Internacional

China: Protestos contra a política da “Covid Zero” ganham força

Jovens manifestantes se revoltam contra forte lockdown no país

A política de “Covid Zero”, estabelecida pelo governo chinês e em vigor desde o início de 2020, vem sendo alvo de protestos. A intenção da medida é zerar os casos da doença no país, e para que isso aconteça, a população precisa se manter em lockdown e cumprir medidas rígidas — como a realização de mais de um teste por dia para verificar a existência do vírus no organismo. Devido ao atual crescimento da doença, as ordens de restrição receberam novo vigor em todo o país. A média móvel de novos casos diários já chega a 30 mil, como divulgado pela “Folha de São Paulo” durante o podcast “Café da Manhã”, programa mantido pelo veículo.

Não satisfeita com as medidas ainda ativas, a população deu início a uma onda de protestos contra as políticas impostas relacionadas a Covid. As ocorrências ganham proporção em Xangai, Wuhan, Xinjiang, e a capital Pequim. O estopim para as manifestações foi o incêndio em um prédio residencial que deixou 10 pessoas mortas e 9 feridas, na quinta-feira (24), em Urumqi, capital de Xinjiang. Os residentes ficaram presos pois não podiam sair do local devido à quarentena estabelecida pela política de “Covid Zero” no país. Grades e cercas em frente ao local também teriam dificultado a saída dos moradores e a entrada dos bombeiros no prédio. Em rede social, veículo independente de notícias sobre o país compartilhou informações do ocorrido, como na publicação abaixo.

 

As manifestações, ainda que causem alvoroço, são pequenas se comparadas ao número total de habitantes do país, que segundo dados de 2021, publicados pelo Banco Mundial e o Departamento do Censo dos Estados Unidos, chegava a 1,412 bilhões de pessoas. A criadora de conteúdo Priscila Jin, de 22 anos, que morou no país e estava presente no leste asiático durante o período das medidas restritivas, destaca em vídeo no TikTok que os protestos em vigor não se comparam a opinião da população chinesa em geral.

Segundo o podcast “Café da manhã”, da “Folha de S. Paulo”, boa parte dos manifestantes são estudantes universitários. Eles seguram folhas brancas para simbolizar a censura do governo diante da situação. Como medida, as autoridades chinesas abriram um inquérito contra os manifestantes para controlar a situação. 

De acordo com a agência de notícias britânica Reuters, dois dos manifestantes foram notificados por policiais para comparecerem à uma delegacia e relatar, por escrito, suas ações nas manifestações. Já outro estudante foi questionado por sua universidade se estava em uma área de protesto. 

Muitos estudantes não conseguiram pegar seus diplomas universitários por causa da política da “Covid Zero” (Reprodução/Jovem Pan)

Em análise feita pela Agência Reuters, essa é a maior onda de desobediência civil desde que o presidente chinês Xi Jinping tomou o poder há uma década.

Foto de capa: Thomas Peter/Reuters

Reportagem de Juliana Ramos com edição de texto de Larissa Teixeira e Gabriel Folena

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