Comunicação Geral

Fake news repercutem em redes sociais e podem ser consideradas uma ameaça para o jornalismo

Para fomentar boatos e inverdades, as chamadas fake news (em português, notícias falsas) são disseminadas em veículos que se aproveitam do ineditismo e do sensacionalismo das circunstâncias. O objetivo é alcançar cliques rapidamente e com isso conseguir publicidade e dinheiro através de plataformas digitais, como Google e Facebook. Devido à revolução tecnológica, as redes sociais são consideradas por especialistas a maior propagadora das inverdades.

A professora de Jornalismo Digital da Universidade Veiga de Almeida (UVA) Daniela Oliveira ​destaca um dos motivos que colocam as fake news em ascensão. “Hoje, não importa muito para o leitor a marca de um veículo jornalístico. Como muitas vezes recebemos informações de pessoas próximas, vale mais quem compartilhou, o tema e a importância do assunto para a gente do que a marca do veículo que a produziu”.

Esse era o caso da jornalista Aline Carneiro, de 27 anos, que antes de ingressar na
universidade, compartilhava publicações falsas nas redes sociais. “Durante as aulas, percebi que a credibilidade construída pelos jornalistas ao longo de anos tem sido colocada em xeque à medida em que qualquer pessoa pode produzir e compartilhar um conteúdo. E nós profissionais da Comunicação sabemos que uma fake news repassada viraliza e pode destruir a paz de qualquer um”.

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A estudante Aline Carneiro agora avalia mais criticamente tudo o que lê. Foto: Acervo pessoal

Apesar da preocupação, as notícias forjadas não podem ser consideradas um fenômeno recente. Em 2014, a dona de casa Fabiane de Jesus foi assassinada após ser acusada por moradores de praticar magia negra com crianças no Guarujá, litoral de São Paulo. Toda a situação foi filmada e divulgada nas redes sociais. Segundo o advogado da vítima, Airton Citon, a agressão aconteceu devido a um boato que foi espalhado numa página do Facebook.

Quem lembra dessa situação é o policial militar Carlos Siqueira, de 49 anos, que compartilhou nas redes sociais a inverdade. Segundo ele, naquela época, as fake news não eram tão frequentes. “Embora tratemos com muitas ocorrências no dia a dia, não nos damos conta que casos duvidosos como esses acontecem e são compartilhados a todo momento. Acreditamos que se está na internet é verdade”.

Especialistas jurídicos não garantem que haverá uma redução das notícias falsas compartilhadas. “A dificuldade de se localizar os autores, as penas brandas e o uso da internet como a principal plataforma de divulgação da propaganda eleitoral são apenas alguns dos motivos que impedem este processo”, explica o advogado em Direito Eletrônico Walter Capanema. Para ele, a legislação penal e eleitoral precisa ter penas proporcionais à conduta. “A divulgação de uma notícia falsa na internet ganha uma dimensão mundial, e é praticamente impossível removê-la totalmente”, justifica.

Em 2016, o Dicionário Oxford reconheceu a pós-verdade como a palavra do ano. Anualmente, a instituição britânica elege um termo que seja de acordo com os interesses culturais da sociedade. Neste caso, escolheu o âmbito político devido à influência das eleições norte-americanas e à votação do Brexit, que chamaram a atenção de todos.

Durante a candidatura de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, veículos publicaram notícias prejudiciais contra a democrata Hillary Clinton, principal adversária do republicano. A partir disso, a indústria da fake news recebeu o apoio de ​boots (robôs com tarefas online automatizadas) com o objetivo de manipular a invenção de dados. “Atualmente, os ​boots são uma ferramenta de intensificação de engajamento de usuários usados para impulsionar canais ou postagens. Durante esse período eleitoral, percebemos que o robô construiu um falso crescimento para os itens focados para a campanha”, destaca o consultor criativo de Design e Tecnologia, Cleber Correia.

Além disso, Correia destaca a importância de debater o assunto nos dias de hoje. “O problema é que estamos começando a viver um lado diferente na sociedade, visto que empresas, produtos, serviços, marcas e o próprio cidadão estão sofrendo difamações e exposições negativas na mídia. E isso pode ser considerado uma novidade, pois agora está sendo enxergado como crime”, ressalta.

Tratar as publicações falsas como crime é uma prática que as autoridades encontraram para solucionar o problema. Apesar do movimento, ainda existem algumas dificuldades tecnológicas que prejudicam identificar o autor das notícias. Por isso, o Tribunal Superior Eleitoral busca conscientizar a população durante as eleições de 2018. A proposta é fazer com que a sociedade fique atenta e não ajude a propagar as inverdades.

Agência de Fact-checking no Brasil

Devido ao alcance das fake news, o Brasil passou a adotar recursos especializados na área do ​fact-cheking (checagem de fatos). Entre os principais veículos de comunicação que realizam este trabalho estão a ​Agência Lupa e ​Aos Fatos​. Ambas oferecem a verificação de informações e trabalham com diferentes editorias do jornalismo. As equipes analisam notícias consideradas duvidosas.

A agência Lupa é a pioneira do país em se preocupar com a propagação das fake news. Em 2015, lançou uma metodologia que verifica as notícias falsas e, ao longo dos anos, desenvolveu este processo de forma eficaz. A empresa cumpre com os princípios éticos da profissão e está vinculada a ​International Fact-Checking Network (IFCN).

Já os jornalistas do Aos​ Fatos ​acompanham declarações de políticos e autoridades de expressão nacional, de diversas colorações partidárias, buscando verificar se eles estão falando a verdade. Para isso, a equipe adotou uma fórmula com sete etapas para realizar as checagens, que é vista pelo menos por um repórter e um editor. O objetivo é apresentar ao público uma informação precisa e sem erros.

Ambos veículos foram procurados pelos repórteres por e-mail, mas não obtiveram resposta sobre uma possível entrevista. “A nossa equipe está com um volume de trabalho que tem impossibilitado atender a essas demandas como gostaríamos”, disse Bernardo Moura, responsável pelo Aos Fatos. A Agência Lupa não se pronunciou.

6 dicas de como identificar as fake news

● Verifique a fonte da notícia;
● Desconfie de URL (endereço na internet) parecida com as de sites renomados;
● Desconfie de notícias alarmantes;
● Verifique a data da notícia;
● Apure em sites de pesquisa informações similares;
● Compartilhe apenas aquilo que leu e que tem certeza ser verdade.

 


Reportagem de Carlos Brito e Roberta Benedetti para a disciplina Jornalismo Investigativo

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Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

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