Nesta sexta-feira, 04, foi dada a largada do Rock in Rio 2026. O primeiro dia de sete, esta inauguração da 11ª edição do festival foi dedicada primariamente ao rock. Foram no total 22 atrações divididas em seis palcos em toda a Cidade do Rock, localizada na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O Palco Sunset também recebeu uma série de atrações nacionais e internacionais. O dia começou com Di Ferrero, ex-vocalista do NX Zero cantando músicas de sua antiga banda e de sua carreira solo. Esse mesmo palco também recebeu o grupo Detonautas, que fez uma apresentação especial que recebeu Biquini (antigo Biquini Cavadão), a banda britânica de pop punk da Hot Milk e, encerrando a noite, Capital Inicial, figurões do festival, que convidaram o ilustre Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana, todos celebrando o rock brasiliense.
Já o Palco Mundo, o maior do festival e com maior destaque, abriu o primeiro dia de Rock in Rio com a estreia da dupla britânica de nu metal Nova Twins no Brasil. O duo que lançou seu último álbum, “Parasites & Butterflies”, em agosto de 2025, mistura rock industrial, rap e pop eletrônico. A apresentação começou por volta das 16:40, com o gramado vazio e desanimado, e o público ainda chegando na Cidade da Rock. Nova Twins tinha apenas, em sua banda, a dupla Amy Love nos vocais e na guitarra, Georgia South no baixo e o baterista Luke Campbell. Mesmo minimalista, a vocalista tinha uma presença contagiante, com ótimos vocais e habilidade de dominância do palco. Apesar de pontos positivos, o show foi morno e deslocado do resto por ser a abertura do palco em toda a edição do Rock in Rio 2026.
Em seguida, também no Palco Mundo, às 19:00, os suecos da The Hives dominaram a Cidade do Rock com seu enérgico rock de garagem (estilo agressivo e simples de rock criado por bandas como The Stooges, MC5 e The Sonics). Em atividade desde 1993, a The Hives se revitalizou, nos últimos anos, com o álbum “The Death of Randy Fitzsimmons” (The Hives, 2023), renovando seu público e retornando ao Brasil quatro vezes desde o lançamento deste disco (em 2023 na edição deste ano do Primavera Sound São Paulo, em 2024 com um show solo e em fevereiro de 2026 como ato de abertura dos shows do My Chemical Romance). Esta energia ficou clara em sua passagem pelo Rock in Rio, com a forte presença do vocalista e showman Howlin’ Pelle Almqvist, que cantou canções de todos os sete discos da banda e até falou português em várias partes da apresentação. “Ótima festival, ótima banda, ótima público”, foi dito pelo cantor com muito bom humor.
Quem também retornou ao Brasil foi o grupo de hardcore Rise Against. A banda de Chicago está de volta pela primeira vez em um ano, após ser o ato da turnê brasileira do The Offspring em março de 2025. Em um determinado momento, o vocalista Tim McIlrath relembra quando jovem, em uma viagem de van com a banda, de escutar o álbum ao vivo “Rock in Rio” do Iron Maiden, lançado em 2002, e imaginar se apresentar para uma multidão estrondosa. Isso era inimaginável pelo histórico punk durante os anos 2000, transparecido neste show pela estrutura minimalista e roupas comuns dos artistas. Foi uma apresentação para fãs da banda e de hardcore, como um todo, com canções no setlist somente entre álbuns de 2003, “Revolutions per Minute”, passando pelo clássico e mais bem vendido “Appeal to Reason” de 2008, até 2011 com “Endgame”.
Encerrando o dia 4, por volta das 00:10, Foo Fighters se apresentaram pela terceira vez como headliners do Rock in Rio (a primeira vez sendo em 2001 e a segunda em 2019). Liderados pelo sempre carismático Dave Grohl, a banda já chegou com o pé na porta cantando alguns de seus maiores sucessos, como “All My Life”, “The Pretender” e “Rope”, já no início do show. Por se tratar de um festival, como uma das atrações mais aguardadas por fãs de carteirinha e também apenas conhecedores, o setlist foi reservado aos singles hits em rádios de rock até hoje como “My Hero” e “Learn to Fly”. Foi um show, também, limitado, sem nenhuma novidade, a não ser a diminuição de canções de seu último álbum, “Your Favorite Toy” (RCA, 2026), recebido de forma morna pela crítica.
Como um todo, o dia 4 de setembro para o Rock in Rio 2026, ou o “Dia do Rock”, teve muita guitarrada, energia no palco e mosh pits (“rodinhas punk”). Mas, ficou claro a falta de coesão no que a curadoria de artistas quis dizer com “rock”, um termo guarda-chuva que junta uma infinidade de movimentos e subgêneros. No Palco Mundo, teve nu metal, rock de garagem, punk hardcore e post-grunge, cenas que só tem em comum o uso de guitarras. Enquanto um público chegava para assistir o Foo Fighters, uma das maiores bandas de rock da atualidade em termos de alcance de público, outras atrações interessantes mas não tão instigantes ao público de Dave Grohl e sua banda fizeram apenas abertura.
Foto de capa: Divulgação/Foo Fighters
Reportagem de Vinicius Corrêa
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