Roller Derby, prazer

O Roller Derby é um esporte relativamente desconhecido no Brasil, porém, vem ganhando espaço através do número de equipes espalhadas pelo país. É considerado um jogo violento por muitas pessoas, mas são as mulheres que dominam essa arte, desconstruindo a ideia de sexo frágil. Em 2012, foi inaugurada a competição nacional – o Brasileirão – organizado pela Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação (CBHP).

As ligas, como são chamadas as equipes, aceitam todas que se identificarem como mulher ou não-binário. No Rio de Janeiro, a Sugar Loathe, localizada no Engenho de Dentro, realiza aulões gratuitos para ensinar a atividade e sobretudo a andar de patins. A enfermeira Júlia Amazonas, de 26 anos, nunca havia andado sobre as quatro rodas, mas decidiu aprender do zero com as meninas.

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Treino da Sugar Loathe no galpão do Engenhão Foto: Luíza Accioly Lins / Agência UVA

O que era para ser somente a prática de patins se tornou muito mais. Uma semana após a aula, a liga abriu seu recrutamento anual e Júlia resolveu pesquisar sobre o Derby. “Eu achei o máximo, por ser um esporte, majoritariamente, feito por mulheres”. A parte do contato físico não assustou a menina, mas sim, pareceu divertida aos olhos dela. Para quem nunca praticou nenhum esporte, Júlia está contente. “Eu senti que não era tão velha para aprender”.

Além disso, a diversidade permitida nesse espaço foi um atrativo para a enfermeira. Em uma época politicamente agressiva ao gênero feminino, é importante que haja um ambiente onde elas possam se expressar. “Qualquer espaço que as mulheres ocuparem é válido”. É no Derby que elas encontram a união que precisam. “É pura resistência e resiliência”. Alguns homens se sentem incomodados ao se depararem com um lugar que eles não podem entrar e pedem para as meninas se retirarem do galpão, onde elas treinam.

Helena Mayrink, 24 anos, é diretora de treinamento da Sugar Loathe e também árbitra, conta que até existe Derby masculino, mas o foco do esporte está mesmo no empoderamento feminino. Aqui, as moças, finalmente, se sentem pertencentes e valorizadas pelo o que são, se apresentando como um lugar inclusivo e respeitoso. Na liga carioca, Helena diz que “tem pessoas brancas, negras, altas, magras, gordas, baixas, diversos tipos”.

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Helena Mayrink treinando as novas integrantes da Sugar Loathe Foto: Luíza Accioly Lins / Agência UVA

Esse acolhimento dado pelo esporte é imprescindível para que as mulheres tenham o espaço que precisam para serem quem quiserem. Além disso, permite que não sejam julgadas pela aparência física, o que seduziu a maioria das jogadoras atuais. “O que a gente quer é trazer sempre mais pessoas para o Derby, é um espaço acolhedor em que as pessoas são respeitadas independentemente de gênero, orientação sexual ou etnia”.

Porém, todo esporte sem incentivo do Governo tem seus problemas, com o Roller Derby não é diferente. Os equipamentos necessários são caros e de difícil acesso, muitas vezes precisando ser importados. Ademais, não há lugares suficientes para treinar gratuitamente. “A gente precisa de um espaço que tenha um chão legal para patinação e que seja coberto para a gente não ficar dependendo de tempo”. Além disso, nem todo local aceita o uso de patins.

Na opinião de Luiz Prado, árbitro há seis anos, espaços públicos adequados ajudariam bastante não só o Derby, mas várias outras modalidades de patinação. “Todos os outros problemas eu acredito que se resolveriam depois, com pessoas se organizando”. Ele diz que, mesmo os grupos que podem arcar com suas despesas, ainda passam por problemas sérios devido ao local de treinamento e de jogos.

Luiz Prado apitando uma partida em São Paulo - Foto Pri Morales

Luiz Prado apitando uma partida em São Paulo Foto: Priscila Morales

Tanto o equipamento quanto o espaço poderiam ser solucionados com patrocínios. Entretanto, as poucas ligas que possuem apoio estão em São Paulo e, ainda assim, não cobrem a parte estrutural do Derby. “É tudo aqui bancado e gerido por nós mesmas, o que dá uma força para a gente como liga e como grupo, porque a gente constrói tudo juntas”, afirma Helena. O trabalho dessas meninas é árduo e cansativo, mas elas continuam na luta pela visibilidade do esporte.

Com a ajuda do Brasileirão, o Derby conseguiu alcançar mais pessoas e vem sendo reconhecido. Nessas sete edições, houve uma atenção local para os eventos, mas ainda tem que se esforçar muito para crescer. “A gente vai trabalhando para isso, a gente consegue mais e mais visibilidade a cada ano. Mas é uma coisa que tem que trabalhar diariamente, sempre”, ressalta Helena. A patinação precisa, ainda, de mais divulgação para conquistar o público.

Para Luiz, a competição nacional não influenciou de maneira duradoura a população brasileira. No entanto, o torneiro serviu de ponto de recrutamento para as pessoas que o assistiram nesses anos. “Elas veem o campeonato e daí ficam com vontade de participar do esporte. Viram jogadoras, árbitros, colaboradoras”. O Derby, certamente, é um esporte que chama a atenção de quem vê. Aqueles que se interessam em buscar mais, descobrem que é uma comunidade diversificada, de muita aceitação e sororidade entre as atletas.

Regras do esporte

Saiba mais como o Derby funciona, suas regras e equipamentos de segurança.

Roller Derby infográfico

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Luíza Accioly Lins –  8º período

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