Sociedade Tecnologia

TikTok redefine a forma de buscar informação e influência comportamento da Geração Z

Jovens recorrem a vídeos curtos para pesquisar, enquanto plataformas e tecnologias se adaptam ao novo comportamento

O TikTok deixou de ser apenas uma plataforma de entretenimento para assumir um novo papel no cotidiano digital da Geração Z: o de ferramenta de busca. Cada vez mais, jovens recorrem a vídeos curtos para tirar dúvidas, buscar recomendações e aprender sobre diferentes assuntos, substituindo mecanismos tradicionais baseados em texto, como o Google.

A mudança está diretamente ligada à forma como o conteúdo é apresentado. Diferente das buscas tradicionais, o TikTok reúne informação e entretenimento em um mesmo ambiente, oferecendo respostas rápidas, visuais e dinâmicas. Em poucos segundos, o usuário encontra explicações diretas, frequentemente acompanhadas de demonstrações práticas e relatos pessoais, o que torna a experiência mais acessível e atrativa.

Dados da pesquisa “Using TikTok as a Search Engine”, realizada pela Adobe, ajudam a explicar esse comportamento: 44% dos jovens consideram os vídeos curtos mais fáceis de compreender, enquanto 31% apontam a personalização do conteúdo como um fator decisivo. Além disso, o alto tempo de uso de dispositivos móveis e a predominância de usuários jovens na plataforma reforçam esse cenário.

Consumidores que já usaram TikTok como fonte de pesquisa: 51% Não; 49% Sim
(Foto: Reprodução/Adobe)

Outro fator relevante é a percepção de autenticidade. Para muitos usuários, conteúdos apresentados por pessoas comuns em vídeos informais e com espaços para comentários, parecem mais confiáveis do que resultados tradicionais. A possibilidade de visualizar experiências reais e acessar diferentes opiniões em um mesmo ambiente contribui para consolidar o TikTok como uma alternativa prática de busca.

Gráfico que mostra os motivos da Geração Z preferir o TikTok ao invés de plataformas próprias para busca.
(Foto: Reprodução /Adobe)

O impacto dessa transformação não se limita ao comportamento dos usuários. O sucesso do formato impulsionou outras plataformas a adotarem estratégias semelhantes, como os vídeos curtos no Instagram e no YouTube. Até mesmo o Google passou a incorporar uma aba de ‘vídeos curtos’ como resultado de pesquisas em uma tentativa de se adaptar ao novo padrão de consumo dinâmico.

Para o pesquisador Douglas Ferreira, doutorando em Comunicação pela PUC-Rio e especialista em plataformas digitais, o fenômeno é significativo, mas já passa por novas transformações. Segundo ele, o TikTok se consolidou como ponto de partida para a obtenção de informações entre jovens, especialmente em temas do cotidiano. No entanto, começa a dividir espaço com ferramentas baseadas em inteligência artificial.

Douglas é especialista em plataformas digitais.
(Foto: Reprodução/Acervo Pessoal)

“Em muitos casos, como pesquisas escolares ou buscas mais gerais, o recurso imediato tem passado a ser os LLMs (ferramentas de inteligência artificial), sobretudo o ChatGPT”, explica o pesquisador.

Essa mudança também afeta diretamente a forma como a informação é consumida. Ainda de acordo com o pesquisador, há preocupações crescentes em relação à presença de vieses, à homogeneização do conteúdo e à chamada “alucinação” de sistemas digitais, quando informações falsas são apresentadas com aparência de verdade. “Uma consequência que já se torna visível é a transferência de autoridade epistêmica para esses sistemas”, afirma. Nesse contexto, usuários passam a confiar cada vez mais nas respostas fornecidas por plataformas e tecnologias, enquanto veículos tradicionais podem perder centralidade.

A facilidade de acesso à informação em formatos curtos e altamente editados também levanta questionamentos sobre a qualidade do conteúdo consumido. A combinação entre linguagem visual, repetição e alto engajamento pode reforçar a percepção de veracidade, mesmo quando as informações não são verificadas, o que evidencia a necessidade de uma postura mais crítica por parte dos usuários.

Na avaliação do pesquisador, essa transformação aponta para uma mudança mais ampla na própria estrutura da internet. Se antes a navegação era baseada em textos conectados por links, hoje ela é mediada por plataformas e, cada vez mais, por sistemas automatizados.

“É provável que caminhemos para uma internet em que agentes inteligentes sejam responsáveis por acessar informações, processá-las e entregá-las aos usuários”, projeta Douglas.

O crescimento do TikTok como ferramenta de busca não representa apenas uma mudança de preferência entre plataformas, mas indica uma transformação mais profunda na maneira como a informação é produzida, distribuída e consumida na internet, um processo que continua em evolução.

Foto de capa: Reprodução/Pexels

Reportagem de Fernanda Lopes, com edição de texto de João Gabriel Lopes

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