A professora de arte contemporânea, Luciene Aragon, comenta sobre a tragédia
Professora de arte contemporânea da Universidade Veiga de Almeida comenta tragédia
Incêndio em um dos maiores símbolos da arquitetura gótica do começo do último século chocou o mundo na última segunda-feira (15). Carregada de história, as obras da catedral de Notre Dame foram iniciadas em 1163 e, mesmo com o tempo, resistiu a diversas intempéries durante os anos, servindo de ponto turístico gratuito para a França atual.
O século doze foi marcado por transformações na Europa e por isso, tinha necessidade de renovação. Para Luciene Aragon, professora da disciplina de arte contemporânea, a França foi o centro da evolução da arte. “Houve a criação de uma nova classe social – os burgueses – e por isso, novas rotas de negociação”, explica. A estrutura gótica se desenvolveu nesta mesma época e era uma das características mais marcantes da Catedral. Diferenciava-se das já estruturadas arquiteturas românicas e traziam leveza para as construções religiosas. “As igrejas românicas eram muito escuras, o gótico traz o desenvolvimento da técnica de vitrais e dos arcos nervurados, criaram abóbodas maiores e paredes com mais aberturas. Criou-se uma maior luminosidade dentro daquele espaço”, comenta.
Notre-Dame tornou-se simbólica pois passou mais de um século sendo construída e, atualmente, com mais de 850 anos, possui cerca de 128 metros de altura e está na parte antiga da cidade de Paris. A professora explica que por ser secular, a Catedral passou por diversos regimes políticos e, portanto, por uma série de revoluções. “A catedral sofreu um ataque durante a revolução francesa e uma área, chamada Galeria de Reis, foi completamente destruída. Nesse momento a população durante o processo de perseguição a realeza atacam esculturas sem entender que elas, na verdade, se referiam aos reis judaicos”. A galeria tinha 28 estátuas e seus fragmentos foram soterrados. Foram reencontrados apenas em 1776 e doados para o Museu Cluny, de arte medieval de Paris.

Luciene revela também que parte das lendas em volta de Notre-Dame são o que a tornam interessante. Histórias como a de Quasimodo – um corcunda que vivia nas torres do sino da igreja, viraram o livro escrito por Victor Hugo, chamado “O Corcunda de Notre Dame”. Este personagem foi retratado baseado no livro pelos estúdio Disney, criando a produção de mesmo nome.
Pessoalmente, a professora tem uma ligação especial com Notre Dame. “Eu estava passando por uma série de questionamentos na minha vida, então eu fiz essa viagem para Paris e foi uma época de muita reflexão para mim. Eu aguardei a oportunidade de passar o Natal dentro da Catedral debaixo de chuva, junto com uma multidão”. Lá haviam pessoas de todos os lugares, falando todas as línguas o que criou um momento de acolhimento e significação.

“A França tem uma grande importância na mudança da história ocidental e do mundo. Lugares como Notre Dame, que são monumentos artísticos, são também lugares sagrados e pertencem a humanidade”, finalizou Luciene.
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Arielle Curti – 7º Período L

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