Saúde

Sarampo: tudo sobre a doença que já matou três pessoas no Brasil

Segundo Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, o sarampo já levou ao óbito três pessoas. Brasil não via uma morte desta doença desde 1997

Durante muitos anos, o sarampo foi uma doença contagiosa controlada no território brasileiro. Em 2016, o Brasil chegou até a ganhar um certificado de eliminação do Sarampo, pela Organização PanAmericana de Saúde (OPAS). No entanto, desde 2018, o vírus voltou a preocupar a população e, até o momento, 88 cidades e 11 estados já registraram a doença.

De todos os estados do Brasil, São Paulo é um dos mais afetados. Já foram registradas três mortes, sendo um homem de 42 anos e dois bebês, de 4 e de 6 meses. São as primeiras mortes causadas por sarampo desde 1997, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Além dos casos que chegaram até o óbito, já são 2.457 pessoas infectadas em todo o estado e 1.637 apenas na capital.

No último balanço nacional do Ministério da Saúde, 99% dos casos confirmados foram no estado São Paulo. Dado referente ao período entre 19 de maio e 10 de agosto.

Afinal, o que é o sarampo?

O sarampo é uma doença infecciosa grave, causada por um vírus, que pode ser fatal. Sua transmissão ocorre de forma direta, por meio de secreções nasofaríngeas expelidas. Isso significa que quando a pessoa infectada tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas o vírus é transmitido.

Imagine que uma pessoa contaminada entra em uma sala com outras 100. Ao falar com outras pessoas ao redor, ou mesmo respirar, o sarampo poderá contaminar 95% dos que estiverem no local.

Principais sintomas

Os sintomas se manifestam entre 10 e 14 dias após a exposição ao vírus e incluem coriza; tosse; infecção nos olhos; erupção cutânea e febre alta. Três a cinco dias após o início dos sintomas, uma erupção cutânea explode. Isso quer dizer que manchas vermelhas aparecem no rosto na linha do cabelo e se espalham para o pescoço; tronco; braços; pernas e pés.

Alguns outros sintomas que podem aparecer na pessoa contaminada por sarampo são também conjuntivite; infecções nos ouvidos; perda de apetite; pneumonia e diarreia. Em casos mais graves, a doença pode levar a lesão e infecção cerebral. Se não tratado, o infectado pode chegar ao óbito.

Como se prevenir?

A única maneira de evitar o sarampo é por meio da vacina. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta a vacina tríplice viral, que além de ser segura, protege contra todos os vírus do sarampo que circulam no mundo. Também é possível encontrar a vacina em hospitais particulares.

A mestre em Saúde Pública, Caroline Marques, conta sobre a importância da vacinação. “A vacina é a única forma de prevenir a ocorrência do sarampo na população. O recomendado é que a cobertura vacinal fique em 95% para garantir o bloqueio da doença”, explica.

Só no estado de já São Paulo são 2.457 pessoas infectadas pelo sarampo. (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

Quando tomar a vacina do sarampo?

  • Aos 12 meses de idade (1 ano) – Primeira dose;
  • Aos 15 meses de idade –  Segunda e última dose por toda a vida.
  • Se você tem entre 1 e 29 anos e recebeu apenas uma dose, recomenda-se completar o esquema vacinal com a segunda dose da vacina;
  • Quem comprova as duas doses da vacina do sarampo, não precisa se vacinar novamente.

Não tomou nenhuma dose, perdeu o cartão ou não se lembra?

  • De 1 a 29 anos – São necessárias duas doses;
  • De 30 a 49 anos – Apenas uma dose:

Quem não pode vacinado?

  • Gestantes;
  • Crianças com menos de 6 meses;

Tratamento

Não existe nenhum tratamento específico para o sarampo. O que geralmente é feito, quando se descobre que uma pessoa foi contaminada, é deixá-la isolada. Em seguida, medicamentos são utilizados para reduzir o desconforto causado pelos sintomas da doença.

A maioria se recupera em duas ou três semanas, mas de 5% a 20% das pessoas com sarampo morrem, normalmente por causa de complicações graves, como diarreia; desidratação; inflamação no cérebro ou infecções respiratórias. As crianças que correm o risco de desenvolver desnutrição moderada a grave recebem apoio nutricional e tratamento.

Entendendo a epidemia de sarampo

A volta do sarampo como um risco a saúde pública é um evento global. Assim como o Brasil, há diversos países que estão passando por essa epidemia. No entanto, as mortes por sarampo no mundo diminuíram em 71% nos últimos anos – de 542 mil, em 2000, para 158 mil em 2011, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um dos maiores fatores responsáveis pela volta da doença foi a crise migratória que o Brasil vem sofrendo nos último anos. A doença foi trazida pela venezuelanos que fogem deu seu país a procura de uma melhor qualidade de vida.

Com a entrada de pessoas contaminadas com o vírus do sarampo, a doença foi se multiplicando, consequência também de uma população não imunizada. O biomédico Gabriel Caroli comenta por quê a população deixou de se vacinar. “Em algum momento, a nova geração deixou de se vacinar e também os filhos. Com isso, boa parte da população ficou indefesa. Mas, acredito também que o movimento anti-vacina influenciou para este cenário. Pessoas que nasceram quando a doença já estava erradicada desacreditaram do poder do sarampo”, comenta.

Caroline Marques ressalta a atuação do governo para esses movimento. “É necessária a manutenção de altas e homogêneas coberturas vacinais e constante vigilância epidemiológica. Vacinação de rotina na rede básica de saúde; bloqueio vacinal; intensificação vacinal e campanhas de vacinação de seguimento devem ser incentivadas”, conta.

Tainá Valiati – 7° período

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