Cidade

Motoristas de aplicativo e taxistas comentam maior exposição à violência

Ao volante, motoristas estão mais expostos à situações de risco como tiroteios, assaltos e arrastões

Os rastros da falta de segurança pública também ficam evidentes para quem está no trânsito do Rio de Janeiro. Taxistas e motoristas de aplicativos enfatizam que se deparam, constantemente, com situações de risco, que envolvem tiroteios, assaltos e arrastões.

Nem sempre os motoristas conseguem sobreviver à situação.  A morte da motorista de aplicativo, Danúbia Lima dos Santos Batista, de 38 anos, atingida por uma bala perdida no último sábado (19) é prova de que a violência no trânsito pode ser fatal. O caso aconteceu na estrada do Comboatá, em Guadalupe, Zona Norte do Rio, local que já foi cenário da morte do músico Evaldo Rosa, que teve seu carro alvejado por 80 tiros, em abril.

Taxistas também estão constantemente expostos quando estão ao volante. A ex-taxista Adair Gonçalves nasceu de novo após um sequestro relâmpago.
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A insegurança no tráfego carioca não é recente. Em março de 2010, a ex-taxista Adair Gonçalves aguardava a liberação do semáforo na esquina da Rua 24 de Maio, no bairro Riachuelo, quando foi surpreendida por três bandidos que tinham acabado de assaltar um ônibus.

“Eles entraram no carro e mandaram eu correr o máximo que eu pudesse. A polícia veio atrás e então atiraram nos pneus e no vidro traseiro. Um tiro atingiu, de raspão, o pescoço do bandido, e por um milagre não pegou em mim. Eu nasci de novo, meu prejuízo foi material”, conta Adair, que apesar do trauma retornou ao trabalho três dias após o ocorrido naquela manhã. “Foi só o tempo de consertar o carro que eu voltei e ainda trabalhei mais cinco anos no táxi”, complementa a aposentada.

O motorista de aplicativo, Ricardo Neves, começou a trabalhar no ramo há menos de um ano, mas já assistiu acontecimentos perigosos. “Estava na Rodovia Washington Luiz, em Caxias, indo para a Zona Sul. Vi todo mundo parando porque tinha começado um arrastão à frente, mas consegui dar marcha à ré e sair para fazer outro caminho”, comenta.

Uma pesquisa do Datafolha, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em 2018, revela que, dentre três moradores do Rio de Janeiro, pelo menos um já ficou em meio a um tiroteio durante o ano anterior. Entre os 1.012 ouvidos, 73% afirmaram já ter escutado algum tiroteio. Ricardo Neves faz parte dessa estatística. “Estava em Vila Isabel quando a polícia estava entrando no Morro dos Macacos, então mudei minha rota”, conta o motorista.

O app Onde Tem Tiroteio, que também tem perfis nas Redes Sociais, costuma enviar alertas específicos para taxistas e motoristas de aplicativos. (Foto: Reprodução/Facebook)

Aplicativos como o Onde Tem Tiroteio e o Fogo Cruzado têm sido úteis para motoristas. O próprio aplicativo Uber vem alertando aos motoristas sobre áreas consideradas de risco, permitindo que o motorista altere sua rota.

LEIA TAMBÉM: Uber busca maneiras de evitar fraudes
LEIA TAMBÉM: Educação no trânsito é cidadania

Júlia Reis – 6° período

0 comentário em “Motoristas de aplicativo e taxistas comentam maior exposição à violência

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s