Há um mês, o incêndio do Museu Nacional, em São Cristóvão, no dia 2 de setembro, assustou a população e incitou discussões acerca da preservação cultural no Brasil. Porém, a destruição do acervo afetou um grupo importante para o avanço do país, que grande parte das pessoas desconhece: os estudantes da pós-graduação.

Aqueles que pesquisavam no prédio imperial tiveram suas vidas acadêmicas reviradas e seus futuros ainda estão incertos. “Ainda não sabemos o que vai ser feito, estamos esperando”, diz Carol Maia, doutoranda do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro na área de Antropologia Social (PPGAS).
Com a falta de informação, principalmente devido à página do museu ter ficado fora do ar, é ainda mais complicado dar visibilidade para esses estudantes e para as dificuldades que estão tendo que enfrentar para reerguer seus estudos e incentivos. Ainda assim, a solidariedade encontra caminho. “Temos tido ofertas de apoio de estudantes e não estudantes”, completa Carol.
Apesar dos problemas, os acadêmicos da Antropologia Social conseguiram manter o 8º Seminário dos Alunos PPGAS, realizado entre os dias 17 e 21 de setembro, mas precisaram mudar temporariamente o espaço, que antes era dentro do Museu Nacional, para contêineres na Quinta da Boa Vista.

Durante as palestras, o colaborador Leonardo Nascimento, do PPGAS/MN, expressou sua preocupação não só com os colegas afetados pelo incêndio, mas também pela situação atual do país. Ele entende a vontade de “querer parar, mas tem que seguir”.
O programa mencionado abarca outros cursos e especialidades, como Arqueologia, Egiptologia, Botânica, Geociências, Linguagens e outros. São muitos alunos que precisam de ajuda e iniciativas do governo para que suas pesquisas não sejam desperdiçadas, mantendo a produção de conhecimento ativa no país. Por enquanto, eles seguem a luta pela sobrevivência realizando eventos como o Festival Museu Nacional Vive, para manter o público envolvido.
Luíza Accioly Lins – 8º período
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