Da sala de aula

Pesquisadores da UFRJ na luta contra o coronavírus

Produto de ação antiviral está sendo desenvolvido para atuar na higienização de superfícies

Não seria exagero dizer que o “mundo parou” nos últimos meses. O avanço em escala global do novo Coronavírus trouxe novas preocupações e cuidados com a higiene pessoal e pública, visto que o contato com outras pessoas e superfícies é uma forma iminente de contágio. Se antes todos saíam diariamente, despreocupados com alguma doença, o que se vive durante a pandemia é uma realidade totalmente nova, passando até por um isolamento social, que foi decretado para diminuir o número de infecções.

Após a decisão do distanciamento, muitas atividades tiveram de ser interrompidas ou adaptadas para manter a segurança das pessoas. A prática de Home Office foi amplamente adotada, mas nem todos os trabalhadores podem ou têm o privilégio de ficar em casa. Quem necessita sair todos os dias corre um grande risco de contaminação, pois o vírus pode se instalar em superfícies, e até quem sai apenas para fazer compras pode estar levando alguma embalagem contaminada para dentro de casa.

É pensando nessa forma de contaminação, por via de superfícies, que os pesquisadores do Instituto de Macromoléculas (IMA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão desenvolvendo um produto para atuar nesses casos. Maria Inês, 63 anos, é diretora do IMA e explica essa necessidade: “A pesquisa em desenvolvimento está baseada na melhoria da qualidade e durabilidade da limpeza de superfícies, chão, bancadas, pias, maçanetas, visando salvar vidas; pois sabemos que tem muito a ver com higiene”. A tecnologia aplicada nesse produto também é decisiva para sua função.

Para uma ação de limpeza incisiva, a doutora revela que foram desenvolvidos materiais à base de nanotecnologia (tecnologia que trabalha em escala nanométrica), para que tanto com ação da luz visível, quanto luz Uv (ultravioleta), ocorra a ação antiviral. A Dra. Maria Inês afirma que a pesquisa, ainda em fase de testes in vitro, não cessa: “Estamos correndo ao máximo com a pesquisa, para que possamos desfrutar deste produto o mais brevemente possível”. Apesar das dificuldades nos testes antivirais e de citotoxicidade, ela declara: “Queremos oferecer o produto o quanto antes, pois salvar vidas sempre foi o propósito desta pesquisa”.

Drª Maria Inês, diretora do Instituto de Macromoléculas. (Foto: Arquivo Pessoal)

A importância e a urgência deste produto são justificadas por pessoas que, durante esse período, precisam utilizar o transporte público, para fazer compras, por exemplo. É o caso de Lúzia Gomes, que é dona de casa e tem 55 anos, e além de necessitar do ônibus para poder ir ao mercado, conta que tem medo de contrair o vírus durante as viagens: “Todo mundo coloca a mão e eu não me sinto bem de encostar. A mão a gente até pode passar álcool, mas e a roupa, e o cabelo? Aí eu tenho medo de ser contaminada”. Esse receio tem fundamento, já que o vírus pode persistir bastante tempo em alguns locais e materiais.

Em estudo recente, o The New England Journal of Medicine constatou que o novo Coronavírus sobreviveu por 72 horas (três dias) no aço inoxidável e no plástico. No papelão, o tempo de sobrevivência foi de 24 horas (um dia). Essa persistência do vírus faz com que uma atenção especial também seja dedicada às mercadorias, como explica Lúzia: “Depois que eu faço as compras,  tomo o maior cuidado. O que pode lavar eu lavo com água e sabão, depois boto na água sanitária”. A dona de casa se alegra com a possibilidade do produto que está sendo desenvolvido: “Será um produto bom, irá economizar muito tempo com a limpeza de locais que são públicos”. Além desse, outros meios estão sendo pesquisados para combater o vírus.

Outro membro da equipe de pesquisadores, Gustavo Martins, de 22 anos, que é o responsável pela produção e separação das amostras, conta que há outras pesquisas em andamento também: “Estamos trabalhando na produção de álcool em gel por rotas e meios diferentes, além da pesquisa em cima de outros materiais que possam combater o Covid-19”. Dra. Maria Inês complementa: “Há outras pesquisas empregando bioativos oriundos de alimentos funcionais, pois os alimentos serão o complemento mais forte dos medicamentos”. Os pesquisadores buscam um material de ação prolongada e de baixo custo.

Gustavo Martins, pesquisador do Instituro de Macromoléculas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ter à disposição um produto eficiente e barato, com certeza ajudará a população, que sofre com os perigos, mudanças e restrições causadas pelo novo Coronavírus. Os pesquisadores estão convivendo com a urgência do fato, mas mesmo com uma rotina difícil, se sentem motivados pela importância de seus trabalhos. A Dra. Maria Inês afirma: “A sensação de fazer parte desse enfrentamento é maravilhosa”. Gustavo também se sente realizado e exclama: “É uma sensação ótima de que estou podendo ajudar as pessoas. A pesquisa salva vidas e estamos mostrando isso. Vamos vencer essa pandemia juntos”.

*Matéria produzida pelo aluno Vitor Antonio Gomes da Silva para a disciplina Teoria e Técnica da Notícia, ministrada pela professora Maristela Fittipaldi.

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

1 comentário em “Pesquisadores da UFRJ na luta contra o coronavírus

  1. Maristela Fittipaldi

    PARABÉNS, Vítor!!!! Bjs!

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