Esporte

Regulamento da F1 é reformulado após críticas de pilotos sobre segurança

FIA promove ajustes no uso de energia e reforça medidas de segurança a partir do GP de Miami

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) confirmou, na última segunda-feira (20), uma série de mudanças no regulamento da Fórmula 1 para a temporada de 2026. As medidas são uma resposta direta à insatisfação de pilotos e à preocupação com a segurança, após incidentes causados pela disparidade de velocidade entre os carros. As novas diretrizes foram definidas após reuniões virtuais realizadas em abril e, em sua maioria, já entram em vigor no GP de Miami, marcado para o dia 3 de maio.

A mudança chega em um momento delicado. Com os motores previstos para 2026 dividindo a potência de forma equilibrada entre combustão e eletricidade, os pilotos passaram a ter dificuldade para manter as baterias carregadas, o que tem deixado as corridas mais artificiais e dependentes de estratégias de economia.

Mudanças no sistema de energia e na classificação

A revisão mexe diretamente no sistema de energia e na dinâmica da classificação. A ideia é reduzir a complexidade do gerenciamento e permitir que os pilotos possam forçar o ritmo nas voltas rápidas sem tantas limitações. Com isso, o limite de recarga foi reduzido de 8 para 7 megajoules (MJ), numa tentativa de diminuir a necessidade de economizar bateria durante as voltas lançadas.

Como complemento, a potência do superclipping, técnica em que o motor a combustão recarrega a bateria enquanto o piloto acelera, foi elevada de 250 para 350 kW. A expectativa é reduzir de forma significativa o tempo de recarga e permitir que os carros sustentem o desempenho máximo com mais constância, sem depender tanto de situações consideradas artificiais.

Reforço nas medidas de segurança após o GP do Japão

A preocupação com a segurança ganhou ainda mais peso depois do acidente de Oliver Bearman no GP do Japão. O piloto da Haas atingiu o muro a 262 km/h após se deparar com uma grande diferença de velocidade em relação a Franco Colapinto, que vinha sem carga na bateria. Os dois atribuíram o episódio aos novos regulamentos, já que Colapinto estava sem energia disponível enquanto Bearman utilizava o botão de boost, que aumenta a potência do carro, cenário que acendeu o alerta dentro da categoria.

Para evitar novos episódios, a FIA definiu uma série de ajustes no regulamento:

  • O limite de boost agora passa a ser de 150 kW, acompanhando o aumento da potência do superclipping e com o objetivo de evitar diferenças repentinas de velocidade.
  • Já o MGU-K não poderá mais ser acionado em zonas de aceleração plena, para impedir que carros fiquem inesperadamente lentos em trechos rápidos da pista.

Prevenção de acidentes em largadas e chuva

A federação passou a adotar um mecanismo para reduzir o risco de colisões no grid após o episódio envolvendo Liam Lawson na Austrália. Naquela situação, o piloto da Racing Bulls teve uma largada muito lenta e acabou exposto aos carros que vinham atrás. Com a nova regra, um sistema identifica acelerações fora do padrão e, se o carro não sair como esperado, o motor elétrico (MGU-K) é acionado automaticamente para garantir um deslocamento mínimo e diminuir o risco de impacto traseiro.

Para corridas sob chuva, o regulamento simplificou o sistema de luzes traseiras de alerta e aumentou a temperatura dos cobertores térmicos dos pneus intermediários, buscando oferecer mais aderência logo nas primeiras voltas em pista molhada. O GP de Miami será o primeiro grande teste desse pacote, que tenta equilibrar desempenho e segurança de forma mais consistente ao longo das provas.

Foto de capa: Reprodução/F1

Reportagem de Rafael Zoéga

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