Cultura

O que esperar de “Joker”? Confira expectativas e discussões sobre o novo filme do Coringa

Elogiado e polêmico, “Joker”, o filme estrelado por Joaquin Phoenix, vem tomando o centro das atenções da indústria do cinema

Coringa, o vilão mais popular da história recente da cultura pop, será o protagonista de um filme solo dedicado a contar uma visão mais “humana” e autoral da sua origem. Com previsão de lançamento para o dia 4 de outubro nos cinemas brasileiros, o filme de origem do palhaço psicótico já caiu no gosto dos críticos depois de estrear em um festival de cinema na Itália. Dono de incontáveis elogios, o “Joker”, interpretado pelo ator Joaquin Phoenix, é aguardado pelo público como um dos maiores filmes blockbusters do ano de 2019. Como forma de aquecimento para a estreia, a Agência UVA preparou um dossiê com as principais expectativas e discussões que cercam o filme que promete abalar a indústria de longa-metragens baseados em quadrinhos.

Antes de tudo, é necessário destacar que esse filme não tem nenhuma ligação com o universo cinematográfico da DC Comics estabelecido nos últimos anos. A história é completamente original em seu próprio universo, portanto, não espere ver nenhuma influência do Batman de Ben Affleck ou do Esquadrão Suicida na história. Manter essa distância em relação aos outros filmes, inclusive, vem sendo uma decisão bastante elogiada por grande parte do público que anda descontente com a qualidade dos longas do universo cinematográfico da DC.

A história em si é completamente diferente de tudo o que se vê nas HQs, animações e filmes até o momento. Desde a sua criação nos quadrinhos, a origem do Coringa sempre foi marcada por muitos exageros e pouco espaço de desenvolvimento narrativo. Entre as diversas histórias de origem que existem, a mais utilizada apresenta um Coringa que se tornou o psicótico sorridente que todos conhecem quando caiu acidentalmente em um tonel cheio de substâncias tóxicas.

Pegando emprestados os elementos da clássica HQ “Batman: A Piada Mortal”, a história de origem do vilão no novo filme promete ser mais “pé no chão” do que nunca. Ele se dedica completamente ao desenvolvimento natural do personagem, sem fazer uso de elementos místicos ou que dependam de outros personagens importantes do mesmo universo, como o Batman.

Em “Joker”, o Coringa não é apenas o “Coringa”. Por baixo de toda aquela maquiagem assustadora, o grande vilão também é Arthur Fleck, um comediante frustrado que sente dificuldades de se relacionar com os outros. Ao longo das 2 horas e 2 minutos de duração do filme, será possível acompanhar os acontecimentos que fizeram Arthur Fleck se tornar um ser tão desprezível, mas ao mesmo tempo tão “humano”, em suas devidas proporções.

Cartaz do filme. (Foto: Divulgação)

Expectativas

Até o momento desta publicação, apenas alguns jornalistas e críticos de cinema internacionais puderam conferir o longa completo na íntegra. Os poucos que assistiram não conseguiram conter elogios para o filme e a performance de Joaquin Phoenix. De certa forma, pode-se dizer que a crítica especializada simplesmente amou o novo Coringa. O diretor e idealizador do filme, Todd Phillips, pode falar que o longa ostenta uma avaliação média de “9,5” no site IMDb, um dos agregadores de notas mais utilizados da internet. Para efeito de comparação, a média de “Joker” supera com folga grandes clássicos de Hollywood, como Cavaleiro das Trevas (9,0), Pulp Fiction (8,9) e Poderoso Chefão (9,1).

Apesar das grandes expectativas em volta de “Joker”, o crítico de cinema, Célio Silva, ainda prefere esperar para conferir com os próprios olhos o produto final. “Já vi filmes que tiveram propagandas e notícias muito positivas e que se revelaram uma grande decepção para mim”, comenta o crítico que escreve para os sites G1, Ambrosia e Cinema Para Sempre.

Mesmo com o pé no chão, ele confessa que se encontra bastante curioso para conferir a atuação de Joaquin Phoenix e o trabalho feito pelo diretor do filme, Todd Phillips. Sobre o assunto, Célio revela que virou fã da direção do Todd após ter se surpreendido com o trabalho dele em “Cães de Guerra”, um filme, que em suas palavras, “merece ser redescoberto pelo público”.

Fora do mundo da crítica especializada, as expectativas em torno do filme como um todo também são bem otimistas. É o caso da estudante Tainá Fernandes, que põe todas as suas fichas na atuação de Joaquin. “A divulgação da DC está um tanto melhor dessa vez”, comenta.

Comparações com Heath ledger

Sempre que uma nova adaptação do Coringa para as telonas é anunciada, o novo ator selecionado para o papel do vilão inevitavelmente acaba virando alvo de comparações com Heath Ledger, o falecido ator que entrou para a história do cinema graças a sua performance do Coringa em “Batman: Cavaleiro das Trevas”.

