Economia Educação

Estudo da OCDE revela contradições nos gastos do sistema educacional brasileiro

Brasil investe por aluno menos da metade dos países desenvolvidos, mas aplica na educação um percentual do PIB superior a essas nações

Os alunos brasileiros recebem investimentos menores do que a média das nações desenvolvidas, apesar do Brasil dedicar mais gastos à educação do que estes países.  É o que indica a edição de 2019 do estudo “Education at a Glance” desenvolvido pela Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado na última terça-feira (10). 

O relatório fornece informações sobre as finanças, as estruturas e o desempenho dos sistemas educacionais dos membros da OCDE. Além dos 36 países que fazem parte da organização, algumas economias parceiras também são analisadas. É o caso do Brasil. 

Apesar dos investimentos na educação, eles ainda representam pouco diante da necessidade brasileira. (Foto: Reprodução/Pixabay)

O país investiu 4,2% do Produto Interno Bruto no setor da educação, enquanto a média investida pelos países da OCDE foi de cerca de 3,2% durante o período de 2016, de acordo com os dados do documento deste ano. Entretanto, o percentual não é favorável em relação aos investimentos públicos por alunos, já que o Brasil faz aplicações menores do que outros países membros da organização.

 O estudo ainda aponta que os professores brasileiros recebem a menor média salarial em relação a maioria dos países que compõem a OCDE. No Brasil, os docentes do Ensino Fundamental obtêm anualmente uma remuneração média de US$ 22.500 e os do Ensino Médio cerca de US$ 23.900. Enquanto nos países desenvolvidos o salário médio dos professores chega a US$ 36.200 e US$ 45.800 anuais em cada segmento, respectivamente. 

Além do piso salarial ser comparativamente baixo, a média dos salários efetivamente recebidos por professores também está consideravelmente abaixo da média da OCDE. “Como o salário dos professores corresponde à maior parte do gasto com educação, não surpreende que países com salários mais baixos tenham também um gasto por aluno mais baixo”, indica a analista de educação da OCDE, Camila de Moraes.

A classe docente brasileira não tem índices insatisfatórios apenas em comparação com outros países. Estima-se que o salário médio dos professores seja 13% mais baixo do que salário médio de outros profissionais. “Infelizmente, os educadores não são valorizados, não somos bem remunerados. O piso salarial não é condizente com a profissão”, afirma a professora do Ensino Fundamental, Beatriz Ribeiro, que está há 8 anos no magistério.

Júlia Reis/Agência UVA

Quem também vivencia as dificuldades dessa carreira é o professor do Ensino Fundamental, Flávio Borborema. “Muitas vezes, o investimento que o professor faz é muito maior do que a sua remuneração”, diz o docente que tem 5 anos de experiência lecionando tanto na rede pública de ensino quanto na rede privada. Ele ainda afirma que esses profissionais deveriam ter mais reconhecimento. “O Brasil precisa reconhecer que o professor tem uma função primordial na vida de qualquer pessoa e que é uma profissão tão digna quanto todas as outras”, completa Flávio. 

De acordo com a analista Camila de Moraes, um aumento no gasto por aluno poderia em tese ser revertido em um aumento salarial para professores. “Não basta aumentar os recursos, é importante que esses recursos sejam alocados de forma eficiente. Muitos estudos apontam para a qualidade dos professores como ferramenta essencial para melhoria do ensino. Investimento na qualidade dos professores pode ocorrer, dentre outras formas, através do aumento salarial ou do oferecimento de cursos de formação e desenvolvimento”, declara.

Apesar dos desafios, que não se resumem somente a desigualdade salarial, os profissionais permanecem compartilhando seus ensinamentos e fazendo da sala de aula um local de onde podem surgir as mudanças. “Nós como educadores temos o papel de fazer com que o aluno reflita e não deixar com que ele desanime diante das dificuldades. Não é porque eu não tenho uma remuneração adequada para o trabalho que exerço que não vou fazer meu melhor”, conclui a professora Beatriz.

Júlia Reis – 6º período

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