Da sala de aula

Pandemia agrava desemprego no Brasil, que pode chegar a 17,8% até fim do ano, de acordo com Fundação Getúlio Vargas

Expectativa é que a massa de renda média recue 8,6% em comparação a 2019

A crise sanitária do Coronavírus está trazendo a reboque uma grave crise econômica. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que a taxa média de desemprego no país chegou a 12,6% no primeiro trimestre de 2020, o que retrataria cerca de 12,9 milhões de brasileiros. Mas pode ficar pior. Números do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) indicam que o país passará a ter uma média de 17,8% de pessoas sem trabalho até o fim de 2020. No ano passado, a média foi de 11,9%. O Ibre projeta que haverá uma redução na massa de renda média de 8,6%, também em comparação ao ano anterior. Com isso, a renda efetiva média de R$ 2.413,00 em 2019, irá para R$ 2.206,00 mensais.

Com o começo da quarentena, nem todos tiveram a sorte de continuar empregados ou de conseguir ser admitidos. Esse segundo exemplo é o caso da Isabela Gomes da Silva, 20 anos, moradora do Andaraí.

“Antes do início da quarentena eu havia terminado um contrato que me dava apenas a parte teórica em Operações Logísticas. Estava em busca do meu primeiro emprego para aplicar na prática os meus conhecimentos na área, mas, com a pandemia do Covid-19, não consegui continuar a busca por conta da necessidade de ficar em isolamento social”, comenta. (Foto: Arquivo pessoal)

Sobre o Auxílio Emergencial pago à população sem renda, Isabela diz: “O valor do auxílio mostra o quão despreocupado o governo está em relação ao sustento das pessoas de baixa renda. Além disso, há o atraso no pagamento”. Para Fellipe Nascimento Fernandes, de 25 anos, morador do Engenho de Dentro e que ficou desempregado no início da quarentena, o projeto governamental foi fundamental nesse período de pandemia.

“O governo nunca conseguirá ser perfeito para todas as pessoas, principalmente as de baixa renda. Mas, apesar de ser pouco, o auxílio emergencial tem salvado muitas pessoas da fome”. Para manter a economia viva, Fellipe sugere que é preciso promover reformas que facilitem a vida dos pequenos empreendedores e fazer acordos com as nações amigas, para que as grandes empresas se interessem em fazer negócios com o Brasil. (Foto: Arquivo pessoal)

Quem também faz parte das estatísticas de desempregados no Brasil é Daniel Soares Lopes Morais, de 20 anos, estudante, que está procurando emprego desde 2018.

Sobre as consequências da quarentena para a situação dos desempregados no país, ele afirma: “O Brasil terminou 2019 com a menor taxa média de desemprego em três anos, a economia estava dando indícios de estar se recuperando, porém, a pandemia e a quarentena interromperam essa melhora. Os trabalhores de carteira assinada estão sendo afetados por isso, e, principalmente, aqueles que trabalhavam informalmente”. (Foto: Arquivo pessoal)

A taxa média de desemprego, segundo matéria publicada no G1,  caiu em 16 estados em 2019, acompanhando a média nacional, que recuou de 12,3% em 2018 para 11,9% no ano passado. Apesar da queda no desemprego no ano passado, a taxa média anual de informalidade em 2019 ficou em 41,1% da população ocupada, maior nível desde 2016, e também foi recorde em 19 estados e no Distrito Federal.

Demitida no início da quarentena, Geanne de Carvalho Moreno Peixoto, de 25 anos, moradora de Todos os Santos, enumera causas para o número de desempregados, principalmente no ramo em que atua, o de Design de Interiores:

“Na minha opinião, deve-se à falta de administração nas pequenas empresas, à falta de suporte do governo e à instabilidade econômica. Por esses motivos, e com a pandemia, a maioria das pequenas empresas não conseguiu suportar a quarentena. Minha área de atuação está bem saturada e, por esse motivo, aparecem poucas oportunidades. Sendo assim, tenho que procurar em outros mercados”, afirma.

Com a pandemia do novo Coronavírus, serviços essenciais precisaram de mais funcionários, e só assim o Patrick Yuri Barbosa Sousa, 23 anos, do Engenho de Dentro, conseguiu um emprego. “Eu passei em uma entrevista de emprego dois dias antes do shopping fechar. Após isso, tiveram que cancelar meu ingresso na empresa. Depois de dois meses após esse último processo seletivo, consegui um emprego na administração do Hospital Souza Aguiar, já que a demanda de funcionários aumentou”.

Patrick foi um dos milhares de casos de quem tentou receber o auxílio emergencial e não conseguiu. Esteve em análise até conseguir ser empregado na segunda quinzena de maio. Para ele, “o governo agiu e tem agido de maneira quase genocida com a classe pobre”, afirma, ao se referir às atitudes tomadas durante a pandemia. (Foto: Arquivo pessoal)

O Brasil é o sétimo país da América com a maior porcentagem de desempregados, segundo o site Trading Economics, sendo o quinto em números absolutos. Caso o país alcance a taxa de 17,8% de cidadãos sem emprego projetada pela FGV, os brasileiros ocuparão a segunda posição do continente, atrás apenas da Colômbia.

*Matéria produzida pelo aluno Pedro Ramos Gonçalves para a disciplina Teoria e Técnica da Notícia, ministrada pela professora Maristela Fittipaldi.

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

1 comentário em “Pandemia agrava desemprego no Brasil, que pode chegar a 17,8% até fim do ano, de acordo com Fundação Getúlio Vargas

  1. Maristela Fittipaldi

    PARABÉNS, Pedro! Bjs! 8

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s