Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos tem eventos culturais com temática africana

A escravidão foi abolida no Brasil em 1888, mas, antes que isso ocorresse, esse foi um dos países que mais recebeu pessoas forçadas a trabalhar. No Rio de Janeiro, o tráfico negreiro era realizado por meio de navios que aportavam no Porto Carioca e muitos dos escravos morriam durante a viagem ou logo após chegarem à cidade.

Uma das marcas desse passado nefasto foi descoberta em 1996, quando o Cemitério dos Pretos Novos, ativo entre 1779 e 1830, foi localizado na Rua Pedro Ernesto, no bairro da Gamboa. O cemitério era utilizado para sepultar os escravos recém-chegados e os corpos permaneciam no terraço até que fossem enterrados e posteriormente queimados.

Após muitas reclamações de moradores da região, em 1830, o cemitério foi fechado. Esses recém-chegados ao porto quase sempre morriam no período da quarentena, outros durante a exploração no ambiente de trabalho. Dados encontrados no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro indicam o sepultamento de cerca de 5.800 corpos, sendo 60% homens, 30% mulheres e 10% jovens e crianças.

Quase dez anos após o descobrimento do cemitério, em 2005, foi criado o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN). A finalidade da organização sem fins lucrativos é de propor reflexões e realizar projetos educativos e de pesquisa que preservem a memória relacionada aos acontecimentos que relatam o esse período e seus desdobramentos atuais.

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Memorial em homenagem aos escravos Foto: Suellen Santos

Através de vidros sobre o piso do Instituto, é possível ver parte dos achados arqueológicos encontrados no local das escavações. O IPN conta com um grupo de estudos que, aos sábados, promove encontros que abordam a história do negro não apenas no Brasil, mas em diversas situações históricas mundiais.

O espaço ainda disponibiliza uma biblioteca especializada na temática africana e afro-brasileira, bem como uma galeria de arte contemporânea. A sede ainda é responsável por postagens midiáticas que promovam o entendimento das razões e questões sociais que resultaram na escravidão. O IPN também realiza eventos, palestras, cursos e simpósios.

A estudante de pedagogia Laudicéia Batista enfatiza a importância do Instituto. “Participei de algumas oficinas e achei muito importante desvendar a verdadeira história de nosso povo, na perspectiva dos povos africanos que aqui chegaram para servir como escravos”.

Geralmente, as oficinas e palestras do IPN relatam temas que abordam a cultura africana e afro-brasileira. A grade da programação é constituída de um Projeto Pedagógico que contempla temas como a História da África, História do Sagrado, dentre outras. Valoriza também bens imateriais como a capoeira, jongo, música e oficinas de arte, sendo realizadas aulas práticas e teóricas para contribuir com a formação cultural do visitante.

Desde 2015, há uma parceria com a Fundação Educacional Duque de Caxias (FEUDUC), que disponibiliza cursos de Pós-Graduação Lato Sensu, com turmas de História da Cultura Africana e Afro-Brasileira e também de Turismo Cultural, na sede da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Regição Portuária (CDURP), que cede o espaço para as aulas.

Atualmente, está aberta para visitação a exposição “Moradas”, de Ângela Câmara Correa, com curadoria de Marco Antonio Teobaldo. Uma das peças centrais foi bordada com a participação dos visitantes do Instituto nos últimos cinco meses. A artista aborda a memória afetiva e os seus desdobramentos até chegar em duas obras coletivas: a instalação Moradas, feita com gravetos de roseiras e a toalha de mesa bordada com a participação do público.

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Obra “Moradas” é destaque da exposição Foto: Suellen Santos

A exposição está disponível de 16 de outubro a 1° de dezembro de 2018. De terças às sextas, das 13h às 19h e aos sábados, de 10h até 14h. O endereço é Rua Pedro Ernesto, 32, Gamboa, Rio de Janeiro (RJ).

Para mais informações, clique aqui.


Suellen Santos – Matéria realizada para a disciplina Oficina de Jornalismo

 

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