Para onde iremos nós?

Dois Mil e dezoito chegou! Há quatro anos, esse era o momento esperado pelos brasileiros para apagar de vez a derrota do 7×1 sofrida aqui no Brasil no jogo contra a Alemanha na Copa do Mundo de 2014. Aquele 7 á 1 ainda não desceu na garganta da nação que respira futebol. Porém, após aquele ano, muita coisa mudou. O país sofreu uma derrota muito mais dolorosa que a da perda de um jogo de futebol.

Uma ferida não cicatrizada foi exposta, foi mexida. Está aberta, no aguardo de alguém que ofereça uma cura, um antídoto. O caos político vivido ao longo de seus mais de quinhentos anos parece ter chego ao seu ápice: impeachment, lava jato, todas as formas de corrupção ativa e passiva, mortes inexplicáveis (vide o candidato a presidência Eduardo Campos, ainda em 2014 e o ministro do supremo Teori Zavascki em 2017), ex governadores sendo presos, ex presidente da república sendo preso…se a lista continuar, é provável que o assunto principal da matéria não seja abordado. E dois mil e dezoito chegou com uma pergunta que não quer calar: vamos ser hexa? Errado! Mas sim: O que será do Brasil?

O cenário é de incertezas. Na última pesquisa divulgada em maio pelo DataPoder360 e pelo Paraná Pesquisas, nota-se que o candidato de direita está em vantagem (20,5%) frente ao de esquerda (12%). Contudo, essas conjecturas ocorrem em um cenário onde determinado candidato não aparece. Porém, as mesmas pesquisas apontam que os insatisfeitos e indecisos crescem a cada dia. 17% dos entrevistados pelo DataPoder360, disseram que não votariam em ninguém. O que corrobora com dados do Ibope de outubro de 2017, onde em uma pesquisa espontânea (quando não são apresentados os nomes dos candidatos ao eleitor), 56% não sabem quem escolher, pretendem anular, ou votar em branco.

Porém, as eleições estão às portas. E brasileiro já deve começar a pensar em como irá agir frente ás urnas em outubro. A assistente social Roberta Araújo, de 32 anos, que está fazendo especificação no Departamento Pró – Sustentabilidade, em conjunto com o Programa Justiça Cidadã, vê o voto como um direito do cidadão dentro de uma democracia. Porém, não concorda

com a obrigação: “Acho que é um direito, mas em meio à crise no sistema democrático, se tornou uma ferramenta obrigatória e burocratizada, em detrimento aos direitos fundamentais (ir e vir), reduzindo assim a cidadania.”

Essa obrigação burocrática a que Roberta se refere, é a forma como o governo obriga o brasileiro a votar. Se você não vota, é impedido de realizar uma série de atividades, tais como: prestar concursos públicos, realizar viagens internacionais (passaportes só são emitidos mediante a apresentação do comprovante de votação da última eleição que o cidadão tenha participado). Com isso, muitas pessoas votam, apenas para não perderem esses direitos.

A estudante de psicologia Rosemary Gonçalves, de 50 anos, conta que nunca gostou de votar. Sempre o fez por obrigação. Porém, seu falecido pai, que viveu os anos de ditadura contribuiu para que ela e seus irmãos sempre procurassem exercer esse direito que durante anos foi negado a nação (durante a ditadura militar, eram realizadas apenas eleições indiretas, onde o cidadão não escolhe seu candidato). E eles nunca deixaram de fazê-lo. Contudo agora, está cada vez mais difícil manter, pode se dizer, a “tradição” de sempre votar nas eleições.

“Gostar de votar, eu acredito que seja algo que poucas pessoas gostam. Principalmente por ser uma obrigação. Mas a gente tem que votar. E meu pai sempre nos incentivou a isso. Ele investigava cada candidato para ter certeza de que iria dar seu voto em uma pessoa que merecesse exercer a função. ” relata a estudante.

Em meio a essa onda de desilusão com a política, não está sendo possível enxergar um candidato com boas propostas para ocupar os cargos de liderança do país. Roberta também diz que é necessário aprofundar-se na pesquisa para saber onde depositar a confiança eleitoral, e, se acontecer de eles não cumprirem com o prometido, ao menos você saberá que exerceu sua obrigação da maneira correta.

