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SECOM 2026: roda de conversa sobre cinema promove debate sobre os bastidores do audiovisual

Ex-alunos premiados exibem curtas e debatem mercado audiovisual, representatividade e processo criativo na SECOM

O segundo dia da Semana da Comunicação da Universidade Veiga de Almeida (SECOM) foi marcado pela multidisciplinaridade presente nos diferentes meios da comunicação. Com o tema “Fazer cinema: da universidade para o mundo”, a roda de conversa proporcionou ao público uma imersão nos bastidores da produção audiovisual e no processo criativo do cinema independente. Mediado pelo professor Guilherme Reis, o encontro reuniu os ex-alunos Bruno Gomes e Lux Barreto, que compartilharam suas experiências no audiovisual e apresentaram seus curtas-metragens premiados internacionalmente.

(Foto: Eliza Helena/Nfoto)

A programação foi dividida em dois momentos: a exibição dos filmes “5 anos”, dirigido por Bruno Gomes, e “Espresso Martini”, de Lux Barreto, seguida por uma conversa sobre os desafios, inspirações e escolhas criativas envolvidas nas produções.

Apesar das diferenças entre as narrativas, ambos os filmes abordam encontros inesperados capazes de transformar a vida de seus personagens. Em “5 anos”, Bruno Gomes constrói uma narrativa marcada por simbolismos e sutilezas ao abordar questões relacionadas à saúde mental. Os personagens possuem nomes de medicamentos, funcionando como alegorias que ampliam as possibilidades de interpretação da obra.

Cena do filme curta metragem “5 Anos” de Bruno Gomes.
(Foto: Eliza Helena/Nfoto)

Segundo o diretor, o filme foi pensado justamente para provocar diferentes leituras do público.

“Eu tive muita preocupação ao trabalhar esse tema, por entender que é delicado, por isso resolvi trabalhar de forma implícita. Eu fico muito feliz quando as pessoas não compreendem o final do filme, porque não é uma coisa óbvia. Mas, ao mesmo tempo, também fico satisfeito quando elas conseguem interpretar, porque percebo que os elementos visuais podem conduzir para essa compreensão”, explicou o diretor.

O diretor também destacou a construção visual da narrativa, marcada por simetrias e detalhes simbólicos. Um dos exemplos apontados foi a relação entre os protagonistas: embora a personagem feminina evite revelar seu nome para não criar intimidade, em determinado momento ela passa a chamar o protagonista por um apelido carinhoso, indicando uma aproximação afetiva inevitável.

“Ela tem sempre essa característica de ‘vai e volta’. Apesar de dizer que não quer se aproximar, é algo muito natural da personalidade dela tomar a iniciativa e propor coisas ao novo colega”, comentou o produtor.

Já “Espresso Martini” conduz o público a uma conversa entre duas mulheres em um bar da alta sociedade, utilizando o diálogo para provocar reflexões sobre questões sociais, identidade e pertencimento. Lux Barreto contou que o filme nasceu de uma colaboração criativa com uma amiga e que o roteiro precisou ser cuidadosamente trabalhado para manter a atenção do espectador ao longo de toda a conversa.

“O tema central é um questionamento sobre a existência do corpo de uma mulher negra. Eu quis comunicar no filme o que eu estava vivendo entre os meus 25 e 30 anos, uma fase cheia de questionamentos sobre quem somos, o que fazemos e onde queremos chegar”, afirmou a diretora.

Além do roteiro, a diretora destacou a importância da direção de arte e do figurino na construção das personagens. Os elementos visuais ajudam a representar as diferenças sociais e as experiências de vida de cada protagonista.

Professor Guilherme Reis mediou a conversa e nos levou a uma reflexão à respeito do mercado audiovisual.
(Foto: Eliza Helena/Nfoto)

“O filme tem uma construção imagética muito clara das personagens. Os figurinos deixam explícitas, desde o primeiro momento, as intenções de cada uma delas”, observou o professor Guilherme.

Durante a conversa, Lux Barreto também refletiu sobre sua trajetória como mulher no mercado audiovisual. Segundo ela, trabalhar em uma equipe majoritariamente feminina durante a produção de “Espresso Martini” trouxe acolhimento e reforçou seu desejo de construir uma carreira como diretora de fotografia.

“No meu caminho, eu tive muitas mulheres que abriram portas para mim e hoje eu quero ter esse poder de abrir portas para outras mulheres”, compartilhou Lux.

A diretora ainda ressaltou a importância da presença feminina em áreas historicamente associadas aos homens dentro do audiovisual. Para ela, ver pela primeira vez uma mulher operando uma câmera foi um momento decisivo em sua trajetória profissional.

Encerrando o encontro, o professor Guilherme Reis destacou as diferentes linguagens utilizadas pelos filmes para construir suas mensagens.

“Os filmes trabalham de formas diferentes a construção da mensagem. Um deles se apoia na fotografia e no figurino, enquanto o outro utiliza elementos imagéticos e sonoros para conduzir a narrativa”, concluiu o professor.

Ao final do encontro, Bruno Gomes e Lux Barreto deixaram uma reflexão inspiradora para os estudantes presentes: a importância de acreditar nos próprios sonhos e ter coragem para seguir aquilo que se ama. Os convidados reforçaram que o caminho no audiovisual pode ser desafiador, mas que nunca é tarde para buscar novas oportunidades, desenvolver a própria criatividade e transformar a paixão pelo cinema em profissão.

Entre relatos pessoais, experiências no mercado e aprendizados construídos ao longo da trajetória, a roda de conversa mostrou que persistência, autenticidade e coragem são fundamentais para levar histórias da universidade para o mundo.

Foto de capa: Eliza Helena/Nfoto

Reportagem de Maria Eduarda Lima, com edição de texto de João Gabriel Lopes

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