Educação

Universidades e instituições federais recebem verbas e professores comentam a importância dos investimentos

O dinheiro é referente ao contingenciamento que o Governo Federal fez no início do ano. Ao todo, todas as instituições federais receberão R$ 1,99 bilhão

Desde o início do ano, o Ministério da Educação (MEC) já passou por dois contingenciamentos no orçamento. No entanto, na última segunda-feira (30), o governo federal liberou um orçamento de R$ 1,990 bilhão que será destinado à universidades e institutos federais, bolsas Capes, Unep, dentre outros. Com este valor, as instituições poderão liquidar parte das verbas discricionárias (despesas não obrigatórias) que foram contingenciadas.

Da quantia repassada para a educação, as universidades e institutos federais vão receber o maior valor, R$ 1,156 bilhão, que representa 58% do montante. Com esta porcentagem, as despesas não obrigatórias das universidades e institutos vão cair de 24,84% (valor referente ao primeiro contingenciamento), para 15%, o que significa que estas instituições continuam com R$ 3,8 bilhões de de verba bloqueada.

O restante dos recursos desbloqueados vai atender a educação básica, a concessão de bolsas de pós-graduação e a realização de exames educacionais, por exemplo. O Programa Nacional dos Livros Didáticos (PNLD) receberá R$ 290 milhões e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), R$ 270 milhões. Já os recursos destinados ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) serão um total de R$ 105 milhões.

Durante a coletiva de imprensa para a divulgação da liberação da verba, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, destacou que o descontingenciamento mostra que tudo corre dentro do planejado e demonstra que o MEC não realizou cortes. “A liberação de recursos é fruto da boa gestão. Não houve cortes em hospitais universitários, não faltou alimentação no bandejão e nenhuma universidade parou”, afirmou.

A coletiva de imprensa também contou com a participação da secretária-executiva adjunta do MEC, Maria Fernanda Bittencourt. (Foto: Reprodução/Ministério da Educação)

Em contrapartida, a doutoranda Química e professora universitária pela UFRJ, que não quis se identificar, ressalta as dificuldade que as instituições vêm sofrendo.

“A universidade está precária! Elas vêm sofrendo cortes há um tempo, mas agora piorou a situação. Muitas vezes, eu tenho que tirar dinheiro do meu bolso para comprar materiais para dar aulas. Pela falta de manutenção predial e manutenção dos elevadores, professores estão precisando suspender a aula”, conta.

Além de problemas nas estruturas, o contingenciamento afetou as bolsas dos alunos dos cursos de pós-graduação.

“Muitos alunos entraram agora nos programas de pós graduação e estão sem bolsa para estudar. Alguns vieram de outros estados e precisam deste dinheiro para se sustentar. Eu espero que esse quadro seja revertido e que o MEC faça alguma coisa para melhorar, porque pior que isso não pode ficar”, desabafa a professora.

Para os muitos alunos que ingressam ao mestrado e doutoro a bolsa é essencial para a continuidade da pesquisa, já que para receber este auxílio, o pesquisador não pode ter nenhum vínculo empregatício. A professora de Jornalismo da UVA, Maristela Fittipaldi, ressalta a importância da bolsa quando fez o mestrado.

“A bolsa foi imprescindível para que eu pudesse me dedicar aos estudos. Se não tivesse a bolsa, certamente, não teria feito o mestrado, pois não tinha nenhum vínculo empregatício”, conta.

O contingenciamento do Governo Federal para a Educação demonstrar que o Brasil ainda não enxerga o ensino e a ciência como base para um futuro melhor, como conta a coordenado do curso de Pedagogia da UVA, Viviani Anaya.

“Educação não pode ser vista como despesa e, infelizmente, este governo tem esse olhar para a educação. Por isso, os cortes. Além disso, as políticas neoliberais tendem a desonerar o estado, delegando para a iniciativa privada a responsabilidade por ofertar educação de qualidade, o que é uma falácia”, diz.

Viviani Anaya ainda diz que o Estado necessita investir tanto no docente, quanto no discente para que os resultados de um ensino de qualidade melhore.

“Educação precisa ser um projeto de Estado, com investimento e qualificação docente, considerando que somos um país plural e multicultural. Enquanto não olharmos para a educação como uma das poucas oportunidades de inserção social, não deixaremos de ser um país subdesenvolvido”, explica a coordenadora.

Tainá Valiati – 7° período

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