Política

Há menos de 1 ano para as eleições presidenciais

Especialistas comentam as mudanças no sistema eleitoral e o cenário da disputa presidencial no país

As próximas Eleições estão previstas para outubro de 2022: os brasileiros vão às urnas para escolher o presidente da República, senadores, governadores e deputados federais e estaduais. As votações contarão com algumas mudanças no jogo eleitoral, como a alteração na distribuição do fundo de financiamento das campanhas e a aprovação das federações partidárias. Candidatos e partidos já começaram os acenos ao público.

A despeito do veto do presidente Jair Bolsonaro, o Congresso Nacional aprovou a proposta das federações partidárias. Esse projeto permite uma aliança entre partidos durante os quatro anos de mandato. Para Sérgio Simoni, professor de ciência política da UFSC, esse é um modo de garantir a sobrevida de pequenos partidos. “É uma forma de resolver o problema aumentando o potencial eleitoral sem fundir perenemente as legendas. O número de partidos pequenos e médios cresceu e no sistema de eleição proporcional é mais difícil desses partidos conseguirem as cadeiras”, disse o especialista.

Sérgio Simoni/ Foto de arquivo pessoal

Já na distribuição do fundo eleitoral, há modificações nas regras ao que diz respeito a candidatas do sexo feminino e candidatos negros. A partir de agora, os votos desses concorrentes serão contados em dobro na divisão dos recursos financeiros. Ao que Simoni diz: “Esse movimento expressa as reivindicações da sociedade por uma maior inclusão e representatividade de grupos minoritários. Incentiva que os partidos abarquem candidaturas de pessoas negras e mulheres, porque com esses votos, vão ser premiados com maiores parcelas do fundo eleitoral e do fundo partidário.”

Ademais, com a pandemia, o processo de biometria foi interrompido e até agora nada foi retomado nesse sentido. Para o professor de ciência política, vale se atentar ao que não foi alterado, as regras questionadas, ou propostas de mudanças que não foram para frente.

“Acho que a derrota da emenda do voto impresso e da proposta do retorno das coligações são fatores importantes, são não mudanças, mas que devem ser lembradas nessas nossas definições de regras para as eleições de 2022”, afirma Simoni.

No que se refere as eleições presidenciais, a última pesquisa do Datafolha mostrou que a rejeição de Bolsonaro atingiu 59%, enquanto a de Lula é de 38%. Segundo Tiago Borges, professor da UFSC, uma terceira via precisaria ocupar a centro direita. “A centro esquerda já tem uma alternativa que é o Lula. O PT tornou difícil para uma outra liderança de centro esquerda emergir e ser mais relevante. Portanto, uma eventual terceira via pegaria a direita e uma parte do centro. Porém ainda não há candidatos que cresceram o suficiente para dar sinais que podem enfraquecer eleitoralmente o Bolsonaro.”

Outros nomes são especulados para o cargo. Ao que Borges comenta: “O PSDB, tem se mobilizado no sentido do Dória, do Eduardo Leite e talvez até o Tasso Jereissati. Eles precisam ser viáveis a ponto de vista nacional, dar sinais nas pesquisas de opinião pública. Já o Ciro é um candidato muito tradicional, que acena hoje para o antipetismo. Só que ele tem um desafio maior, porque tem um discurso próximo, pelo menos do ponto de vista econômico, da esquerda. Enquanto o Dória e Eduardo Leite, por exemplo, estão com isso mais ou menos resolvido, já que são de direita.”

Em pesquisa realizada no mês de setembro pelo Ipec, instituto nascido com o fim do Ibope Inteligência, Ciro Gomes apareceu com 8% das intenções de voto; João Doria com 3%; e Henrique Mandetta também 3%. Ainda foram listados Sérgio Moro com 5% e outros políticos que não atingiram a marca de 1%. A pesquisa tem margem de erro de 0% a 3%. Para Borges, embora Moro tenha sido muito midiático no período da lava jato e no começo do governo do Bolsonaro, ele esvaziou do ponto de vista de aprovação da opinião pública.

O atual presidente da República, manifestou algumas vezes à mídia, não ter certeza de sua recandidatura para o posto.

O professor elucida: “O Bolsonaro não tem partido ainda e o problema de entrar em um partido grande é que ele tencionou a relação com os governadores e prefeitos. Um partido tradicional como o PP para o qual ele está sendo cogitado, tem outros cargos importantes, com os quais Bolsonaro provoca tensão de maneira frequente.

“Ele tem uns requintes de imprevisibilidade, não acho que é certo a candidatura, é bem provável, mas eu não descartaria a retirada”, completa.

Pessoas maiores de 18 anos ou a partir de 16 que pretendem votar em 2022, precisam emitir o título eleitoral até o dia 4 de maio do ano que vem. De acordo com a legislação, o cadastro para tal é fechado 150 dias antes da votação, o tempo é o mesmo para quem se encontra em situação irregular. O primeiro turno das eleições está previsto para o dia 2 de outubro e o segundo turno, se houver, para o dia 30 do mesmo mês. A data ainda será confirmada pelo Plenário do Tribunal Superior Eleitoral, porém não costuma ser alterada.

Beatriz Pontes – 7° período

Com revisão de Aline Meireles – 4 º período

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