Ditadura militar brasileira completa 55 anos

Golpe que deu inicio aos 21 anos de regime militar no Brasil faz aniversário e especialistas entrevistados pela Agência UVA relembram, com tristeza, o fato

O aniversário, em 31 de março, do golpe militar sofrido pelo país há 55 anos foi relembrado por especialistas entrevistados pela Agência UVA: o cientista político, Guilherme Carvalhido, professor da universidade, e a historiadora Ana Paula Carvalho, professora do SENAI. Ambos foram unânimes em afirmar a importância de se lembrar o ocorrido “para que a ditadura não seja esquecida”.

A memória da ditadura foi tema de intensos debates nas redes sociais e nas ruas durante a semana passada muito por conta da ordem dada pelo presidente Jair Bolsonaro para que o Ministério da Defesa fizesse as “devidas comemorações” ao golpe de Estado acontecido em 1964. 

Houve manifestações contra a ditadura em várias cidades do país (foto abaixo). Pessoas que perderam familiares na ditadura e que até hoje procuram uma explicação foram às ruas em protesto. Porém, ao mesmo tempo, tiveram grupos se manifestando a favor da instauração do regime militar – aplaudindo a medida do presidente Bolsonaro. 

Ato em memória das mulheres vítimas da ditadura militar na zona norte da cidade do Rio de Janeiro (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O papel da história e da permanência da memória
A historiadora e professora de História, Ana Paula Carvalho, ressalta a importância do conhecimento histórico e da defesa da memória na materialização da permanência da democracia no país. “Não precisa vivenciar, basta estudar, ter acesso às fontes para manter a memória viva de um momento de total tortura e desmoronamento de qualquer espaço democrático, quando o Congresso é fechado e todo mundo tem que partir ou ser sequelado dentro de um governo militar autoritário”, afirma. Ana Paula acredita que não é apenas sobre a importância da memória que deve se refletir, mas sobretudo sobre a sua permanência, para que não seja considerada erroneamente como algo que não aconteceu ou como um exagero da esquerda política.

Nascida em dezembro de 1964, ela vivenciou o regime militar no cotidiano. “Uma mulher nua toda metralhada, com o corpo estendido na rua. Eu lembro que saí correndo para casa e meu pai perguntando o que foi. Eu tinha visto isso e ninguém me contou, eu não li no jornal”, relata. Apesar disso, com um olhar otimista, ela não enxerga esse incentivo às celebrações, por parte do presidente, como um risco à democracia. “Foram 57 ou 58 milhões, e quantos brasileiros somos? Somos só isso? Esses devem defender com unhas e dentes essa possibilidade de comemoração, mas não representa a sociedade brasileira, em hipótese nenhuma”, declara. 

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As manifestações ocorreram em diversas cidades brasileiras (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O cientista político Guilherme Carvalhido, que também é Mestre em Comunicação, afirma que a história é fundamental para, principalmente, explicar o presente mas também tentar prever o futuro. Ele ressalta que se a democracia é considerada uma estrutura de governo adequada ou a menos pior dentro de várias possibilidades – e que a ditadura é o oposto da democracia – não há dúvida de que a história ajuda a mostrar que há equívocos e erros na ausência de liberdade. “Dessa forma, a história lembra a gente o que está acontecendo e o que pode acontecer caso uma ditadura volte. Portanto, ela é essencial para essa explicação”, explica.

 “É sempre importante lembrar que teremos pontos de vista contrários e à favor. A opinião pública nunca é unânime, é impossível de acontecer. Ou seja, mesmo com uma atuação isenta, o jornalista e a comunicador como um todo terá dificuldades de convencer algumas pessoas”, reflete Carvalhido.

Referente ao questionamento de existir um risco à democracia com essa exaltação aos tempos de regime militar por parte do atual governo, Carvalhido explica que esse governo atua muito em cima de valores com pouca prática. “O papel dele é reforçar valores, em que se tem a ditadura como um elemento positivo e uma estrutura interessante. Há um certo risco, mas ele não é evidente. Ao mesmo tempo, o presidente deve governar para todos e não apenas para uma parcela da população”, diz.


Priscilla Romana – 7° Período e Ana Carolina  Aguiar – 6º período

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