Comportamento Geral Saúde

Diálogo: uma alternativa para prevenir o suicídio

Entenda a relevância da campanha do Setembro Amarelo e como se colocar a disposição para ouvir pode salvar vidas

O mês de setembro foi marcado pela campanha do Setembro Amarelo, iniciativa que visa a conscientização sobre a prevenção ao suicídio. Durante este período ocorreram diversas ações com o objetivo de oferecer apoio a quem necessita e promover a saúde mental. Diante do número de 800 mil pessoas que, mundialmente, cometem suicídio todos os anos é possível perceber que reverter esta estatística ainda é um desafio. 

O monumento do Cristo Redentor ganhou iluminação amarela no dia Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, 10 de Setembro
Foto: Reprodução/G1

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ato de suicidar-se está entre as vinte principais causas de morte no mundo, acarretando mais óbitos do que a malária, o câncer de mama, homicídios e até as guerras. A OMS ainda revela que mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais. Assim, se as pessoas tivessem recebido o tratamento adequado, o ato de desespero poderia ter sido evitado. Se no mundo o suicídio é a causa de uma morte a cada 40 segundos, no Brasil, os dados também são alarmantes: a cada 45 minutos uma pessoa tira a própria vida, ou seja, por esta motivação, 32 mortes diárias são contabilizadas no país. De acordo com o relatório Suicídio no Mundo – Estimativas Mundiais de Saúde, o suicídio é considerado um grande problema de saúde pública global.

O diálogo pode ser a chave para prevenir atos de suicídio. É o que evidencia Eliane Soares, voluntária e porta-voz do Centro de Valorização da Vida (CVV), associação que criou, em 2015, a campanha do Setembro Amarelo, junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Falar é terapêutico. A partir do momento em que a pessoa que vive uma situação crítica consegue expor seus sentimentos, pensamentos e experiências sem se sentir julgado ou ter sua dor diminuída, ela pode sentir um enorme alívio imediato. Pode não significar a solução de seus problemas, mas lhe dá um novo fôlego para seguir adiante e, porque não, ajudar a olhar os problemas de outra forma e até encontrar novas saídas para eles”, afirma Eliane.

A psicóloga Carmen Leal também aponta a relevância de ouvir quem está passando por uma fase conturbada em relação à saúde mental. “O mais importante é ouvir, acolher e levar a pessoa a um tratamento. Vários são os fatores que podem levar ao suicídio, como, por exemplo, um quadro depressivo”, diz. A profissional explica que neste caso a primeira dificuldade é a identificação do estado depressivo, já que a depressão é um transtorno mental e comportamental que pode se manifestar de forma leve, moderada ou grave. Neste último caso, a pessoa fica rodeada por pensamentos, como ‘eu não mereço o mundo, nada vai mudar na minha vida’ e assim pode achar que a morte é uma alternativa.

Sinais de alerta para identificar os estágios da depressão:


O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Aline Aires, de 32, quase entrou para esta estatística.  A empregada doméstica sofreu de depressão durante sua adolescência. “Eu fiquei muito cabisbaixa com questões familiares, acabei me isolando de todos. Comecei a criar um mundinho só meu. A partir daí minha depressão começou a surgir. Achavam que era uma rebeldia, mas na verdade não era. Eu já não tinha mais vontade de estudar, de fazer absolutamente nada”.

Aline comenta que ter a chance de conversar sobre essa situação foi o que a confortou. “No meio dessa turbulência, eu me sentia culpada. Acabava absorvendo tantas coisas que ficava uma confusão na minha mente, minha autoestima ficava totalmente no lixo. Mas minha avó sempre parou para me ouvir. Era com ela que eu me sentia à vontade para me abrir. A base de tudo foi o amor que eu recebi. Ter a oportunidade de me expressar, de ter alguém para me acompanhar foi fundamental”, conta Aline, que retomou os estudos e irá finalizar o Ensino Médio este ano. “Antes eu era calada, hoje eu falo até demais. Sou muito feliz, construí minha família e fico atenta aos meus filhos. Sempre observo muito e dou a oportunidade a eles de falarem, mesmo que seja algo mínimo”, completa.


