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“Homem-Aranha: Um Novo Dia” vai além do heroísmo e conversa com a solidão e o pessoal do herói

Após os eventos traumáticos do feitiço do Doutor Estranho, Peter Parker se encontra solitário e imerso no mundo de combate ao crime

Nesta quinta-feira (29), Peter Parker retorna para as telas do cinema em busca do sentido de sua vida para além de salvar Nova Iorque dos ataques diários. Afundado em uma rotina incansável de combater os crimes em apoio da polícia local, o herói se encontra no pior momento da sua vida por trás da máscara. Após os efeitos do último filme, Peter se encontra solitário e sem com quem confiar para além da policial com quem mantém contato.

Homem-Aranha usa da justiça como forma de aliviar seus medos (Foto: Variety)

Anos após todos esquecerem quem era Peter Parker, o personagem se encontra completamente entregue ao seu alter ego, o Homem-Aranha, usando do trabalho de ajudar a sociedade como válvula de escape para sua solidão pessoal. Enquanto combate seus inimigos mais letais, como o Escorpião, interpretado por Michael Mando, o amigo da vizinhança enfrenta um inimigo pior, alguém capaz de controlar a mente de outras pessoas, que tem objetivo de chegar até a Central de Danos de Nova Iorque em busca do chamado “V-MAX”.

Com o estresse diário, a cobrança interna pelo bem-estar da cidade e a vida dos seus antigos amigos sendo vista apenas à distância, a fase Aranha-Humana, original dos quadrinhos de 1970, começa a aparecer, o que divide a experiência cinematográfica entre ação e o íntimo do personagem. Quando entendido que seus sentidos estão mais aguçados do que o normal devido ao processo evolutivo das aranhas, que, após um evento traumático, reforçam seus mecanismos de defesa e regeneração, fica claro o sentido completo do filme: as mudanças que a vida nos impõem e como vamos lidar com elas. É normal evoluirmos após alguma mudança drástica em nossas vidas, assim acontece com Parker, o que reaproxima o telespectador com o personagem sem o uniforme e a máscara.

Nesse ponto, o que estava em ascensão começa a ruir, o herói se perde em descontrole com medo das consequências que seu novo eu pode trazer para sua vida pessoal, e busca Bruce Benner, agora professor universitário, para ajudar no controle do problema. Em contra partida, Peter volta aos poucos para a vida MJ e Ned, usando um nome falso para não levantar suspeitas. A aproximação do Homem-Aranha com o Justiceiro, interpretado por Jon Bernthal, também ganha destaque quando o improvável entre dois inimigos se torna uma amizade de combate ao crime.

Entre os muitos caminhos que o filme se segue, a linha da nova personagem introduzida, a telepata Jean Grey, interpretada por Sadie Sink, é rápida e resolvida em pouco tempo, o que faz acreditar no fim do filme com um plot twist fraco e sem desenvolvimento. Após sequestrar Hulk, Grey invade as instalações da Central de Danos controlando-o mentalmente, fazendo ele perder o controle de si, onde Hulk ataca o Aranha, aqui destacando como uma das cenas mais interessantes do filme, com abuso de efeitos CGI.

Em uma mudança drástica na história, MJ encontra a antiga carta de Peter em suas coisas pessoais e tudo é revelado, nesse momento as atuações de Zendaya e Tom Holland se destacam pela sintonia em cena, sobre os sentimentos do abandono, esquecimento e os resultados de ações que não podem mais serem desfeitas. Além disso, descobrimos o verdadeiro vilão e suas ações passadas enquanto chefe de uma organização contra mutantes, virando completamente os papéis a partir daqui.

Peter se reencontra nas cenas de ação, trazendo de volta a animação para o filme quando entende que consegue deixar de viver quem ele não é mais, e se entrega completamente às mudanças no seu interior. Em uma memória com tia May, acessada pela telepatia de Jean, Peter entende que as pessoas o amam por ele ser quem ele é, independente do quão forte os poderes dele podem ser, ele continuaria sendo o Peter Parker.

Por fim, a solidão do herói amigo da vizinhança encontra o amor e comoção geral, quando Peter fica entre à vida e à morte, com um mutirão de pessoas esperando o seu retorno. Após tudo isso, Peter decide sair do seu isolamento e quebra as amarras com o medo que lhe consumia. Neste filme, a Sony consegue trazer o personagem Peter Parker de volta, com sentimentos humanos e sua visão não herói, ao mesmo tempo em que o Homem-Aranha se esforça ao máximo para consegue salvar o dia, que se repete em todos. Quando se aproxima do seu antigo melhor amigo, a vida volta a ter sentido e surge um novo dia.

Pôster oficial de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”

Ficha Técnica:

Título: Homem-Aranha: Um Novo Dia

Tempo de duração: 2 h 25 min

Direção: Destin Daniel Cretton

Gênero: Drama, Ação

Foto de Capa: Yahoo

Crítica de Gabriel Goulart

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