Armas de fogo são responsáveis pela maioria dos homicídios no Brasil

Tragédia em Suzano é mais um caso que ilustra o alto número de vítimas em tiroteios no país

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Número de mortos se torna cade vez maior Foto: Pixabay

Assassinatos por armas de fogo lideram com folga o ranking de homicídios ocorridos no Brasil. Em pesquisa do Datasus, só no ano de 2017, mais de 60.000 brasileiros foram mortos dessa maneira, sendo a maior parte dessas vítimas homens negros com idade entre 20 a 29 anos.

Outros números expressivos também podem ser relacionados à violência armada no país. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Rio de janeiro apresenta a taxa anual de aproximadamente 24 mortos por armas de fogo a cada 100 mil habitantes. De acordo com essas estatísticas, mais de 70% das mortes violentas ocorridas no Brasil estão relacionadas a esse tipo de violência, seguidos à distância pelo uso de objetos contundentes (martelo, pedaços de madeira e pedras) e armas brancas.

Estatísticas alarmantes que podem se tornar ainda piores, segundo o professor e especialista em opinião pública, Guilherme Carvalhido. ”Infelizmente, a tendência é que esse número aumente, sobre tudo por causa da política de liberação das armas do atual governo”, diz. Ainda falando sobre os motivos que levam a esses percentuais, o acadêmico relaciona múltiplos fatores sociais. ”Além disso, temos grande crescimento das organizações criminosas, a desorganização urbana e o aumento da pobreza que ocorreu no Brasil nos últimos 40 anos”, completa.

Esse cenário também se torna preocupante internacionalmente, já que de acordo com levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), feito em 2014, o Brasil ocupa a décima posição no ranking dos países que mais matam por armas de fogo. Segundo o próprio professor, a nova política de armamento no atual governo não resolverá esses problemas. ”As estatísticas demonstram, na maior parte dos casos, que o uso de armas se torna extremamente ruim para o aumento da violência”, comenta Carvalhido.

Questão das armas novamente vira tema de discussão no país

O violento ataque à Escola Estadual Raul Brasil, na cidade de Suzano, no interior de São Paulo, na manhã da última quarta- feira (13) voltou a levantar acalorados debates sobre os riscos do porte de armas, quando os ex-alunos Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, invadiram o colégio e dispararam em direção aos estudantes, deixando 8 mortos e 23 feridos. O evento inflamou ainda mais as redes sociais acerca da possível legalização do porte de armas no Brasil.

Especialista no assunto, Marcelo Nogueira, professor de Direito da Universidade Veiga de Almeida, acredita que essa tragédia deve ser um alerta para uma época em que muito se discute a flexibilização do porte de armas, posicionando-se contra essa facilitação e sua comercialização. Ele acredita que quanto menos armas houver, melhor será para a sociedade. “Achar que uma pessoa armada vai ter condições de reagir a um roubo é absolutamente uma ilusão equivocada. Porque o marginal tem o efeito surpresa a seu favor. Se ele identifica que a sua vítima está armada essa vítima será executada’’, pondera.

Marcelo afirma que o maior problema do país, e em especial do Rio De Janeiro, é o tráfico de armas que permite o fácil acesso a armas para qualquer pessoa mal intencionada. “Essas tragédias acontecem pois é fácil comprar armas clandestinamente”, diz ele.

Ao falar da tragédia de Suzano, o professor é taxativo. “Quanto menos armas nas ruas, melhor. Deixemos as armas para quem entende, como os órgãos de segurança’’. Ao ser perguntado sobre o que deveria ser feito para evitar esse tipo de tragédia, ele disse que o melhor caminho seria maior rigor na hora de deixar alguém entrar na escola. “Precisamos de mais segurança nas escolas, mais filtragem em quem entra e sai. O reforço da ronda escolar seria uma boa medida a ser tomada”, completa.


Felipe Pereira – 7º Período

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