Seminário ‘Reage, Rio!’ debate os problemas do estado, mas não apresenta soluções

Cidades inteligentes usam a tecnologia para integrar os cidadãos

Ana Luzia Azevedo, Marina Grossi, Washington Fajardo e Sergio Magalhães no painel “Desenvolvimento Sustentável”. Foto: Fábio Cordeiro / Divulgação

Ana Luzia Azevedo, Marina Grossi, Washington Fajardo e Sergio Magalhães no painel “Desenvolvimento Sustentável”. Foto: Fábio Cordeiro / Divulgação

Cidades inteligentes foi o tema do 3º seminário ‘Reage, Rio!’, realizado na última quarta-feira (20) no Oito – Espaço de Inovação da Oi, em Ipanema, pelos jornais “O Globo” e “Extra”, com patrocínio da Oi e apoio institucional da Prefeitura do Rio. O encontro despertou o interesse da população carioca e reuniu especialistas para tratar dos desafios que o Rio de Janeiro enfrenta, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, meio ambiente e segurança, determinantes para uma cidade inteligente.

Alan Gripp, diretor de redação do jornal “O Globo”, abriu o evento relembrando que o projeto nasceu de conversas entre jornalistas que propunham uma ação para ajudar na recuperação da cidade com a participação dos meios de comunicação, do poder público e de outros setores da sociedade civil. “É muito bom, vendo este auditório cheio, saber que de fato há um interesse e um desejo da sociedade na contribuição e na mudança”, disse.

A primeira palestra foi proferida em videoconferência por Fabio Duarte, consultor em mobilidade urbana para o Banco Mundial, sobre como criar cidades “sensíveis”, relatando projetos do MIT Senseable City Lab, em Massachusetts, Estados Unidos..

Em seguida, o arquiteto e urbanista José Armênio, presidente da São Paulo Urbanismo, falou dos sistemas de gestão de dados da capital paulista, destacando que a condição básica para uma cidade ser inteligente é a convivência de diferentes no mesmo território.

 1º painel – Desenvolvimento Sustentável

Washington Fajardo, arquiteto e urbanista da WAU Agência Urbana, defendeu a necessidade de ocupar os imóveis vazios do centro da capital, prioritariamente pela juventude pobre das periferias, e corrigir a centralidade histórica destinando mais projetos para a Barra da Tijuca. Além disso, pregou a necessidade de se responsabilizar os gestores públicos pela não implantação do Plano Diretor: “É preciso entrar numa nova agenda urbana, com ênfase na política habitacional, que traga infraestrutura e governança urbana”, enfatizou.

Marina Grossi, economista e presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), pontuou a questão da mobilidade e a integração entre os modais de transporte e Sergio Magalhães, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), observou que os problemas não podem ser tratados só no âmbito da capital, pois abrangem toda a área metropolitana e atingem 12 milhões de habitantes. Defendeu a transformação da estrutura ferroviária de trens urbanos em metrô de superfície para integrar as zonas Norte, Oeste e a Baixada Fluminense, para melhorar a vida de todos os moradores da metrópole.

Pedro Dória, Mário Fukuda, Flavio Pimentel, Flávia Consoni e Miguel Lago no painel “A tecnologia transformando as cidades”. Foto: Fábio Cordeiro / Divulgação

Pedro Dória, Mário Fukuda, Flavio Pimentel, Flávia Consoni e Miguel Lago no painel “A tecnologia transformando as cidades”. Foto: Fábio Cordeiro / Divulgação

2º painel – A tecnologia transformando as cidades

Miguel Lago, diretor presidente do Nossas Cidades, iniciou sua fala tratando do conceito de cidades inteligentes como a utilização de sensores e câmeras para o Estado controlar os cidadãos, porém a melhor aplicação da inteligência é a possibilidade de mobilizar os cidadãos para fiscalizar ou impactar o poder público.

Flávia Consoni, professora e coordenadora do Laboratório de Estudos do Veículo Elétrico da Unicamp, apresentou o cenário atual de adesão aos veículos elétricos no mundo e a importância da tecnologia como alternativa aos motores movidos a combustíveis fósseis.

Flávio Pimentel, presidente da Iplanrio, elencou os projetos da Prefeitura do Rio que usam as novas tecnologias para avançar na prestação dos serviços municipais. E fechando o painel, Mário Fukuda, diretor de Estratégia, Tecnologia e Arquitetura de Rede da Oi, discorreu sobre a internet das cosias – dispositivos conectados através de sensores – para gestão das cidades, nas mais diversas funções.

Reage, Rio!

Diferentemente das edições anteriores, este “Reage, Rio!” teve apenas um dia de debates e não contou com a presença de autoridades dos governos federal nem estadual. Apesar disso, a população carioca lotou o espaço Oito numa demonstração clara do quanto está interessada no destino da cidade. Sem prejuízo da importância do evento diante do contexto atual, pode-se dizer que os debates situaram-se no campo acadêmico e não houve formulação de propostas para resolver problemas concretos.

No entanto, vale ressaltar o anúncio feito por Maria Fernanda Delmas, editora executiva do “Globo”, de que algumas das propostas lançadas nas edições anteriores do “Reage, Rio!” já estão sendo implementadas.  Na área de segurança pública, um exemplo é a criação do Sistema Unificado de Segurança Pública e, na área de transportes, a formulação do Plano Estratégico Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.


Francisco V. Santos – 7º período

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