Saúde Sociedade

Covid-19 e suas sequelas: idosos são os mais afetados pela Covid longa

Um dos grandes problemas de muitos idosos é o que ocorre após a passagem do vírus pelo corpo

A pandemia do Coronavírus fez o mundo mudar a forma de agir e pensar. Lockdowns foram instalados e medidas de higiene e segurança ficaram ainda mais rigorosas – sem falar na ampla vacinação de populações inteiras. Muitos cidadãos que contraíram a doença e não morreram enfrentam sequelas deixadas pela enfermidade até os dias de hoje, sendo os idosos os mais afetados por elas.

Uma pesquisa feita em 2023 pela Rede de Pesquisa Solidária em Políticas e Sociedade consta que quase 60% dos brasileiros que tiveram a doença desenvolveram a chamada “Covid longa” e apresentaram sintomas após três meses da fase aguda do vírus. O estudo foi feito a partir de um questionário virtual, em que vítimas do Coronavírus participaram contando seus relatos e mostrando o PCR – exame que serve para detectar a doença – positivado.

Por fazerem parte do grupo de risco, o impacto da doença é maior em idosos. Muitos deles têm comorbidades, que também podem ajudar a evolução do vírus no organismo. Este é o caso de Maria Paula Rodrigues, de 81 anos, que sofre de diabetes e hipertensão. Desde à eclosão da Covid-19 no Brasil, positivou três vezes para doença. Apesar de ter apresentado sintomas leves, a aposentada explica que as sequelas pós-doença permanecem em seu corpo até hoje e relata diversos sintomas que apareceram após contrair o vírus.

“Depois de pegar a Covid, me sentia mais cansada, as dores na coluna aumentaram e além de uma mudança no meu paladar e olfato”, relata a idosa.

Maria Paula Rodrigues faz parte do grupo de risco por conta de doenças pré-existentes e idade. (Foto: Reprodução/Isabella Pereira)

Por ser hipertenso, Sérgio Fernandes, de 62 anos, também faz parte do grupo de risco. Ao contrair o Coronavírus, no início de 2021, teve metade de seu pulmão comprometido pela doença e conta as dificuldades que tem hoje em dia. Mesmo já tendo contraído a doença há mais de dois anos, ele ainda sofre com algumas sequelas.

“Me sinto muito mais cansado depois de ter contraído o vírus. Fazer uma atividade física virou uma grande dificuldade para mim e até mesmo uma tarefa simples da rotina já me deixa com fadiga” conta Sérgio.

A partir de um estudo feito em março de 2023 pela revista Vaccine, as chances de pessoas que se vacinaram terem a Covid longa são menores. A pesquisa mostra que esses indivíduos têm chances mínimas de adquirir as sequelas e, também, distúrbios pulmonares e fadiga persistente. Segundo o estudo, tomar a vacina antes da infecção por SARS-CoV-2 foi associada a um menor risco de Covid longa, enquanto aqueles com Covid longa em curso, não apresentaram alterações sintomáticas após a vacinação.

De acordo com o médico ortopedista e traumatologista, Marcelo Medronho, as sequelas podem ser tratadas e muitas podem até desaparecer com o tempo. Para o tratamento, fisioterapeutas e fonoaudiólogos são os mais indicados.

“Em alguns casos, há perda de motricidade – perda de habilidade motora – ou até mesmo neuropatias (doenças que atingem o funcionamento dos nervos periféricos, podendo afetar tanto a parte de sensibilidade quanto nossa motricidade), que também são tratáveis. Dependendo das sequelas, é recomendado que o paciente se trate com bastante fisioterapia e fonoaudiologia,” afirma Marcelo.

Wilson Brandão, de 84 anos, contraiu a doença duas vezes e conta que sentiu uma certa diferença entre elas. Acontece que o aposentado foi contaminado antes e depois de tomar a vacina. Para Wilson, na segunda vez a doença foi mais branda, enquanto que na primeira vez, teve mais sintomas e sequelas que perduraram por meses.

Wilson Brandão é aposentado e relata sobre as vezes que contraiu a Covid-19. (Foto: Reprodução/Isabella Pereira)

Atualmente, manter a caderneta de vacinação em dia é essencial para o bem-estar e saúde do indivíduo. A vacina é a única forma, comprovada e segura, de combater o Coronavírus com mais eficácia e diminuir a contaminação de novas variantes.

Reportagem de Isabella Pereira para a disciplina de Jornalismo Independente, ministrada pela professora Daniela Oliveira.

Foto de capa: Breno Esaki/Agência Saúde DF

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