Tropicália e movimentos políticos da Ditadura

Com certeza, uma pessoa que estudou a época tenebrosa da Ditadura Militar
no Brasil já ouviu falar dos mais famosos e diversos movimentos de protesto
contra o regime dos militares no Brasil. Foram vários momentos e pessoas,
anônimas e famosas, que tentaram mudar a politica do país. Dentre eles, está
o Tropicália, que mudou o cenário cultural e histórico da época.

As vozes desse movimento são famosas e ecoam até hoje nas rádios. Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Os Mutantes, Torquato Neto, Tom Zé e Jorge Bem marcaram a história da música. Mas o que era o movimento Tropicália? Qual foi sua
importância e suas consequências? Como acabou? São muitos
questionamentos importantes e que cada um define a época terrível que o
Brasil passava diante ao seu governo militar.

A estudante de História da UniRio, Raíssa Pires fala um pouco sobre o
movimento cultural mais importante da época. “Tropicália foi uma manifestação
cultural para além da música. Tinha como base, inspiração, o movimento de
“contra cultura” que visa expor uma opinião de forma a “chocar”, “impactar”.
Expressava um sentimento de que as manifestações políticas feitas por meio
da arte eram muito comportadas para que fossem eficazes. A Tropicália visava
os marginalizados do período, que iam contra a violência. Eis a frase: “Sejam
marginais, sejam heróis”. As roupas, por exemplo, eram extravagantes e
“bregas” em protesto à violência e ai cinza do dia que durou 21 anos”, explica a
universitária.

As lutas sociais foram muito marcantes na época do regime militar, ficaram
marcadas na história desse período tão macabro. “A importância desses
movimentos em um período de repressão de um governo autoritário é
extremamente imprescindível, por que os movimentos se materializam no
espaço, desenvolvem processos, organizam e denominam territórios das mais
diversas formas, uma delas é através de ocupações, manifestações e até
ações mais diretas como táticas de guerrilhas. Os movimentos sociais além de
construírem um histórico de luta e oposição se institucionalizaram formando um
território onde a política e a geopolítica era instrumento para os debates e para
a construção de suas manifestações e de seus atos”, explica o professor de
história Alan Oliveira.

Durante o regime militar houve resistência de diversas naturezas, o professor
de história Lucas Machado conta um pouco dessa luta tão diversa. “Na ditadura
houve uma resistência muito forte, armadas, de guerrilha, guerrilhas urbanas,
políticos importantes que pegavam em armas para se opor ao regime militar e
alguns com outros projetos de modelos de sociedade. Lembrando que também
se vivia um momento de polarização no mundo. A disputa de dois tipos de
modelos de sociedade, socialista e capitalista. Algumas pessoas não lutavam
somente para derrubar o regime militar”, fala o professor.

Não importa quem esses movimentos estão representando, todos tinham um
único objetivo, se livrar o regime militar, resistir ao sistema que estava fazendo
a sociedade e a liberdade de expressão reféns. É o que Caetano canta na letra
de “Tropicália”: “Que tudo mais vá pro inferno, meu bem”.


 Lucas Palomo 

Reportagem realizada para a disciplina de Oficina Multimídia

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