Perdoa-me por me traíres

A infidelidade está presente no dia a dia. Desde as ficções como novelas e filmes, até os casos de assassinato motivados por ciúmes. Não é raro encontrarmos pessoas que já foram traídas em seus relacionamentos e, mesmo depois de se afastar do antigo par, ainda enxergam em si a culpa pelo adultério.

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Cada vez mais a infidelidade é um problema para quem é traído Foto: Pixabay

Nelson Rodrigues mostra em sua obra “Perdoa-me por me traíres” um momento no qual uma pessoa traída pede perdão e se sente culpada. Assim como Gilberto e Judite, o casal fictício da peça, existem pessoas que lidam com traumas gerados em relacionamentos passados.

Carla (nome fictício), 20, viveu um relacionamento complicado. Dentre alguns abusos, quase desistiu da própria festa de 15 anos. Traída, ainda teve que ver a aliança de namoro ser atirada nela durante o término.

Mesmo após o fim, a camisa autografada do Botafogo – seu time de coração – foi incendiada pelo ex. As provações a mudaram. “Desde então, eu nunca mais fui a mesma e sempre desconfiei de quem tava comigo”, afirma Carla, que hoje é uma pessoa infiel. “Apesar de amar muito e às vezes ter tudo, traía”.

Ela ainda aponta algumas razões para a mudança no comportamento: “Gostava de ter outras pessoas dando em cima de mim. Às vezes, nem ia ficar nem nada, mas era pro ego”. A menina reconhece que magoou algumas pessoas e hoje faz acompanhamento com psicólogo.

Quem também guardou lembranças foi Mariana (nome fictício), de 21 anos. Ela, que mora em cidade pequena, namorava uma rapaz que vivia no interior. Em função da distância, viam-se apenas em feriados e fins de semana.

Mariana descobriu a traição e, para piorar, percebeu que a cidade inteira sabia. A situação mexeu com a autoestima dela. “Eu me sentia muito insegura. Trouxe muita mágoa, raiva e eu desconfiava de tudo e todos”. Com o auxílio do tempo, Mariana superou.

“Empenhei em me amar e esquecer as coisas que me fizeram mal, pois era uma carga desnecessária e prejudicava só a mim”, conclui Mariana. Assim como ela, Isabel (nome fictício), de 22 anos, também aprendeu com os casos que aconteceram no passado.

Ela já flagrou o namorado em aplicativos de paquera, mas o pior foi quando descobriu que ele já vivia um outro relacionamento, assumido quatro dias depois deles passarem o Natal juntos. Desde Janeiro, Isabel está solteira, mas não guarda rancor.

“Não sinto raiva ou fico triste quando me lembro. Para mim foi uma aprendizagem”, conclui. A Doutora em Psicanálise, Luciana Marques explica que dentre os motivos para frustração, existe a sensação de perda real. “Quando esse trai, o sujeito costuma sentir-se abandonado. Como se o outro tivesse levado um pedaço dele, que é a libido investida no relacionamento”.

Luciana salienta o cuidado com o término de relacionamentos: “Nunca vi alguém sair bem de um término de relacionamento, mesmo quando é a própria pessoa quem quer”. Ela ressalta que não existem sintomas para buscar ajuda. “Para procurar um profissional, basta o sujeito querer, até porque não temos como mensurar o sofrimento de cada um”.


Pablo Guaicurus – 8º período

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