Na tarde desta última quarta-feira (29), o estado do Rio de Janeiro sofreu com fortes rajadas de vento de mais de 100 km/h, que provocaram paralisações nos trens e metrô, apagões pela cidade e pelo menos duas pessoas morreram. A chegada da frente fria atingiu todo a capital, chegando até à Baixada Fluminense.
Com a força do vento, os voos foram suspensos, tanto pousos como decolagens; A circulação de trens e metrô foi interrompida devido à falta de energia, sendo normalizadas no fim da noite. O ramal Japeri foi o mais afetado, em imagens gravadas por moradores, uma árvore caiu na linha do trem em Comendador Soares, na Baixada Fluminense; Todas as regiões do Rio, até a Baixada Fluminense, relataram momentos de falta de energia. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirmou que uma subestação foi desligada após a ventania, já a Light afirma que houve uma “falha externa no sistema”; Como consequência da queda de energia, sinais de trânsito ficaram inoperantes, atrapalhando a volta para casa. Duas vítimas foram atingidas por um muro que desabou pela força do vento em Santa Teresa.
A queda de energia durante as viagens de metrô resultou em composições paradas entre estações subterrâneas, deixando passageiros presos por longos períodos. As entradas das estações, em especial, General Osório e Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, ficaram lotadas até a reabertura das linhas 1 e 4, que só aconteceu por volta das 19h.
Foram registradas 30 ocorrências de cortes de árvores, quatro desabamentos e 26 resgates de pessoas. Entre uma dessas quedas, uma funcionária da Fiocruz teve ferimentos leves e um homem foi socorrido no Centro, também sem gravidade.
Possível chegada do El Niño:
Os ventos registrados no Rio de Janeiro são considerados eventos climáticos preocupantes. Segundo os meteorologistas, com o aquecimento acima do normal da atmosfera, esse tipo de evento será cada vez mais comum, o que pode ser potencializado pelo El Niño previsto para os próximos meses. Também confirmado pelos especialistas, as fortes ventanias não têm relação direta com esse fenômeno, ao contrário do que afirmou o prefeito do Rio de Janeiro.
Em vídeo publicado em suas redes sociais, a jornalista Ana Paula Santos comentou sobre os efeitos do El Niño em todo o estado, confira:
O fenônemo climático é caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico e acontece com frequência a cada dois e sete anos, mudando a circulação da atmosfera, alterando o padrão das chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo. Além disso, o El Niño faz com que, mesmo fora de época, os termômetros fiquem acima da média, como por exemplo a última quarta-feira (29), onde foram registrados 33 graus em pleno inverno.
As expectativas são de que os efeitos do fenômeno no Brasil devem ser sentidos na próxima primavera, quando o El Niño ganhar força. Já formado no Oceano Pacífico, ele pode ganhar crescer rapidamente nos próximos meses, aumentando o risco de onda de calor, secas e chuvas intensas ao redor do mundo. As principais projeções indicam um aquecimento expressivo das águas do Pacífico equatorial, especialmente nas porções central e leste do oceano.
Sua potência agora depende do quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nos próximos meses e de como será a resposta da atmosfera a isso. A intensidade do fenômeno vai além dos mares e depende da temperatura da atmosfera, que precisa atuar de forma consistente para evitar com o aquecimento global.
Foto de capa: Folha- UOL
Reportagem de Gabriel Goulart
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