Cultura

Woodstock: 50 anos do festival mais famoso da história

Evento mudou os rumos da música e virou um símbolo da contracultura mundial

1969 foi um ano complicado para os norte-americanos. A guerra do Vietnã dividia a opinião pública e as tensões raciais chegavam ao seu apogeu após o assassinato de Martin Luther King. Mesmo com conquistas importantes, como a chegada dos primeiros homens à Lua, o clima no país não era dos melhores. Em meio a essa onda de instabilidade, quatro empresários liderados pelo promotor de eventos Michael Lang tiveram a ideia que mudaria para sempre a cultura mundial.

Um bom ponto de partida para falar sobre o Festival de Woodstock é que ele não aconteceu em Woodstock, e sim nas terras do  fazendeiro de gado Max Yasgur, na minúscula cidade de Bathel, em Nova York. O objetivo dos organizadores era simples: Ganhar dinheiro. Festivais parecidos já faziam sucesso na costa oeste americana e no México, então, reproduzir isso na costa leste era o próximo passo.

Para isso, foram chamados nomes de peso, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, entre outros gigantes da música. Nova York era o lugar perfeito para capitalizar em cima de um grande evento. No entanto, os organizadores perderem o controle. Toda a área do festival foi preparada para receber até 200 mil pessoas durante o fim de semana, mas estima-se a presença de mais de 500 mil espectadores.

Woodstock reuniu cerca de meio milhão de espectadores. (Foto: Reprodução/Twitter)

As apresentações até hoje são lembradas como algumas das maiores da história. O Hino Nacional dos Estados Unidos, tocado na guitarra de Jimi Hendrix, e a hipnotizante performance de Janis Joplin são bons exemplos. Mas o coração do festival era mesmo o público, que chegava em enormes caravanas, com suas características roupas do movimento Hippie e cantando por paz e amor, o que virou um símbolo de resistência e contracultura da época.

A socióloga Alessandra Justus fala sobre esse fenômeno cultural: “Hoje, com eventos como o Rock in Rio, parece normal, mas, na época, reunir aquela quantidade de pessoas era uma missão quase impossível. O festival acabou transcendendo o mundo da música, principalmente por causa do que acontecia no meio do público. As pessoas consideradas mais diferentes, ou até mesmo esquisitas, eram muito bem-vindas. A questão do uso de drogas não ter sido reprimido, também foi o estopim para outros movimentos de legalização que até hoje usam símbolos do festival”, explica.

O clima de paz entre o público chama a atenção até hoje. (Foto: Reprodução/Twitter)

Ao final da noite do último dia do festival, muitos espectadores talvez não soubessem, mas fizeram parte do festival mais famoso de todos os tempos, não só pelos shows, mas também pelo clima do evento. Clima que, apesar das diversas tentativas, jamais conseguiu ser reproduzido novamente.

Woodstock 99

Em 1999 foi feita uma edição de homenagem aos 30 anos do festival original. A intenção era trazer de volta a sensação de paz, liberdade e boa música que aconteceu em 69. Bandas de sucesso na época, como Rage Against The Machine, Limp Bizkit, Metallica e Red Hot Chilli Pappers foram escalados para as apresentações. Mas Woodstock 99 é lembrado como uma das maiores tragédias anunciadas já vista na música.

O local dos shows não era estruturado para a quantidade de pessoas. A produção resolveu economizar em tudo que podia, inclusive em banheiros, e colocou preços altíssimos para comida e água. Além disso, a temperatura no primeiro dia atingiu os 40ºC. O resultado não poderia ser pior. Pessoas passaram mal, havia briga por espaço e até estupros e uma morte foi registrada. Além disso, no final do último dia o show do Red Hot Chilli Pappers teve que ser interrompido, o publico se revoltou, houve saques às lojas, incêndios e parte da estrutura de caixas de som foram derrubadas pelo público, que tentava se proteger do tumulto.

O empresário Marcos Henrique assistiu ao evento e conta que desde o show do Limp Bizkit o clima começou a ficar tenso. A situação piorou no final de domingo, quando deram velas para o público, que já estava com raiva por causa das péssimas condições do lugar.

“Não tinha como dar certo. Eles começaram a fazer pequenos incêndios, que foram crescendo até virar um caos. No final, a culpa foi jogada para as bandas, mas a verdade é que a organização falhou, e bem feio. Dá pra ver até pelas imagens que o público parecia que estava literalmente fervendo” diz.

Cenas de selvageria foram vistas no final do Woodstock 99. (Foto: Reprodução/Twitter)

Ao longo do tempo. houve outras tentativas de festivais inspirados em Woodstock, alguns até com certo sucesso, como o SWU, por exemplo, mas a áurea do original nunca mais se repetiu. A socióloga Alessandra Justus explica por que o evento foi diferenciado:

“Woodstock (69) foi tão mágico porque a espontaneidade do público superou a organização, que não esperava aquela gente toda. O público acabou tomando conta do evento. Aquele público, naquelas condições, naquele contexto, nunca mais vai acontecer”.

Homenagens ao evento acontecem por todo mundo, mas especialmente nos Estados Unidos, onde uma radio da Filadélfia vai transmitir “ao vivo” os shows da época exatamente no mesmo horário do festival. Estava planejada uma edição em homenagem aos 50 anos do original, com Jay-Z, Miley Cyrus confirmados, mas o evento foi cancelado.

Daniel Fernandes – 8º período

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