Quem também afirma que é necessário ter atenção durante a infância é a psicóloga Carmen. “Os pais precisam educar as crianças aprendendo a se frustrar. Muitas vezes a pessoa passa por alguma situação de fracasso, como uma perda de bens ou perdas familiares e não consegue encarar isso como algo que pode acontecer com qualquer um, isso também pode levar uma pessoa ao suicídio. É necessário mostrar para essa pessoa que ela é capaz de se reconstruir e conseguir superar a perda”, informa.


A psicóloga ainda indica a importância do desabafo para quem enfrenta um quadro depressivo. “Acompanhar a pessoa a um psiquiatra para que ela possa ser medicada é fundamental. Mas não só os remédios que irão resolver este quadro. É necessária uma psicoterapia porque ela precisa colocar para fora todas as angústias e sofrimentos”, sustenta Carmen. A profissional também acredita que a sociedade não tem todo o conhecimento a respeito da relevância dos tratamentos psicológicos para prevenção do suicídio. “Com a correria diária, dificilmente as pessoas param para olhar, observar e ouvir o outro. Então é muito difícil que as pessoas tenham toda a consciência sobre a importância da ajuda de um profissional. De modo geral, as pessoas não estão muito preparadas para lidar com a questão do suicídio por isso sempre se surpreendem”, opina.


É esta barreira de distanciamento entre quem precisa de ajuda e quem pode oferecê-la que o CVV busca quebrar. A instituição busca voluntários a partir de 18 anos e com disponibilidade para os plantões semanais para ajudar no atendimento de alcance nacional, que realizam por telefone (24 horas e sem custo), pelo chat ou e-mail por meio do site e pessoalmente nos postos de atendimento. Segundo a porta-voz Eliane, os voluntários são treinados com técnicas que foram se aperfeiçoando durante os quase 60 anos de existência do CVV.

“Aprendemos a buscar compreender a outra pessoa e suas dores. Não conhecemos a sua história, então não temos como julgar ou aconselhar. Tentamos entender que a dor é algo individual e não podemos fazer comparações. Nosso foco no atendimento é exatamente nos sentimentos e emoções das pessoas, e não na história em si que ela nos conta, porque o que a agride naquele momento é a dor interna, é o que talvez aquela história tenha lhe causado emocionalmente”, assegura a porta-voz. 

Além do CVV, o estado do Rio de Janeiro conta com serviços de psicologia e psiquiatria gratuitos ou de baixo custo em diversos pontos de localização. O amarelo está associado ao mês de setembro simbolizando a luz, o sol. Entretanto, oferecer ajuda e valorizar a vida é imprescindível durante o ano inteiro. 

Veja onde buscar ajuda no Rio de Janeiro:

  • INSTITUTO DE PSIQUIATRIA – IPUB/UFRJ
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA – UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ)
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICANÁLISE DO RIO DE JANEIRO
  • CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA – SANTA ÚRSULA
  • PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO
  • CLÍNICA MENTE E CORPO
  • INSTITUTO DE PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL DO RJ
  • RODA DE TERAPIA COMUNITÁRIA
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA – UERJ
  • UNIPSICO
  • NÚCLEO DE PSICOLOGIA APLICADA – UNIVERSO
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA DA ESTÁCIO DE SÁ
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA DA UFF
  • SANTA CASA DE MISERICÓRDIA
  • UNISUAM
  • CENTRO PSIQUIÁTRICO RIO DE JANEIRO
  • UCL – CENTRO UNIVERSITÁRIO CELSO LISBOA
  • FAMATH – FACULDADES INTEGRADAS MARIA THEREZA
  • SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADA DO IBMR
  • INSTITUTO DA FAMÍLIA – INFA
  • GRUPO ARCO-ÍRIS

Júlia Reis – 6º período

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