Conquistas e dificuldades: o movimento LGBT na atualidade

Não importa a geração: seja Caio Fernando Abreu ou Pabllo Vittar. Lá estão os LGBTs em sua luta diária para desconstruir os muros do preconceito. É bem verdade que mesmo a passos lentos a comunidade vem encontrando seu lugar ao Sol, mas nem sempre foi assim.

Somente a partir da década de 1990 a homossexualidade passou a não ser mais caracterizada como doença. A união afetiva entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, começou a ser juridicamente aceita no Brasil apenas em 2015. Já outras pautas de cunho progressistas como a distribuição de materiais escolares visando o combate à discriminação de gênero e a lei da homofobia ainda sofrem forte resistência no Congresso Nacional.

Para o estudante Thiago Rabelo, de 22 anos, assumidamente homossexual desde os 15, as leis que defendem pessoas LGBTs precisam ser mais rígidas, já que a sociedade brasileira é, de acordo com ele, movida por meio da punição: “Se não houvesse prisão a quem agride uma mulher, por exemplo, todos os homens agrediriam”. O jovem defende que a punição para crimes contra LGBTs deve ser tão severa quanto as agressões sofridas pelos integrantes da comunidade: “A cada dia que passa, essa comunidade acaba virando estatística”, completa.

Quem concorda com Thiago em relação à necessidade do aprofundamento da legislação em prol da comunidade LGBT é a publicitária Larissa Lopes, hoje com 23 anos, que se assumiu lésbica aos 19. Assim como o estudante, ela acredita que leis mais rígidas seriam capazes de evitar crimes cometidos contra o grupo: “Deveria existir uma lei que servisse para fazer com que as pessoas entendam que homofobia é crime. Os homofóbicos pensariam duas vezes antes de insultar ou até matar um homossexual, seja homem ou mulher”, explica.

Na avaliação do sociológico Ronaldo Formiga a criminalização da homofobia é um passo essencial para um avanço ainda maior das questões LGBTs no Brasil. Ele acredita que nos próximos anos este e outros temas relativos à comunidade terão mais espaço no parlamento. “Temos um passado colonial e a bancada religiosa particularmente faz oposição a leis a favor dos homossexuais, mas este tipo de debate tem recebido mais atenção da sociedade”, analisa.

Hoje, a diversidade se tornou um assunto presente, porém já há duas décadas o deficiente visual Dáblio Falcão, de 38 anos, não esconde a sua orientação sexual. Após ter namorado homens, mulheres e travestis, ele nos últimos anos se assumiu pansexual para a família. “Desde quando eu tinha 18 anos sabia que não gostava apenas de meninas”, conta.

[foto Dáblio Falcão]

Durante a adolescência, ele estudava no Instituto Benjamin Constant e lá teve seu primeiro namorado, que também era cego. Embora tenha conhecimento do preconceito, Dáblio sabe que pertence a uma minoria e mesmo assim nunca abriu mão de ser feliz. “A sociedade acha que uma pessoa cega inserida na comunidade LGBT é muito diferente de outras, mas pelo contrário nunca precisei enxergar para saber que gostava de homens e mulheres”, conclui.

A VIOLÊNCIA 

Apesar da luta diária da comunidade, o Brasil hoje é considerado o país que mais mata LGBTs. A cada 19 horas ocorre um assassinato ou suicídio, de acordo com o último levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). De 2016 para 2017, o índice de violência cresceu mais de 30%, pois antigamente as vítimas eram encontradas após 25 horas. Somente no ano passado foram registradas 445 mortes.

Diante disso, muitos classificam como o principal motivo das atrocidades o preconceito, que é conhecido no meio por  “LGBTfobia”. A violência é praticada de diferentes maneiras, entre elas estão: estupros, facadas, pauladas, socos e armas de fogo. A justificativa dos criminosos é matá-los por simplesmente existirem.


 Bruna Rocha / Débora Cosenza / Carlos Alberto 

Reportagem realizada para a disciplina de Oficina Multimídia

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