Nível de escolaridade no Brasil

A educação possui impacto em todas as áreas, é um direito fundamental e ajuda não só no desenvolvimento de um país, mas também na construção de cada indivíduo em meio a sociedade. Sua importância vai além do aumento da renda individual ou das chances de se obter um emprego. Por meio dela garantimos o desenvolvimento social, econômico e cultural.

A Educação de qualidade é uma necessidade básica porque assegura o cumprimento de outros direitos tendo em vista que sem conhecimento ou acesso a informações, não será possível saber que se tem o direito à saúde e bem-estar, ao meio ambiente sadio, as condições adequadas de trabalho, a ser tratado e respeitado com dignidade.

A escola não consegue mais atrair o jovem brasileiro, e o que se prova através de uma pesquisa realizada pelo INEP, sendo isso as estatísticas do Ministério da Educação (MEC). Segundo a pasta, a quantidade de matrículas no ensino médio caiu 5,58% de 1998 até 2014 no Brasil. A região Nordeste destaca-se nas pesquisas por ser aquela que mais necessita investimentos a área de educação, levando em consideração nela ouve uma queda de 13,71% no índice de procura por matricula escolar, tendo em vista que é um dos estados com um dos maiores índices de crescimento populacional.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a taxa de analfabetismo analisada em 2016, constata uma queda para 7,2%, sendo esta uma pesquisa feita através de um levantamento foi feito por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, gerando um total de analfabetos estimado de 11,8 milhões de pessoas não apresentando relação com a idade.

A ansiedade dos jovens por entrar o mais rápido possível no mercado profissional, é um dos grandes fatores contemporâneos para a falta de interesse curricular. A maioria deseja encontrar um emprego antes de terminar o ensino médio. Mas, na avaliação do Ex professor da Associação Moderna de Ensino (AME), Marcel de Oliveira Lemme,54, “o modelo de ensino oferecido pelas escolas não corresponde a essas expectativas e, por isso, muitos estudantes optam por parar de estudar para poderem trabalhar.”

O Sargento do Exército Diego Lima,23, entra em meio as estatísticas do anseio dos jovens pelo mercado de trabalho, o Sargento explica que seu foco sempre foi seguir a carreira militar, e obter sua estabilidade financeira, por isso desde novo correu atrás para passar na ESA, deixando de lado a vida acadêmica, ao que se refere sua graduação. “Somente iniciei minha graduação neste ano e não me arrependo, a estabilidade financeira imediata que adquiri ao seguir a carreira militar, não é algo que teria conquistado se tivesse seguido meus estudos até a graduação como a maioria dos jovens da minha idade.”

O educador Marcel, ainda conclui afirmando que as constantes ausências dos professores no setor de ensino público também diminuem as chances de as escolas reterem os alunos, tornando também problemática a relação interpessoal com os educadores.

professor Marcel Lemme

Professor Marcel Lemme.

O movimento de abandono e o rendimento escolar dizem respeito à situação do aluno ao final de cada ano letivo, constituindo-se, portanto, em uma informação que complementa os dados de matrícula inicial, coletados na primeira etapa do Censo Escolar. Consideram-se no rendimento escolar o aluno aprovado ou o reprovado, e na categoria movimento escolar, o aluno transferido de uma escola e admitido em outra, o que deixou de frequentar a escola (afastado por abandono) e o falecido. Em 2007, o Censo acrescentou o módulo denominado “Situação do Aluno” que apura a situação de rendimento ou movimento de cada aluno declarado na matrícula inicial coletada no ano i, bem como dos alunos que foram admitidos em cada escola após a data de referência do Censo Escolar do ano.

Carolina Soares,23, hoje estudante de um curso de técnico de enfermagem, explica que ao sair do ensino médio foi em busca de um concurso público que a possibilitasse ter uma estabilidade financeira para poder ajudar em casa, e que só hoje conseguiu dar uma continuidade aos seus estudos “quando eu sai do ensino médio, minha família começou a passar por algumas dificuldades, por isso prestei concurso para a clinica da família, e hoje trabalhando, pude pagar pelo menos um curso técnico para ter alguma formação a mais.”

