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Samantha Sotto Yambao traz recortes do Japão em seu livro “Espelhos de Água”

Escrito por Samantha Sotto Yambao, para quem gosta da cultura oriental, o livro "Espelhos de Água" traz um contexto chamativo e instigante.


Escrito por Samantha Sotto Yambao e publicado no Brasil pela editora Galera Record em 2025. O livro apresenta ótimas citações que nos fazem refletir… a autora nos apresenta duas ferramentas muito interessantes! A primeira é a ambientação: Boa parte da história se passa no Japão, país de grande cultura que instiga muitos leitores. Nessa ambientação, buscou trazer elementos como nomes próprios, sobrenomes e a forma correta de pronunciá-los; algumas palavras no idioma japonês, incentivando a pesquisa do significado e forma de pronúncia por parte do leitor, tornando a leitura um aprendizado a mais e trouxe também um pouco da alimentação e dia a dia dos japoneses.

Para quem gosta da cultura oriental, o livro traz um contexto chamativo e instigante… A história também tem como cenário, uma loja de penhores mística! Um grande trunfo para cativar a curiosidade de como funcionará essa idéia no decorrer da leitura…
A segunda ferramenta utilizada foi a linguagem e ambientação fantasiosa. A autora utiliza fatos e contextos bastante imaginativos e mágicos para abordar o tema central. Geralmente, os públicos infanto juvenis têm como preferência esse tipo de abordagem… Quem prefere uma leitura mais realista, talvez não se sinta muito atraído por essa leitura. Porém, a leitura vale a pena por diversos fatores.


“Saber o seu futuro teria tirado de você todas as suas escolhas, todas as suas chances (…) você ia perder a capacidade de sonhar e ter esperança de torcer por um final diferente do que está escrito.”
“Perder-se, muitas vezes, é o único jeito de encontrar uma coisa que você nem sabia que estava procurando.”
“Tem coisas que quando se quebram, ficam até mais bonitas (…) eu já vi beleza em todo tipo de coisa quebrada. Cadeira. Prédio. Gente.”
Uma loja de Lámen… Muitos clientes com fome na fila para entrar no restaurante… Nem todos irão conseguir… Alguns ao entrar, não irão encontrar o restaurante e sim a loja de penhores do Sr. Toshio… E acredite… Não é uma loja comum, é real e não é por acaso…

Ainda na ferramenta da fantasia, autora usa elementos como pessoas penhorando suas escolhas na loja mágica, origamis ganhando vida, mudança de mundos através de sonhos e de poças de água… Ou seja, uma boa opção para os leitores que querem “fugir da realidade”.
A autora nos convida a refletir de forma leve, dinâmica e mágica, sobre um tema muito importante, que são as nossas escolhas… Como as fazemos no nosso dia a dia, muitas das vezes de forma automática e natural, sem nos darmos conta e também o peso de cada escolha e suas conseqüências…


Outro ponto forte apresentado é o legado que muitas vezes recebemos de nossos pais, as expectativas que são criadas sobre nós e as que criamos sobre as pessoas ao nosso redor.
Porém a história possui pontos fracos… Um deles são os personagens principais e a interação entre eles no decorrer da trama. A impressão que fica é que faltou química entre eles ou pelo menos que a relação foi algo muito repentina e precisava pelo menos mais algum tempo e detalhes para que fosse considerada convincente. Essa rapidez, essa impressão de algo muito corrido, pode acabar atrapalhando a conexão, a identificação dos leitores com os personagens, desagradando alguns públicos e atrapalhando a experiência dos leitores com a história.


A autora apresenta boas idéias, mas falha na execução. Faltou um pouco de estrutura e consistência na trama narrada. Em alguns trechos do livro, por exemplo, nota-se que a história perde o ritmo, o raciocínio e a conexão com o enredo se perdem, as idéias se perdem… Isso acaba deixando o leitor em dúvidas com o andar da história e se deve continuar lendo.
O estilo de leitura é mais voltado para o mundo infanto juvenil e em si, possui um tema central e ambientações bastante chamativas… Porém, o excesso de informações fantasiosas, a falta de conexão das ações com as idéias e o ritmo acelerado dos fatos, talvez desagrade a muitos leitores e faça com que a autora não consiga passar tão bem e claramente a mensagem central da maneira que foi planejada. O livro tem muito potencial, porém poderia ter sido melhor desenvolvido.


No fim, é uma leitura leve, válida para o entretenimento, principalmente pela grande imaginação demonstrada, porém deixa a sensação de que apesar de boas idéias, poderia ter sido algo mais marcante, mais detalhado… Deixa a sensação de que faltou algo… de que poderia ter sido mais.

Resenha crítica de Paula Freitas, com edição de texto de Joyce Guilherme

Foto de capa: Divulgação/Galera Record

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