruim de um elenco tão estrelado, mas um dos grandes destaques da obra está na construção dos personagens por cada ator. Junte a isso o excelente trabalho de direção de Karim Aïnouz, acompanhado pelas equipes de direção de fotografia e sonoplastia.

É um filme que merece ser visto nas telonas. “Rosebush Pruning” chega aos cinemas em 15 de outubro. Confira o trailer abaixo:

FICHA TÉCNICA:

Título: Rosebush Pruning

Direção: Karim Aïnouz

Gênero: Comédia, drama, thriller

Duração: 95 minutos

Classificação: 18+

Foto de capa: Reprodução/Instagram

Crítica de Cássia Verly

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