Esporte

EmpoderAlta: conheça a primeira escola feminina de altinha do Rio de Janeiro

Esporte criado na areia das praias cariocas ganha projeto protagonizado por mulheres

Com o objetivo de garantir um espaço acolhedor para empoderar mulheres através da prática da altinha, esporte derivado do futebol, a educadora física Lorena Bichucher criou uma novidade na praia do Leme, na Zona Sul do Rio de Janeiro: o projeto EmpoderAlta, a primeira escola feminina de altinha.

A prática, que surgiu nas praias por volta dos anos 1960, agora leva o status de patrimônio imaterial do Rio, passando a atrair cada vez mais adeptos. Ainda que houvessem “escolinhas” para quem desejasse aprender, o público feminino em diversos momentos acabava sendo excluído das rodas à beira da água. Agora, isso é passado.  

“Eu já havia trabalhado como professora em outras escolas de altinha, mas sentia que o público, 90% feminino, não se sentia acolhido completamente nos locais de aprendizado. Ao mesmo tempo, como professora, eu não tinha a liberdade de trabalhar da maneira como sempre quis, de uma forma mais ampla e lúdica”, conta Lorena, que decidiu mudar o jogo após sair de uma das escolinhas onde ensinava. “Decidi que não queria mais ser funcionária, e sim chefe. Foi isso que me motivou”, acrescenta a idealizadora.

O projeto começou em novembro de 2021 por meio de uma aula inaugural, ministrada por Lorena, que contou com mais de 50 alunas. Oficialmente, em fevereiro de 2022, as aulas passaram a acontecer de segunda à sábado nos turnos da manhã, tarde e noite, com duração de uma hora cada. Hoje, a EmpoderAlta conta com 18 participantes.

“O que posso dizer é que é um lugar, antes de tudo, de acolhimento. Errar não é vergonha. Somos incentivadas diariamente a evoluir e isso é extremamente positivo. Ver a evolução aula após aula é muito bom, já faz o dia começar de forma mais leve”, se orgulha a aluna Tainah Torres.

Para Lorena, a existência de um espaço como o EmpoderAlta, composto só por mulheres, faz com que as participantes possam conversar com mais intimidade e empatia. Além disso, a professora acredita que compartilhar os desafios do esporte pode auxiliar as alunas em questões pessoais do dia a dia.

“É terapêutico acompanhar a evolução de cada uma, suas dificuldades, e eu como professora tenho um papel muito importante nesse processo. O erro no treino, na maioria das vezes, é falta de confiança, vergonha ou medo de errar. E quando você perde o medo, você se empodera”, explica Lorena.

A idealizadora frisa que o retorno que tem recebido é a realização de um sonho, de poder proporcionar um espaço pioneiro e cheio de propósitos. Ela espera que essa seja apenas semente para futuros projetos.

Acompanhe abaixo um pouco de uma das aulas do EmpoderAlta:

Foto de Capa: Indaya Morais/Agência UVA

Indaya Morais (8° período), com revisão de Gabriel Folena (5° período)

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