Mais de dois mil anos após ser escrita por Homero, “A Odisseia” continua sendo uma das histórias mais conhecidas da mitologia grega. Sob a direção de Christopher Nolan, a clássica jornada de Odisseu ganha uma adaptação que chega aos cinemas na quinta-feira (16) e aposta tanto na grandiosidade visual quanto no lado humano de seus personagens. O resultado é um filme que consegue agradar quem já conhece a obra original e também quem está tendo o primeiro contato.
A trama acompanha Telêmaco (Tom Holland), príncipe de Ítaca, que, vinte anos após a partida de seu pai, Odisseu (Matt Damon), para a Guerra de Troia, vive em um reino cercado por incertezas. Enquanto a rainha Penélope (Anne Hathaway) resiste às investidas de homens que desejam assumir o trono, Odisseu permanece isolado em uma ilha após um naufrágio. É por meio de suas lembranças que o espectador acompanha desde a conquista de Troia até os acontecimentos que o levaram àquela situação.

(Foto: Distribuição/Universal Pictures)
Para quem conhece a mitologia grega, ou até mesmo teve o primeiro contato com esse universo por meio de livros como “Percy Jackson”, o filme entrega praticamente todos os momentos mais marcantes do poema de Homero. Já para quem nunca teve contato com essa história, a narrativa funciona muito bem. Nolan conduz os acontecimentos de forma clara, permitindo que o público compreenda a jornada de Odisseu sem que o filme se torne cansativo ou dependa exclusivamente de conhecimento prévio sobre a mitologia.
Matt Damon entrega uma atuação que vai além do herói conhecido por todos. Em um primeiro momento, seu Odisseu é visto da mesma forma que os habitantes de Ítaca o enxergam: um líder forte, estrategista e praticamente inalcançável. Conforme a história avança, o filme mostra o personagem sob sua própria perspectiva, revelando seus medos, seus arrependimentos e o peso de tudo o que viveu durante sua longa jornada. Essa mudança de olhar humaniza Odisseu e torna sua trajetória ainda mais interessante.

(Foto: Distribuição/Universal Pictures)
Anne Hathaway e Tom Holland também merecem destaque. Os dois constroem uma relação de mãe e filho bastante convincente, marcada pela esperança do retorno de Odisseu e pelas dificuldades enfrentadas durante sua ausência. Hathaway, no entanto, consegue roubar a cena sempre que aparece. Sua Penélope transmite força, inteligência e determinação, mostrando uma rainha que, mesmo após vinte anos de espera e diante da pressão sofrida por parte dos conselheiros e pretendentes, permanece fiel ao homem que ama.
Robert Pattinson, no papel de Antínoo, entrega um dos antagonistas mais marcantes do filme. O ator consegue transmitir toda a ambição e a arrogância do personagem, fazendo com que o público rejeite suas intenções de tomar o trono de Ítaca. Sua interpretação é tão convincente que faz o espectador esquecer a imagem do ator e enxergar apenas o vilão que representa uma ameaça constante para Penélope e Telêmaco.

(Foto: Distribuição/Universal Pictures)
Outro ponto que merece destaque são as participações de Elliott Page e Lupita Nyong’o. Ambos foram alvo de críticas durante o anúncio do elenco, principalmente Lupita, escolhida para interpretar Helena de Troia. No entanto, mesmo com pouco tempo em cena, os dois conseguem transmitir grande complexidade aos seus personagens.
Christopher Nolan mais uma vez demonstra por que é considerado um dos principais diretores da atualidade. Conhecido por filmes como a trilogia “O Cavaleiro das Trevas”, “Interestelar”, “Tenet” e o vencedor do Oscar “Oppenheimer”, o diretor transita com naturalidade entre diferentes gêneros e imprime sua identidade também em uma história inspirada na mitologia grega. A escolha do elenco mostra um cuidado evidente na construção dos personagens, enquanto o uso da tecnologia IMAX em toda a produção amplia a grandiosidade das paisagens, das batalhas e dos cenários. Sempre que possível, vale a pena assistir ao filme nesse formato.
No fim, “A Odisseia” entrega uma adaptação que respeita a obra original, emociona pelos conflitos de seus personagens e reforça que algumas histórias continuam atravessando gerações sem perder a sua força.
Confira o trailer abaixo:
FICHA TÉCNICA:
Título: A Odisseia
Direção: Christopher Nolan
Gênero: Ação, Fantasia
Duração: 173 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Foto de capa: Distribuição/Universal Pictures
Crítica de Wilson Estevam, com edição de texto de Cássia Verly
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