“O Homem do Norte”: sombrio e cativante, diretor Robert Eggers agora se prova épico
Desde a última quinta-feira (12) os cinemas brasileiros recebem um herói um pouco diferente do que andam acostumados, sem capa ou superpoder. O protagonista de “O Homem do Norte”, novo filme do diretor Robert Eggers (“A Bruxa”, “O Farol”), defende sua causa a machadadas, empunhadas de espada, e sob pele de lobos. Alexander Skarsgard (“Big Littles Lies”), Anya Taylor-Joy (“A Bruxa”, “Noite Passada em Soho”), e nomes carimbados como Nicole Kidman (“Moulin Rouge”, “Os Outros”) e Ethan Hawke (“Sociedade dos Poetas Mortos”) unem forças durante as duas horas e meia de ficção histórica do cineasta estadunidense.
A saga nórdica de toques shakespearianos acompanha o príncipe Amleth (Skarsgard). Na infância, o menino presenciou o assassinato brutal do pai e o rapto violento da mãe; adulto, o homem busca por vingança e jura punir, com as próprias mãos, o responsável pela reviravolta sangrenta de seus primeiros anos — seu tio Fjölnir (Claes Bang). Em fuga após a morte do pai, Amleth cresce em meio a guerra e a brutalidade, e vale destacar um importante ponto da atuação de Alexander Skarsgard: mesmo distante da inocência da infância, percebe-se nos olhos de Amleth uma fragilidade que persiste ao lado do ódio.

Épicos de aventura e mito não são inéditos na grande tela, e o imaginário viking, com seu apelo histórico e mágico, já foi reproduzido para o cinema por outros diretores como em “A Lenda de Beowulf” (2007), longa baseado no clássico poema anglo-saxão. O recente “The Green Knight”, de 2021, estrelado por Dev Patel (“Quem Quer ser um Milionário?”, “Lion”) também mesclou fantasia, história e cinema em seu cenário, este mais medieval que viking. É possível dizer que, para os admiradores de uma das produções, ou de ambas, “O Homem do Norte” será uma experiência proveitosa.
Aqui, a ênfase no termo “épico” é levada a sério. Se nas produções anteriores de Eggers a grandiosidade ficava por conta de ambientações detalhistas e de sequências intensas mais espaçadas, “O Homem do Norte” impressiona a cada cena. Imagem, cenário e texto condizem com a proposta da saga idealizada pelo diretor, e elevam a narrativa a patamares mitológicos. Os verdadeiros painéis exibidos durante o longa muito se assemelham, por exemplo, às pinturas do artista Peter Nicolai Arbo, conhecido por suas representações do panteão nórdico.


A fantasia não é deixada de lado em prol da verossimilhança histórica. Pelo contrário, Eggers se vale das religiosidades da época para tecer arcos pessoais dos personagens, bem como para construir o mundo no qual conta sua fábula: é o nosso, mas mitificado. Valquírias, deuses e oráculos são pintados pelos tons noturnos e terrosos do diretor (que não abandona, também, elementos do Terror pelos quais se tornou conhecido).
O apelo imaginativo e etéreo de tais figuras mitológicas é bem personificado, inclusive, na participação da artista islandesa Björk, que depois de anos afastada das grandes telas retorna em participação sobrenatural. Conhecida por visuais e sonoridades experimentais, Björk e “O Homem do Norte” são um casamento feliz, de outro mundo.

Confira abaixo o trailer do filme, já em cartaz nos cinemas:
Ficha técnica – “O Homem do Norte”
Direção: Robert Eggers
Roteiro: Sjón e Robert Eggers
Gênero: Aventura, Drama, Fantasia
Ano: 2022
Foto de capa: Divulgação/Focus Features
Gabriel Folena (5º período)
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Gabriel Folena
27 anos, ele/dele. Para me definir pela internet em cinco adjetivos ou menos, costumo usar escritor, leitor, estudante de jornalismo e emo aposentado.
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