“A questão que envolve as plataformas eleitorais é mais do que apenas ler os programas dos candidatos, porque os políticos só pensam em como se beneficiar. Logo, eles podem escrever qualquer coisa nas suas propostas, apenas para cativar o eleitor. Ao menos lendo, nossa consciência ficará tranquila, pois tudo estará sendo feito de maneira consciente por parte do eleitorado. Ainda não escolhi o meu, e no momento, os pré-candidatos não alcançam os requisitos necessários para direcionar o Brasil. ”

Os programas sociais, que foram marcas dos últimos governos, provavelmente deixarão de existir da maneira como conhecemos, assim como várias reformas estão sendo feitas em todas as esferas da nação.

Dependendo de quem assumir o governo, eles serão reformulados ou até extintos.

Rosemary acredita que eles precisam sim sofrer mudanças, porque infelizmente a maneira como foram instituídos não contribuíram para um avanço que o Brasil precisa.

“Ao meu ver, quem assumir deve sim reformular. Porque muitas pessoas não trabalham e apenas ficam por receber as bolsas dos programas. Deve se haver uma forma de profissionalizar as pessoas que recebem este benefício. Profissionalizar a população por meio do ensino, sendo esta uma forma de contribuir para a diminuição de desempregados. Fora que deve haver uma fiscalização por parte dos órgãos que regulamentam esses programas para que as pessoas que não precisam do benefício deixem de receber. Porque sabemos que muitas pessoas recebem sem haver a real necessidade. ”

Para a assistente social, o assistencialismo na política social vem de uma forma manipuladora e fragmentada, os serviços prestados à população chegam de maneira frágil e irregular, e com isso, não têm força para mudar o atual cenário brasileiro.

“Não dá para enxergar um futuro promissor no Brasil. Pois a frente das decisões do país, há um poder paralelo e corrupto, banalizando os direitos da população e o aumento da desigualdade social. A maioria das pessoas que recebem o Bolsa Família ainda está em vulnerabilidade social. Esse tipo de benefício marcou a realidade social, e por ser um benefício temporário, é direcionado há uma parte da população mais necessitada, por isso acaba sendo oferecido de forma precária e de baixa qualidade sob forma paternalista, caridosa, autoritária e conservadora, responsabilizando o usuário pelas suas mazelas, na tentativa de isentar o Estado da obrigação de investir em trabalho e educação, transformando o usuário dependente do benefício. ”

E o que o futuro presidente deve fazer já no seu primeiro mês de governo para que uma mudança comece a acontecer? Para a futura psicóloga, uma medida imediata tem relação direta com a educação. “A valorização dos professores, com salários dignos de suas rotinas trabalhistas, reformas, não apenas no âmbito educacional, mas na estrutura física das escolas. Os alunos estudam em péssimas condições estruturais. E não apenas para as crianças. Precisamos educar a sociedade na sua totalidade. Tudo começa pela educação. ”

Já para a futura especialista em Justiça Cidadã, ele deve fazer uma política de conscientização da sociedade, fazendo-os enxergar seus direitos e deveres, para saberem exerce-los:

“Fazer mudanças na gestão das políticas sociais, na redefinição do Estado e das políticas públicas. Conscientizar a população sobre o seu poder de luta e estudar a questão social, para melhor combate-la, pois está sendo tratada com descaso político, descompromisso, banalizada por tratamentos paliativos, tanto pelo poder político, quanto pelo poder econômico. ”

Não dá para prever quando irá ocorrer a tão esperada mudança no Brasil. Muitos acreditam que a união entre esquerda e direita seja um começo. Ou que candidatos centristas ocupando cargos de

deputados e senadores seja um possível caminho. Para Roberta, isso ainda está longe de acontecer, porém, não descarta a possibilidade: “Até o momento não temos nenhum dos pré-candidatos com esse perfil, mas no futuro pode ocorrer. ”

Uma coisa é certa: se o Brasil tivesse investido em educação desde os seus primórdios, a história hoje seria outra. Rosemary insiste que a solução mais viável para que o futuro seja promissor, é o investimento em educação. “ A educação levará a sociedade a outro rumo. Uma sociedade consciente, bem-educada saberá exatamente o que fazer em um momento como este que estamos vivendo. Se sociedade atual tivesse sido instruída desde o início, acredito que nossa história seria diferente hoje. Abrir-se os livros de história, e mostrar para os futuros eleitores o que não se deve ser feito. ” Precisamos aprender com o passado para poder chegar há um futuro. ”

Roberta embasa teoricamente a resposta de Rosemary:

“Resumindo, para o país avançar é necessário investir no processo educativo, rompendo o carácter assistencialista e clientelista. ”, finaliza Roberta.


 Débora Esteves Pereira 

Reportagem produzida para a disciplina de jornalismo especializado

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