Novo acordo entre Flamengo e Maracanã traz esperança para o torcedor carioca

Ao soar o último apito da Copa do Mundo de 2014, o árbitro italiano Nicola Rizzola decretou não só o fim da competição no território brasileiro como iniciou um novo ciclo: o abandono do Maracanã. O templo do futebol brasileiro, que sempre atraiu multidões desde sua inauguração, sofre com a perda da sua essência. Após a reforma para Copa 2014 e as Olimpíadas 2016, que custou R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos, o consórcio Maracanã assumiu a administração do estádio, alterando o preço do aluguel. O maior palco de jogos do Rio se tornou o mais caro do país. Agora, com um novo acordo firmado entre a concessionária que administra o estádio e o Flamengo, na semana passada, as coisas podem começar a melhorar.

O encarecimento do estádio gerou ainda mais dívidas aos clubes cariocas, que saem dos jogos quase sempre com prejuízos para arcar. O alto custo gera muito desconforto aos clubes e para o próprio consórcio. Alegando perda de R$ 200 milhões, a Odebrecht, iniciou no segundo semestre de 2017, o rompimento do contrato com o governo estadual. Após a expectativa de um novo processo de licitação, no fim de novembro, o governo recuou. Mediante ao processo jurídico que trava com a empreiteira, o governo estadual resolveu travar o assunto, principalmente após a saída de Leonardo Espíndola da Procuradoria-Geral do Estado.

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O mítico estádio do Maracanã é hoje símbolo de abandono. Foto: AFP /VANGUARDIA LIBERAL

A exoneração do procurador ocorreu depois do mesmo rejeitar um pedido do governador por considerá-lo inconstitucional. Com esse contratempo, a dissolução do contrato entre consórcio Maracanã e governo estadual voltou à estaca zero. Ao questionarmos como estariam as negociações sobre o caso, a assessoria da Procuradoria Geral do Estado alegou que a licitação, neste momento, não está sob análise.

Outro agente importante na negociação foi a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mediadora no processo de rompimento e responsável pelo desenvolvimento de um novo edital, a FGV alegou não estar mais ciente do assunto. Em visita ao estádio em março para avaliar as suas condições de conservação, a Comissão de Esportes e Lazer da Câmara Municipal do Rio de Janeiro apoiou a ideia de municipalizar o Maracanã. Além disso, revelou a proposta de elaborar um estudo com a finalidade de mostrar a viabilidade do município assumir a administração junto aos clubes.

Com o contrato do Flamengo, que prevê que o time jogue no estádio nos próximos dois anos e meio, os torcedores cariocas podem ter mais esperança da volta da essência do futebol regional.


Reportagem de Jorge Abel Costa  e Marcos Vinicius Dias de Araujo para a disciplina Jornalismo Investigativo 

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