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Apesar da vitória, Seleção Brasileira ainda deixa dúvidas na Copa do Mundo

Entre elogios, reclamações e esperança pelo hexa, entrevistados avaliam a atuação da seleção após a vitória sobre o Haiti

É tempo de Copa do Mundo, mas, diferentemente de outras edições, a Seleção Brasileira chegou ao torneio cercada por desconfiança. Antes da bola rolar, muitos torcedores afirmavam não criar grandes expectativas, porém bastou o Mundial começar para que as ruas voltassem a se encher de verde e amarelo nos dias de jogo.

A Agência UVA esteve na Rua Jorge Rudge, durante a partida do Brasil na última sexta-feira (19). Conhecida pelos moradores mais antigos da Grande Tijuca como a “Rua da Copa”, a via voltou a ser decorada para o torneio e ganhou novidades nesta edição, como a instalação de um telão para a transmissão dos jogos. A iniciativa transformou o local em um ponto de encontro para os torcedores e resgatou o clima tradicional de Copa do Mundo nas ruas.

Torcedores aguardando o início da partida
(Foto: Carolina Bento/Agência UVA)

A atuação pouco convincente na estreia ainda gerava certa frustração entre os torcedores presentes na Rua da Copa. Mesmo assim, a confiança em uma vitória diante do Haiti prevalecia. Isabelle, de 28 anos, acreditava que o Brasil conseguiria um resultado positivo por considerar a seleção haitiana tecnicamente inferior, mas não escondia a insatisfação com o desempenho da equipe e com as escolhas do técnico Carlo Ancelotti. “Acho que vamos dar sorte, porque a galera do Haiti vai ser péssima e vai chutar todas para fora”, brincou.

“Ele só vai colocar o Endrick aos 93 minutos, mas a gente vai ganhar de 3×1. Gol do Vinícius Júnior, um gol contra do Haiti e um do Luís Henrique, que vai entrar no segundo tempo.” Conta Isabelle.

Já Laura, de 23 anos, demonstrava uma preocupação mais simples: queria apenas uma noite tranquila acompanhando a Seleção. Confiante em uma atuação superior à da estreia, ela também defendia mais espaço para uma das principais promessas do futebol brasileiro. “Espero não me estressar com esse jogo e espero que o Ancelotti coloque o nosso menino Endrick para jogar”, comentou.

“Só acho que esse hexa ainda está muito longe”, diz Laura.

Assim, quando a bola rolou, os torcedores observavam os primeiros minutos do jogo esperando uma melhora da Seleção Brasileira. Durante o primeiro tempo, a torcida celebrou os gols quase como um alívio. Depois de uma estreia tensa, o Brasil parecia ter se encaixado, marcando três vezes na primeira etapa e provocando a comemoração da rua inteira, com muitos gritos, bebidas sendo jogadas para o alto e muita vuvuzela. Com certeza, um dos momentos mais marcantes foi a entrada de Rayan, que substituiu Raphinha ainda no primeiro tempo.

Moradoras assistem o jogo da janela da sua casa
(Foto: Carolina Bento/Agência UVA)

No segundo tempo, as coisas esfriaram um pouco entre os torcedores, já que a própria Seleção diminuiu o ritmo. Como não houve gols validados nessa etapa, a comemoração ficou por conta da entrada de Endrick, que foi ainda mais celebrada do que a de Rayan. O jogador era um pedido dos torcedores desde a semana passada, e sua entrada foi tão comemorada que pareceu um gol.

Após a partida, os torcedores comemoraram a vitória, mas ainda não sabiam se era possível avaliar o desempenho da Seleção Brasileira com base em um adversário de qualidade inferior.

Para Bruno, de 41 anos, analista de projetos na Fundação Oswaldo Cruz, o jogo foi fácil, como já era esperado, e a Seleção soube controlar a partida após construir o resultado. “Isso vem do fato de o Haiti ser uma seleção fraca, mas o Brasil não tomou muita pressão e também não precisou fazer tanta força. Conseguimos fazer 3 a 0 com algumas bolas fáceis”, avaliou.

“Mas eu já acho que se o Brasil pegar uma seleção mais forte, o resultado vai ser ruim”, explica Bruno.

Já na visão de Andressa, estudante de Comunicação de 23 anos, o jogo foi interessante, embora ela esperasse uma atuação mais convincente da Seleção Brasileira. Para ela, a equipe mostrou evolução em relação à estreia, mas ainda apresentou falhas que precisam ser corrigidas ao longo da competição. “Tiveram erros, como em todos os jogos, mas o resultado foi bom”, avaliou.

“O Haiti não tem um time bem escalado e tem uma seleção um pouco fraca, mas no geral, achei muito bom, principalmente a defesa, que estava legal. Só senti falta de uma movimentação maior no segundo tempo.”, relata a estudante.

Dessa forma, após o resultado positivo, a festa continuou até tarde na rua. A sensação de viver uma Copa do Mundo é algo que acontece apenas a cada quatro anos e, mesmo diante das críticas, da desconfiança ou de uma seleção que muitos consideram longe de sua melhor fase, o brasileiro continua encontrando motivos para celebrar. Afinal, poucos povos vivem o Mundial com tanta intensidade quanto o Brasil.

Foto de capa: Carolina Bento/Agência UVA

Reportagem de Carolina Bento, com edição de texto de Rafael Zoéga

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