Copa de 70: o regime militar e os reflexos na seleção campeã do mundo

O Brasil passava por momentos conturbados em 1970. Com o regime militar no poder, as repressões às manifestações comunistas aconteciam com frequência no país. Em contrapartida, segurança não faltava aos que não iam contra a ditadura. Mas havia uma expectativa no povo brasileiro: a Copa do Mundo. Nas praças públicas o povo se reunia para ver os jogos em telões coloridos, já que o Mundial de 70 foi o primeiro transmitido em cores para país.

No México, a seleção brasileira chegava como uma das favoritas ao título. Com um time recheado de estrelas que passaram com facilidade das eliminatórias, o Brasil não decepcionou e ficou com a taça e se sagrou tricampeão da maior competição do mundo. Mas um fato, antes mesmo dos jogos começarem, chamou atenção: a demissão do técnico João Saldanha, após se declarar contra o governo militar. Com isso a dúvida que pairava sobre a Copa era se o regime tinha ou não influência na seleção.

– Eu nunca me preocupei com a ditadura, eu queria jogar meu futebol. Como o cara poderia me prender se eu estivesse dando alegria ao povo? – exclamou Jairzinho.Titular e único jogador a marcar gols em todos os jogos em uma edição de Copa do Mundo, o Furacão da Copa era um dos principais nomes do elenco e também do mundo na época. Para ele, a ditadura, termo utilizado pelo próprio jogador, nunca influenciou nos vestiários da seleção que foi considerada a melhor da história.

– Para mim não aconteceu nada, não teve influência nenhuma da ditadura. Se teve dentro da CBF, ela não prejudicou ninguém na seleção. Todo mundo trabalhou com naturalidade, todo mundo se preocupou em elevar o nome do futebol brasileiro que estava desgastado de 1966 – explicou o jogador do Botafogo, que ainda comentou a situação de João Saldanha, que acabou sendo substituído por Zagallo, antes de completar:

– Saldanha teve um descontrole em um pergunta, fizeram uma campanha contra ele e o intitularam como comunista. Ele sabia se comunicar, lutava pelos jogadores, mas infelizmente alguém achou melhor que era melhor destruir o Saldanha. Nós jogamos com ele no Maracanã com 210 mil pessoas. Alegria sempre existiu.

Assista alguns momentos de Jairzinho durante a Copa no México


 Marcello Neves / Luis Miguel Ferreira 

Reportagem realizada para a disciplina de Oficina Multimídia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s