“A Casa que Jack Construiu” tem personagem tão polêmico quanto seu diretor

Filmes sobre serial killers já trazem, por sua própria natureza, um conteúdo polêmico. Esse fato é potencializado caso o filme em questão seja dirigido por Lars Von Trier, cineasta dinamarquês famoso pela controvérsia. Entre suas obras mais famosas estão Dogville (2003), Anticristo (2009) e Ninfomaníaca (2013).

Em seu mais recente filme, “A Casa que Jack Construiu”, somos apresentados a um assassino brutal. Como em suas obras anteriores, Von Trier conta a história por meio de capítulos, que, nesse filme, são divididos em “incidentes”. Cada um é o relato de um crime que o serial killer resolve contar para Virgílio, poeta, autor da Eneida e guia do inferno na obra “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri.

Jack

Pôster do filme com Jack, interpretado por Matt Dillon  Foto: Divulgação

Poucos filmes deixam o espectador com a sensação de que saíram do cinema com conhecimento adquirido, exceto em se tratando de documentários. Nesse longa é diferente. Além de incluir flashes de cenas de suas obras anteriores, o diretor acrescenta pílulas de informação à história, como quais métodos são utilizados para produzir vinho de mesa e qual a ordem que os caçadores utilizam para matar animais.

A frieza com que Jack narra seus crimes, tratando-os como se fossem obras de arte, chama atenção. Ao intercalar fotos dos assassinatos com peças conhecidas, como “O Nascimento de Vênus”, a provocação causa mal estar na audiência, em especial quando as vítimas são crianças. Apesar de as cenas de violência não serem extremamente gráficas, durante uma exibição do filme, doze pessoas saíram da sessão antes do fim.

Ainda que a violência seja onipresente ao longo do enredo, nem sempre ela é tão explícita quanto normalmente se espera em uma obra do gênero terror. Aqui, o psicológico é abordado tanto, ou talvez até mais, quanto o aspecto físico de crimes tão desumanos – e se mostra muito mais importante para a compreensão da história e do personagem, do que as tão comuns cenas de sangue e matança desenfreadas.

Talvez a forma de contar a história, mostrando que uma pessoa aparentemente normal pode se tornar um criminoso em série, incomode. Há ainda a forma incomum que o diretor encontra de tornar uma história pesada um tanto quanto humorística, designando traços ao personagem que levam, em alguns momentos, a plateia ao riso. A inusitada mistura entre real e surreal, tal qual em Melancolia (2011), pode causar certa estranheza.

Por todos esses motivos, é certo que “A Casa que Jack Construiu” vai desagradar muita gente, ao mesmo tempo em que pode satisfazer outras. Acusações de misoginia, narcisismo e até antissemitismo pairam sob o diretor há tempos e seu mais novo filme vem para adicionar à polêmica, que cerca sua vida e sua carreira.

O filme estreou em solo carioca durante o Festival do Rio e pode ser visto até esta quarta-feira (28), em cinemas selecionados. 


Camilla Castilho – 8° período

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