Tal comparação já foi feita com Jared Leto e, agora, com o Joaquin Phoenix, também não é muito diferente. A atuação do Coringa de Heath Ledger é prestigiada até hoje como uma das maiores performances da história. A pressão em cima de Jared Leto, o Coringa mais recente nos cinemas, foi tão grande que é aceitável dizer que o peso de assumir esse papel é quase como vestir a camisa da 10 da seleção brasileira.

Não é uma tarefa fácil para Joaquin, principalmente, se considerarmos que esta será a primeira vez que o Coringa será o protagonista principal de um filme. Diferentemente do Coringa de Heath Ledger, que funcionava como um vilão secundário em “Cavaleiro das Trevas”, todos os holofotes de “Joker” serão posicionados sobre a atuação de Joaquin. A expectativa do público com a nova adaptação do personagem melhorou consideravelmente depois das críticas positivas, no entanto, todo esse “hype” em cima de Joaquin tem muitas chances de acarretar em grandes decepções, visto que, quanto maior a esperança de que algo será bom, maior será o gosto amargo se essa esperança não for correspondida.

Da esquerda para a direita: Heath Ledger e Joaquin Phoenix como Coringa. (Foto: Divulgação)

A respeito dessas comparações, o crítico de cinema, Célio Silva, diz que é muito difícil afirmar ou tomar qualquer posição sobre o assunto, pois os dois atores vão exercer papéis completamente diferentes. “Enquanto o Ledger surgiu como um criminoso que gosta de gerar caos na sociedade, o Phoenix tem que mostrar os passos que vão levar seu personagem a se tornar o Coringa”, acrescenta.

Apesar de admitir a enorme diferença entre as diversas adaptações do vilão, o Coringa de Heath Ledger dificilmente correrá riscos de ser superado por Joaquin na visão do fã de quadrinhos e estudante de publicidade, Ramon Veras. “São personagens com peculiaridades e visões diferentes, mas o trabalho Joaquin ainda pode ser igualmente bom”, comenta.

Indo contra a discussão, certa parte do público vem criticando a necessidade exaustiva de comparar e criticar atores antes de ver suas atuações. A estudante Tainá Fernandes é um exemplo disso e conta que se sente irritada quando vê alguma comparação desnecessária. “Será que não dá para esperar o filme sair antes de especular tanto a troco de nada?”, desabafa a estudante.

Polêmicas

Não há frase melhor para descrever a premissa de “Joker” do que a icônica frase dita pelo vilão em “A Piada Mortal”, de Alan Moore:

“Basta um dia ruim para reduzir o mais são dos homens a um lunático. Essa é a distância entre o mundo e eu… apenas um dia ruim”.

As duas faces de Joaquin: Arthur Fleck e Coringa, respectivamente. (Foto: Divulgação)

Apesar de ser uma justificativa usada para cometer atos terríveis, essa “filosofia de vida” do Coringa ainda representa uma grande crítica contra a sociedade atual. É um pensamento, de fato, justificável psicologicamente para muitas pessoas injustiçadas de forma traumática ao redor do mundo.

O grande problema desta abordagem é que, assim como o Coringa, essa “filosofia” também pode estimular atos violentos de vingança. Como muitas análises vêm apontando, “Joker” é um filme que protagoniza e humaniza a vida de um psicopata cruel. Praticamente todas as maiores críticas contra o filme no momento apresentam esse aspecto perigoso do filme como principal argumento.

Em um mundo no qual a perigosa cultura “Incel” (abreviação usada para definir os “Celibatários Involuntários” que praticam crimes de ódio contra mulheres e homens bem-sucedidos socialmente) vem crescendo a cada dia, é impossível negar a necessidade de uma discussão acerca do perigo que a trama de “Joker” representa.

Na opinião do crítico Célio Silva, tal polêmica remete bastante ao que aconteceu nos anos 70 com o clássico cult “Laranja Mecânica”. Ele defende a inocência do clássico de Stanley Kubrick e acredita que o público precisa entender que “Joker”’ não pretende glorificar os atos do vilão, mas que, na verdade, só quer mostrar a trajetória de um criminoso, como o que acontece em “Scarface” ou em “O Silêncio dos Inocentes”. “Bons vilões podem até seduzir, mas jamais servir como exemplo moral para alguém”, ressalta.

Por outro lado, o fã de quadrinhos, Ramon Veras, defende que a humanização de um vilão é uma das melhores formas de construir um bom antagonista.  “O principal aspecto do novo filme é que o vilão não foi criado por uma fórmula maluca ou por poderes mágicos, mas sim, pela nossa sociedade”, destaca.

Rhuan Bastos – 6º período

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