No estudo realizado pelo INEP os indicadores de rendimento, cada unidade de agregação usa um universo de alunos exclui os que foram transferidos, os falecidos e os que não continham informações de rendimento naquele ano. Inclui-se no universo os alunos admitidos durante o ano letivo, que chegam a 6,8% no Ensino Médio, 1% nos anos iniciais do Ensino Fundamental e 3,2% nos anos finais do Ensino Fundamental datado da última pesquisa em 2015.

Problemas referentes a infraestrutura do ambiente escolar, também é um fator que ressalta uma falta de motivação, por que de acordo com Marcel “os problemas em relação à conservação do espaço físico, transformam o ambiente escolar em algo precário, onde o aluno não se sente amparado quando necessita de um ambiente de pesquisa por exemplo.”. A adoção de equipamentos escolares básicos, como computadores, bibliotecas e quadras de esporte, é algo que por sua vez pode gerar um atrativo maior para o jovem hoje, partindo do princípio que mesmo quando eles existem, a utilização desses recursos e pouco frequente.

A má conservação também contribui para o sentimento de insegurança nas escolas. “O bullying hoje em dia está em alta quando se trata de um questionamento de convívio no ambiente escolar, ele amedronta e atrapalha, pois não torna o ambiente propício para o aprendizado. Os jovens por sua vez não têm o controle da situação. E nem sempre tem a coragem de contar aos adultos, não haveria essa sensação de insegurança se ocorresse”, diz Marcel.

O professor Doutor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Paulo André,56, não há nenhuma surpresa com os resultados da queda na busca pela escolaridade apesentados pelo INEP. Para Paulo, a pesquisa evidência questões rotineiras do sistema educacional, a falta de professores e a dificuldade de se visualizar a utilidade do conteúdo por parte do aluno.

Professor e Doutor Paulo André

Professor e doutor Paulo André

Mas na opinião do professor e Doutor a situação não deixa de ser preocupante. “O ambiente escolar precisa ser renovado, é preciso trazer o cotidiano do aluno para dentro das escolas, sendo através da inserção de novas tecnologias ou através de uma fala mais igualitária e informal como a do aluno”.  A pesquisa mostra na opinião de Paulo como a escola perdeu o papel de referência na vida dos jovens e que é preciso recuperá-lo. A escola deve ser um espaço que o jovem é capaz de aprofundar seus conhecimentos, para debater e discutir ideias, gerando a possibilidade de ter melhores oportunidades de vida no futuro.

O INEP prevê através de seu estudo que o investimento público em Educação Básica obrigatória deverá ser de 5% ou mais do Produto Interno Bruto (PIB). O valor representa 1% a mais do que foi investido até 2003 e é o maior já registrado na história do país. Os dados, referentes ao ano de 2009, são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

No cálculo do investimento público em educação relativo ao PIB não estão incluídas as despesas com aposentadorias e pensões, bolsas de estudo e financiamento estudantil. Os dados referem-se à destinação de recursos consolidada do governo federal, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado pelo Inep em 2007 e reúne em um só indicador dois conceitos: fluxo escolar e médias de desempenho nas avaliações. O indicador é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e médias de desempenho nas avaliações do Inep, o Saeb – para as unidades da federação e para o país, e a Prova Brasil – para os municípios. Ele é a principal ferramenta para acompanhamento de metas de qualidade da Educação. Com isso a pesquisa mostra que o rendimento escolar nos anos iniciais do Ensino Fundamental da rede pública contem 5,3% se mantendo a baixo da rede estadual que contém 5,8% da taxa de rendimento. Já a rede privada se destaca com 6,8% de seu rendimento.


Tayana Lemme e Katharine Alves

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s