Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para o próximo dia 30 de abril, com distribuição da Paris Filmes, “Exit 8” revela uma experiência eficaz de adaptação, traduzindo a atmosfera inquietante do jogo para as telas de cinema. O elenco conta com Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi, Naru Asanuma, Kotone Hanase e Nana Komatsu.
Dirigido por Genki Kawamura, que coescreveu o roteiro com Kentaro Hirase, a dupla consegue transmitir a atmosfera perturbadora para as telas e aprimorar a narrativa, que se mostrava quase inexistente no material-base do jogo, gerando maior profundidade à história. O longa-metragem dialoga com o mito do Minotauro, no qual o labirinto carrega o simbolismo de controle e libertação, estabelecendo um paralelo direto com o que o protagonista enfrenta ao se perder nos corredores de uma estação de metrô japonesa.

Dessa forma, Kawamura consegue traduzir a narrativa de alguém preso em um ciclo vicioso e a agonia por meio do uso da perspectiva em primeira pessoa nos momentos iniciais do filme. Posteriormente, a narrativa se desloca para a terceira pessoa, ampliando a percepção do espectador e contribuindo para uma dimensão maior do dilema enfrentado pelo protagonista.
Somos apresentados ao personagem central, interpretado por Kazunari Ninomiya, propositalmente sem nome, que atravessa um dia particularmente desagradável em pleno horário de pico, dentro de um vagão de metrô lotado. Nos primeiros minutos, ele surge apenas como um passageiro anônimo a caminho do trabalho e evita qualquer tipo de contato, demonstrando clara aversão à interação, inclusive ao ignorar um homem que repreende, aos berros, uma mãe com um bebê.
Ele tem seu devaneio abruptamente interrompido ao receber uma ligação da namorada, que o desestabiliza. Ao descer na estação, distrai-se e, atônito, acaba entrando em um corredor labiríntico de azulejos brancos, repleto de elementos que facilmente passam despercebidos. Um homem caminha em sua direção, carregando uma mala à direita do corredor, enquanto, acima, uma placa indica a saída 8. No entanto, ao avançar, algo se altera e a mesma cena passa a se repetir indefinidamente, obrigando-o a percorrer o mesmo trajeto inúmeras vezes.

Com esse início inusitado, o longa se estrutura em três blocos narrativos. O primeiro, intitulado “homem perdido”, conduz o espectador pelas sucessivas tentativas de fuga desses corredores. Por meio de um ciclo de erros e acertos, o personagem se vê obrigado a seguir determinadas instruções para escapar daquele espaço, enquanto reflete sobre as escolhas feitas fora dali.
À medida que o enredo avança, percebe-se que Genki Kawamura constrói uma narrativa mais simples e direta, que ainda assim convida à reflexão sobre questões existenciais e aspectos psicológicos ligados ao protagonista. Ao mesmo tempo, os corredores da estação podem ser interpretados como uma metáfora do aprisionamento no cotidiano da vida moderna, uma repetição que ecoa na rotina de inúmeros transeuntes que atravessam esses espaços urbanos diariamente.

O longa também apresenta outros personagens que surgem à medida que “o homem perdido” passa a compreender a lógica das anomalias. Além disso, Genki Kawamura incorpora alusões cinematográficas a O Iluminado, mantendo uma atmosfera tensa e imersiva. Ainda que apresente momentos mais contemplativos e de ritmo desacelerado, o filme exige do espectador maior envolvimento e paciência para que sua proposta narrativa se desenvolva plenamente.
No fim das contas, “Exit 8” surge como uma adaptação surpreendente de um jogo indie, levando aos cinemas uma narrativa incomum e menos convencional em relação a outras produções do gênero. Ainda assim, mostra-se suficientemente instigante e se consolida como um excelente exemplo do terror moderno aliado às tradições do J-horror.
Confira o trailer do filme abaixo:
FICHA TÉCNICA
Título: EXIT 8
Direção: Genki Kawamura
Roteiro: Kentaro Hirase e Genki Kawamura
Gênero: Terror, Suspense, Ação
Duração: 95 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Foto de capa: Divulgação/Paris Filmes
Crítica por Jéssica de Araujo Lima, com edição de texto de Cássia Verly
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