Cinema

Coringa: o vilão criado pela sociedade

Filme levanta críticas sociais e faz público refletir sobre maldade do personagem

“O Homem é bom por natureza, a sociedade o corrompe” é uma famosa frase do filósofo Jean Jacques Rousseau que se desdobra, sobretudo, na história do vilão. Dessa forma, tal afirmativa é amplamente abordada no longa metragem Coringa, dirigido por Todd Philips.

Heath Ledger como Coringa.
(Foto: Reprodução/Instagram)

Um filme sobre o personagem começou a ser pensado em 2008 após a elogiada atuação de Heath Ledger em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Nas histórias em quadrinhos, o vilão surgiu sem uma origem, com isso, o longa se dispõe a criar um início para o personagem.

No filme, o palhaço Arthur Fleck é um homem simples com um distúrbio mental e, durante todo o longa ele é maltratado pela sociedade. Devido a isso, Arthur decide se vingar e se tornar um criminoso: o Coringa. A produção gerou mais de R$ 1 Bilhão de dólares e críticas positivas em relação ao trabalho do protagonista Joaquim Phoenix. Entretanto, o filme causou uma enorme discussão sobre como a obra pode causar danos na sociedade.

Para a psicóloga Ana Cláudia Maciel, o vilão tem seu lado sedutor. “Muitas pessoas acabam se apaixonando pela loucura do personagem gerando até um fascínio por ele. Até porque o coringa tem algo de encantador. Tem uma áurea narcisista, egocêntrica e cruel,” comenta.

Segundo a psicóloga, o fascínio pelo personagem pode ser perigoso. “É preciso ter cuidado ao assistir esse tipo de filme, em que o vilão é o herói. A obra justifica as atitudes do personagem. No caso, o ambiente em que ele vive o levou a se tornar um criminoso. Há uma justificativa para a violência, o que pode influenciar de forma negativa o espectador”, explica a psicóloga.

A farmacêutica Juliana Vigo é fã do personagem e, inclusive, faz cosplayer de Arlequina, a namorada do Coringa. Ela se encantou com o filme e, assim como relatou a psicóloga, se sente seduzida pela loucura do vilão. “Todos nós estamos sujeitos a ter nossa sanidade afetada e o que nos separa da insanidade é um linha tênue chamada superego. A loucura tem sua sedução. Van gogh era um louco, não é? E hoje suas pinturas valem milhões”, comenta.

Farmacêutica Juliana Vigo é apaixonada pelo Coringa.
(Foto: Arquivo pessoal)

Juliana também descarta a ideia de que a produção cinematográfica seja nociva para os espectadores.

“Acho curioso como as pessoas normalmente não se preocupam sobre a influência de filmes de super-heróis, ou filmes de arte, de romance, ou seja qual for o gênero na vida das pessoas. Sabe por quê? Porque já sabemos o quão nociva a sociedade é. Os gatilhos estão aos montes para que alguém queira ser um super vilão”, comenta.

A crítica de cinema Andrea Cursino concorda com a visão da farmacêutica. “O filme de Tood Philips tem a função de nos alertar e não de estimular a violência. A proposta é que o espectador possa enxergar algo que possa corrigir. Ainda dá tempo de corrigir”, opina.

No longa, Arthur Fleck é um homem solitário e constantemente maltratado pelas pessoas. (Foto: Reprodução/Instagram)

“O gatilho da transformação do Coringa no vilão que conhecemos é justamente o grande incômodo do filme. É onde a sociedade começa a se enxergar, começa a perceber como ela trata mal o próximo. Isso transforma o Coringa em um homem violento e psicopata”, comenta a crítica.

Segundo a professora de comunicação Vânia Fortuna, o filme é altamente perturbador.

“Acho o filme maravilhoso no sentido de que aborda diversas discussões. O espectador acompanha a exclusão de deficientes mentais. A Produção também levanta o poder da política. Homens que foram eleitos democraticamente pelo povo, maltratando o povo. Se trata de um filme provocativo e de extrema importância para refletirmos sobre a nossa sociedade. Uma sociedade com um discurso desigual”, conta.

De fato, filmes sobre vilões estão cada vez mais frequentes em Hollywood. É o caso de Malévola, Venom, Esquadrão Suicida e Aves de Rapina. Coringa se distancia dessas produções e de outras adaptações de quadrinhos para se tornar uma obra repleta de críticas sociais. É importante ressaltar que apesar do protagonista ser um vilão, não significa que o espectador deva admirá-lo ou compactuar com seu estilo de vida.

Nos últimos anos, Hollywood passou a investir em filmes de vilões.
(Foto: Reprodução/Twitter)

Coringa não leva o espectador a aceitar sua maldade. Mas sim, traz uma longa reflexão sobre a perversidade humana. Levando em consideração que o personagem Arthur Fleck decide se transformar em um vilão após ser cruelmente maltratado pelas pessoas, entende-se que toda sua maldade tem um por quê. Entretanto, ao apresentar o assassinato dos pais de Bruce Wayne (Batman), o longa aborda outra questão: como o ser humano reage ao mal?

Coringa ultrapassou 1 bilhão de dólares nas bilheterias.
(Foto: Reprodução/Instagram)

Assim como Arthur Fleck, Bruce Wayne também sofreu com a crueldade do mundo. Afinal, o que pode ser pior do que assistir ao assassinato dos pais? Apesar disso, Bruce se torna um homem bem sucedido e também um herói: Batman. Isto é, o longa traz a seguinte reflexão ao espectador. O ser humano deve ser render ao mal ou resisti-lo e vencê-lo?

“As circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.” William Shakespeare.

Gabriel Murillo Monteiro – 7º Período

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