Cultura

Autores coreanos celebram o 60° aniversário de relações entre Coréia do Sul e Brasil

Bate-papo, que aconteceu durante o 8° dia da Bienal, reuniu jornalistas e influenciadores

A LTI Korea (Literature Translation of Korea) trouxe ao Brasil, pela primeira vez, os escritores coreanos Kim Ki-taek, autor do livro de poesias “Chiclete” (7 Letras), Kang Byoung Yoong, autor do romance “Pepino de Alumínio” (Topbooks) e Park Min-gyu, ficcionista inédito no país. Marina Carvalho, autora de “Um Dorama Para Chamar de Meu”, que possuí um protagonista coreano, também foi convidada. Raffa Fustagno foi a responsável pela mediação.

Os autores participaram de um bate-papo, no Auditório Lapa, com jornalistas e influenciadores, para celebrar os 60 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Coréia do Sul e promover as suas obras. O Brasil possui a maior comunidade de coreanos na América Latina, com cerca de 50 mil pessoas, localizadas principalmente em São Paulo.

Da esquerda para direita: Kim Ki-taek, Park Min-gyu e Kang Byoung Yoong (Foto:Divulgação/Oasys Cultural)

Os escritores também falaram sobre as primeiras impressões que tiveram a respeito do Brasil, relações com a literatura local e se ao escreverem buscam alcançar apenas o público da Coréia ou de todas as partes do mundo. Marina explicou como começou a se interessar pela cultura coreana.

Primeiras impressões sobre o país

Raffa Fustagno abriu a conversa perguntando sobre quais eram as impressões iniciais deles sobre o Brasil e se ao chegarem aqui presenciaram algo diferente do que pensavam. Kim Ki-taek disse que a arquitetura da cidade carioca foi o que o impressionou logo ao chegar. “Vi prédios antigos e novos juntos, um ao lado do outro. Era como se visse a história do Rio de Janeiro horizontalmente”, conta. Outro ponto que chamou a atenção de Kim foi a quantidade de pessoas que viu ao transitar pela cidade. O Rio é um lugar bem mais populoso do que ele imaginava.

Já Park Min-gyu, lembra que a primeira impressão que teve do Brasil veio de uma aposta de anos atrás. “Uma vez, apostei com um amigo qual era o lugar oposto onde nós estávamos. O meu chute foi o Brasil, meu amigo disse o Chile. No dia seguinte, fomos buscar a resposta com o nosso professor de Geografia. Ele disse que era o Chile. Então, a minha primeira impressão sobre o Brasil foi a de que ele me fez perder o meu dinheiro naquela aposta”, contou Park, aos risos.

Encontro aconteceu no Auditório Lapa. (Foto:Divulgação/Oasys Cultural)

Em seguida, Park disse que, ao longo dos anos, passou a admirar pessoas do Brasil, como os músicos Sérgio Mendes e Tom Jobim, e os atletas Wanderley Silva e Ronaldo Fenômeno. “Através dessas figuras, eu passei a achar o Brasil um lugar muito amável e hoje eu estou aqui”, completou.

Kang Byoung Yoong fala que sempre teve uma imagem positiva daqui, tendo inclusive mencionado o país em uma de suas obras. “O último romance que escrevi foi há dois anos. O protagonista tinha uma enorme coceira nos dedos e depois de um tempo, ele descobre que nasceram olhos lá. Esse protagonista tinha um professor que vivia dizendo que queria ir para um lugar diferente. Então, eu o mandei para o Brasil. Depois de estar aqui, tenho a certeza de que eu fiz bem”, disse Park.

Marina e a cultura coreana

Marina Carvalho conta que sempre gostou de conhecer diferentes culturas e, a medida que começou a consumir produções coreanas, o interesse aumentou. “Eu estava no meio de um outro projeto, quando a cultura coreana entrou na minha vida. O meu entusiasmo foi tão grande que precisei deixá-lo de lado e comecei a escrever algo que pudesse utilizar tudo que eu aprendi com a Coréia do Sul”, disse a autora.

Raffa Fustagno ao lado de Marina Carvalho.(Foto:Divulgação/Oasys Cultural)

A autora aproveitou o espaço para comentar sobre a receptividade do público com o seu novo livro. “Há um certo estranhamento de parte do público com a nova temática, mas, ao mesmo tempo, despertou o interesse de alguns. Quando vou escrever, não penso só no meu leitor, mas no que eu quero também”, finalizou.

Literatura brasileira

Perto do fim do papo, os autores falaram sobre as experiências que já tiverem com a literatura brasileira. Kim comentou que, há muito tempo, leu um livro do autor austríaco Stefan Zweig sobre a história do Brasil e destacou que, embora tenha passado por um processo de colonização, o país não sofreu com grandes guerras durante sua formação como aconteceu com os Estados Unidos. Posteriormente, ele teve a oportunidade de ler “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado, e percebeu diversas similaridades com o livro de Stefan.

Além do Rio de Janeiro, os escritores têm compromisso em mais duas cidades brasileiras: São Paulo e Brasília (Foto:Divulgação/Oasys Cultural)

Kang, embora seja coreano, reside na Eslovênia, na cidade de Liubliana. Ele conta que muitos compatriotas visitam a sua cidade porque ela está presente em um dos livros de Paulo Coelho. “Eu sei que dizem que o Paulo tem uma literatura muito comercial, posso até concordar, mas é inegável que há algo muito forte em suas obras que faz com que coreanos saiam de suas casas e vão até a Eslovênia”, opinou.

Já Park, revela que não teve quase nenhum contato com a literatura brasileira, muito pela falta de material traduzido para o seu idioma. “Temos muita coisa em espanhol na Coréia, mas em português quase nada. As relações entre o Brasil e a Coréia do Sul se estreitam cada vez mais, então, eu espero que esse intercâmbio de ideias alcance a literatura”, disse.

Leia também: Histórias que vão muito além dos livros

Para quem eles escrevem

Finalizando o encontro, os autores foram questionados se ao escreverem uma obra, eles pensam apenas no público coreano. Todos os três deram a mesma resposta: não.

Kim conta que a poesia coreana está cada vez mais hermética e misteriosa, o que dificulta a compreensão até para os próprios coreanos. Observando essa questões, ele mudou a forma como escreve. “Como traduzir uma poesia que até para mim, já é algo difícil de entender? A partir disso, passei a deixar a minha leitura mais palatável. Não adianta eu escrever coisas que no fim quase ninguém vai entender”, desabafou.

Para Kang, a preocupação em atingir os mais diferentes públicos é recorrente, ainda mais por não morar em seu país natal. “Sempre penso em escrever para todos os tipos de pessoas, as minhas histórias dialogam com o mundo, não com uma parte dele”, disse o autor.

Park acredita que o objetivo de escrever é universal. Segundo ele, todo mundo quer ser um autor que fala para o planeta e, cada vez que escreve uma obra ou lê algo de um outro artista estrangeiro, ele passa a ser uma cidadão do mundo e não só da Coréia.

Breno Silva – 7° período

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