Sociedade

Censo Demográfico: cidadãos ainda desconhecem o funcionamento do processo

O Censo Demográfico de 2022 acontece 12 anos depois da última pesquisa

O Censo Demográfico feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) está acontecendo neste ano de 2022. A pesquisa é realizada a cada 10 anos, influenciando a sociedade brasileira, as decisões sobre as políticas públicas que serão desenvolvidas, e no investimento que a iniciativa privada fará nos anos seguintes.

Em 2022, a pesquisa acontece com um atraso de 2 anos, tendo em vista que deveria ter sido feita em 2020, mas por conta da pandemia, e posteriormente por falta de orçamento, foi adiada duas vezes. 

Apesar do Censo realizar a maior coleta de dados do Brasil, sendo a única que vai a todos os cantos do país, até os mais remotos, boa parte da população ainda desconhece para que ele serve. Ao falar sobre a relevância do Censo Demográfico, o cientista social Vitor Fernandes comenta:

“O Censo é fundamental porque ele dá um diagnóstico da sociedade. Como o próprio IBGE fala na propaganda deles, é um retrato da sociedade, um retrato do país que é feito”.

O cientista ainda completa, dizendo que sem essas informações, o governo gasta dinheiro às cegas: “Ter as informações detalhadas, que vem por parte do Estado, já que o IBGE que coleta esses dados, de como está a população brasileira em questão de religião, renda, natalidade, saneamento básico, é fundamental para se elaborar políticas públicas e resolver ou minimizar os problemas sociais”.

A pesquisa do Censo também exerce grande influência sobre as pautas socioeconômicas que serão abordadas. Segundo Vitor, esses dados que serão coletados formarão a base para nortear todas as outras políticas, inclusive outras pesquisas que são feitas para entender o Brasil, como as que universidades realizam para identificar a desigualdade entre brancos e negros. Para fazer a produção desse tipo de pesquisa é preciso coletar os dados fornecidos pelo IBGE.

Mesmo sendo um projeto de grande proporção e importância nacional, as estratégias de divulgação da pesquisa não se mostram suficientes para alcançar todos os públicos. Por esse motivo, muitos cidadãos ainda não sabem para que serão usadas as informações solicitadas pelos recenseadores quando vão aos seus domicílios, causando uma maior dificuldade na coleta dos dados. Carlos Pinho, jornalista morador do Rio de Janeiro, conta que mesmo conhecendo o Censo Demográfico foi pego de surpresa ao receber um recenseador na porta de sua casa. Ele relata que não chegou a ver nenhuma propaganda sobre o assunto, então não sabia que a pesquisa seria feita neste ano.

Recenseadores vão aos domicílios coletar os dados para o Censo Demográfico de 2022 (Reprodução/Agência Brasil)

Para Cláudio Stenner, Diretor de geociências do IBGE, a estratégia de divulgação da pesquisa se baseia em grande parte na imprensa, sendo complementada por campanhas de marketing, como divulgação na televisão, rádio, outdoors, e em todo tipo de mídia.

“Existem parcerias com diversas instituições, contato com a prefeitura, com associação de moradores, condomínios, a maior divulgação possível do Censo para garantir o sucesso da operação.” explica ele. 

No entanto, embora os métodos utilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística tenham a intenção de alcançar todos os públicos, algumas dúvidas permanecem na mente das pessoas, fazendo com que muitas se neguem a dar as respostas solicitadas pelos recenseadores. Uma fonte, que não quis se identificar, disse: “Não quero responder esse ano, porque liga ao imposto de renda e outras coisas”. Vale lembrar que as informações obtidas nas coletas têm caráter sigiloso, podendo ser usadas apenas para fins estatísticos, conforme o Art. 1º da Lei 5.534 de 1968.

A falta de conhecimento, por parte da população, dificulta até mesmo o trabalho de coleta do profissional. A recenseadora Verônica da Rocha afirma que algumas pessoas se negam a responder o questionário por falta de entendimento.

“Há um público mais resistente. Alguns acham que os dados não serão usados para estatística, outros acham que é bobeira e que não serve para nada. O conhecimento sobre o Censo varia bastante conforme a área de pesquisa”, diz a recenseadora.

A ideia errada sobre o assunto, além de prejudicar a coleta de dados, pode trazer risco para o recenseador. Verônica conta que há pessoas que se recusam a responder as perguntas por questões políticas, e que já houve caso em que o entrevistado preferiu não responder por medo de ser algum golpe. Ela ainda relata uma situação em que uma colega foi agredida com dois tapas no braço no momento em que estava trabalhando, gerando medo já que a área onde a colega atuava era considerada “perigosa”. 

O IBGE pretende visitar cerca de 75 milhões de domicílios em todo o país por meio dos seus recenseadores. A coleta para o Censo Demográfico em 2022 acontecerá de agosto a outubro do mesmo ano.

Foto de capa: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Reportagem Larissa Teixeira, com edição de texto de Gabriel Folena

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