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“Refém por um fio” tenta prender o telespectador assim como o personagem principal

Baseado em fatos reais, o longa chega nos cinemas com uma proposta divertida e perigosa

Na próxima quinta-feira (20), o longa “Refém por um fio” estreia nos cinemas, trazendo Colman Domingo, Dacre Montgomery, Bill Skarsgard e Al Pacino em uma trama baseada em fatos reais. Situado em 1977, Gus Van Sant transformou o sequestro do herdeiro de uma imobiliária em um filme que mistura tensão e comédia.

Após acreditar que estava sendo passado para trás, Tony Kiritsis invadiu o prédio da imobiliária na qual adquiriu um terreno, e fez de refém um de seus donos com uma espingarda presa ao pescoço por um cabo conectado ao gatilho. O ar cômico do filme se dá pela falta de noção com o que o sequestrador lida com o caso, Tony é visivelmente apenas um homem nervoso que tentou fazer justiça com as próprias mãos. A forma atrapalhada com que o personagem se comporta no decorrer do filme, reforça a falta de preparo para cometer um sequestro ou assassinato.

Richard é sequestrado por engano, tomando o lugar do pai no plano de Tony (Reprodução: Omelete)

Colman Domingo entra como narrador da rádio favorita de Tony, o personagem narra o cotidiano para os ouvintes, quando o sequestrador entra em contato com a rádio pedindo a ajuda do programa para o público entender seu lado. É nítido o desespero midiático do sequestrador, ele busca apelo do público para conseguir provar que foi injustiçado e roubado pela empresa com que tinha um acordo. O que mais destaca o camp na história, é o fato do sequestrador estar errado, o contrato estava sendo cumprido, enquanto o terreno não tivesse investimento, os juros correriam e ele deveria pagar, ele só não acreditava nisso.

O cerco todo é montado pela mídia da época, alternando entre o interior da casa e o que é repassado pela mídia, representando como aconteceu na época, onde tudo foi televisionado e visto como entretenimento pelo público, aproximando o sequestrador das pessoas pelo seu jeito “descontrolado” e “sem jeito” de conduzir todo o sequestro. Mas além do engraçado e cômico, cenas também retratam o medo da vítima pelas promessas de Kiritsis, delirando pelo medo de ser morto.

O ponto principal se destaca com o acolhimento do público pelo criminoso, com seu jeito desengonçado e meio sádico, inexperiente e performático, quem acompanhou todo o sequestro se entregou ao charme engraçado de Tony, considerado inocente pelo júri popular. Diferente do que é retratado, o filme demora a prender o público, o cômico toma conta do lugar da tensão e não consegue segurar quem assiste, mesmo com o trabalho impecável do elenco.

As atuações de Skarsgard e Dacre são o respiro aliviado durante as cenas que vão além do sequestro, como por exemplo, quando Richard (Dacre Montgomery) precisa implorar ao pai um pedido de desculpas, apenas para se livrar do sequestrador, e mesmo assim é ignorado, destacando essa relação conturbada entre pai e filho.

Foto de capa: Rolling Stones

Crítica de Gabriel Goulart

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