Especialistas analisam polêmicas de Bolsonaro no Twitter

Agência UVA conversou com especialistas em cultura digital e ciências sociais, que observaram as recentes aparições do presidente na rede social

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Com apenas três meses de governo, são inúmeras as situações complicadas que a família Bolsonaro se envolveu por conta das redes sociais. Até ministro já caiu por causa disso. Toda semana algo de novo acontece. As polêmicas se acumulam e colocam cada vez mais lenha na fogueira do Palácio do Planalto. A melhor maneira de acompanhar os acontecimentos do governo parece ser o Twitter.

O Mestre em Estéticas e Tecnologias da Comunicação e professor da Universidade Veiga de Almeida, Rafael Dupim, discorre sobre essa mudança na forma de se comunicar do governo. “Falar bem para a TV era necessidade de muitos políticos, até pouco tempo. Com as redes sociais, houve uma grande mudança, já que não existe agora o filtro do editor, desempenhado pelo jornalista. E com a mobilização na rede, a opinião pública se manifesta de forma mais imediata”, afirma.

A recente postagem de um vídeo com conteúdo obsceno pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), em seu perfil do Twitter, gerou repercussão tanto entre críticos quanto entre apoiadores. A motivação do presidente era expor um caso específico que aconteceu durante o Carnaval de rua para criticá-lo e convidar os brasileiros a “tirarem as suas próprias conclusões”.

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Polêmico tweet do presidente Bolsonaro no carnaval (Reprodução:Twitter)

A divulgação do vídeo pelo presidente gerou uma onda de críticas de pessoas que entenderam que ele não agiu de forma apropriada para o cargo que ocupa ao divulgar o vídeo. Chegou a ser abordada até a hipótese de impeachment por falta de decoro. Bolsonaro tem mais de 3,8 milhões de seguidores no Twitter e o vídeo divulgado por ele teve em torno de 2,5 milhões de visualizações.

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O presidente ainda alimentou a polêmica no dia seguinte (Reprodução:Twitter)

A cientista social e Mestre em História Política, Maria Fernanda Magalhães, acredita que a Internet revolucionou o jeito de os governantes se relacionarem com o povo. “Com a popularização das redes sociais, o caráter da relação entre governantes e povo certamente mudou. Por meio delas é possível obter uma resposta, quase imediata. Há a possibilidade de estabelecer um diálogo, ainda que mínimo, de ser ouvido e – por que não? – ter conhecimento do que seus pares pensam sobre as mesmas questões levantadas por você”, enfatiza a cientista.

Família na rede
Bolsonaro ainda possui três filhos com mandatos parlamentares. Eduardo Bolsonaro que é deputo federal por São Paulo, Flávio Bolsonaro, senador pelo estado do Rio e Carlos Bolsonaro, vereador pela cidade maravilhosa e o responsável pelas redes sociais do pai. Posts na internet são sempre curtidos e compartilhados entre eles. O que eventualmente cria ruídos entre aliados do presidente. Como aconteceu com o ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gustavo Bebbiano.

O ministro deixou o cargo depois de se desentender com o presidente publicamente. Por conta das denúncias de candidaturas femininas laranjas pelo PSL, do qual Bebbiano foi o presidente nacional durante a campanha. Período em que começaram a emergir suas diferenças com Carlos Bolsonaro, que pelo Twitter, chamou o então ministro de “mentiroso” e insinuou sua responsabilidade no escândalo das candidatas laranjas. O que amentou ainda mais a crise no governo.

Maria Fernanda, chama atenção para a controvérsia em torno do comportamento online do presidente e seu entorno. “O grande x da questão, em minha opinião, é que a publicização ostensiva de suas controversas opiniões em redes sociais não garante nem a liberdade de expressão e nem a democratização da mídia. E tal aspecto não pode ser confundido. Para além disso, falamos do chefe máximo da nação e não de um youtuber, um artista, um intelectual ou um mero desconhecido. É necessário que haja o mínimo de decoro – não é um ponto moral, mas ético – e, principalmente, responsabilidade nas postagens do governante”.


Matheus Marques – 7º período

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