Tropicalismo: um marco na cultura brasileira

Música, teatro, artes plásticas, cinema e moda. Esses foram os diferentes meios de manifestação artísticas usadas pela Tropicália durante a ditadura militar. Sendo a música com o maior destaque e tendo representantes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. O movimento é considerado um marco na cultura brasileira pela inovação e pela história que construiu.

O nome veio da obra “Tropicália” do artista plástico Hélio Oiticica e é sugestivo, pois a manifestação cultural tinha como objetivo proporcionar uma nova estética ao estilo musical da época, mesclando elementos como críticas nas letras e estilos diferentes como rock, bossa nova e samba. E a obra de Oiticica, segundo ele, foi uma tentativa de impor uma imagem brasileira consciente ao contexto da vanguarda.

Com início em 1967, o movimento trouxe inovações para o cenário cultural brasileiro. Por meio das músicas, muitas vezes codificadas para que não houvesse censura, os artistas tratavam da situação política da época e tinham a melodia como instrumento das mensagens que passavam.

Em vários festivais em que o grupo se apresentava, Gilberto e Caetano foram vaiados (Renan Azevedo)

A professora de educação infantil aposentada Célia Lopes viveu o final da época Tropicália quando chegava para começar uma nova vida no Rio de Janeiro. “Quando vim de Pernambuco para o Rio não imaginava todo movimento que existia por aqui. As músicas e todos aqueles artistas se unindo para protestar foi bem marcante, eles eram muito originais e influentes”, conta.

A professora relembra que seu marido chegou a ir algumas vezes à São Paulo e frequentava os festivais de música popular brasileira, que foram cruciais para a criação do movimento. “Ele chegava e cantava para mim as músicas. Comecei a gostar e a conhecer mais sobre Gilberto Gil por causa da música ‘Domingo no parque’”.

Célia acredita que o movimento foi importante para todos que viveram de perto aquele período. “A arte, principalmente a música, é expressão que nos acalenta e enriquece. Imagino que tudo que foi criado e transformado durante aquele período serviu como base para todo tipo de expressão artística que temos hoje”, opina.

A década de 1960 foi de intensa transformação cultural e o movimento consistia em usar todas as tendências e manifestações do pensamento para expressar a realidade do artista brasileiro. Sociólogo e estudioso da época do Tropicalismo, Rennan Azevedo diz que no início as músicas e o movimento não foram bem aceitos pelo público devido às influências estrangeiras que os artistas brasileiros utilizavam. “Em vários festivais em que o grupo se apresentava, Gilberto e Caetano foram vaiados por usarem guitarras elétricas, instrumento considerado parte da cultura dos Estados Unidos”.

Na época o público acreditava que os artistas estavam negando a musicalidade nacional, mas, de acordo com eles, os ritmos característicos do Brasil não perderiam sua identidade porque eles estavam recriando com base na cultura do país. “Muitos achavam os representantes do movimento alienados e só mais tarde quando tudo já estava desfeito que houve uma compreensão geral e a crítica parou de atacar”, conta o sociólogo.

O que percebe-se é que o legado deixado por todo esse movimento é o poder que a arte possui de transformar uma década e a junção de informações e culturas diversas para criar um conceito cultural. A estudante Joane Santos, estuda música e reforça que as referências deixadas pela Tropicália é junção de tudo que escutamos atualmente. “Se hoje possuímos a junção de ritmos como funk, sertanejo, pagode e até rock, com certeza foi graças a vontade de artistas do passado de querer agregar outras culturas”.


 Lorena Gomes 

Reportagem realizada para a disciplina de Oficina Multimídia

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