Ferj enfrentou turbulências após escolha de presidente

A corrupção atinge diversos campos da sociedade brasileira e no futebol não seria diferente. O futebol brasileiro sofre com atos desportivos e políticos que afetam a realização e a qualidade dos campeonatos. Não foram poucas as vezes que entidades como a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Internacional de Futebol Associação (Fifa) ficaram sob a mira da Justiça.

Neste ano, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) enfrentou mais uma vez uma eleição turbulenta para a presidência. Diversos clubes e entidades do estado alegaram que houve pouca movimentação do presidente Rubens Lopes para a realização do pleito eleitoral. Além disso, Rubens Lopes é constantemente criticado pela falta de transparência e pelo tipo de relação que mantém com os grandes clubes do Rio.

O deputado Milton Rangel foi o responsável por criar uma comissão especial, com efeito de CPI, para investigar a omissão da Ferj e dos clubes do Rio de Janeiro perante a violência praticada nos estádios e, também, a venda de jogos para fora do estado no Campeonato Carioca. Segundo ele, o processo já foi aprovado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

“Criamos a comissão para investigar as motivações das violências praticadas pelas torcidas. Aliás, nem os qualifico como tal. Agora, por que a Ferj não se pronuncia sobre esse caso? O que há por trás disso? A federação não pode permitir que um jogo como o do Flamengo no ano passado, quando houve a invasão de torcedores no Maracanã. Ela nem se pronunciou sobre o caso”, explicou.

No mesmo dia que a reportagem entrou esteve em contato com o deputado, membros de torcidas organizadas do Flamengo e do Botafogo estavam em frente à Alerj para pedir a reabertura da CPI da Ferj. Para os torcedores, é a famosa “Caixa preta do futebol carioca”.  No protesto pacífico, as torcidas organizadas Loucos Pelo Botafogo, Raça-Fla, Flamanguaça e Império Rubro-Negro estiveram presentes e criticara a federação.

Indignado, o presidente da “Loucos pelo Botafogo”, Rafael Kastrup, afirmou que não foram as torcidas organizadas que se afastaram dos Estádios, e sim, as novas regras do Campeonato Carioca. “Tudo que acompanhamos no futebol carioca, essa decadência, são os acordos dos clubes cariocas com o presidente. A rivalidade sempre vai existir, só que hoje colocaram como se fosse culpa das torcidas organizadas. Mentira, a elitização tirou o verdadeiro torcedor dos campos. Acabaram com o Maracanã”.

Presidente da “Raça Rubro-Negra”, Alesson Galvão também acredita que os clubes e instituições do estado estão comprometendo o futebol carioca. Outro ponto abordado por Alesson foi a venda de jogos para fora do estado do Rio de Janeiro, o que, segundo ele, só afasta os torcedores. “Nosso movimento é contra a federação, pois estão acabando com o futebol carioca. Nosso futebol é caro e ainda colocam para fora do estado. Este presidente tem uma relação promíscua com os clubes que o apoiam. É triste”, complementou.

O candidato anunciado como oposição, Rogério Manso Moreira, havia entrado com pedido no Ministério Público do Estado para que fosse feita uma intervenção na Federação para convocação imediata do pleito à presidência, no dia 21 de março. Porém, um novo documento foi enviado para o MP dizendo que não houve providências ou manifestação quanto ao pedido de uma intervenção na federação. O documento alega irregularidades na condução do pleito e também na área administrativa.

A oposição afirma ainda que o presidente Rubens Lopes publicou o edital no dia 10 de abril, porém não havia as regras para o pleito eleitoral, os clubes em condições de votar e o site da federação também estava desatualizado. “Entendo que ele (Rubens Lopes) fez isso de uma forma para tentar responder uma solicitação que fizemos ao Ministério Público no mês de março e fez pela surdina. É muito controverso. O que pedimos às autoridades é que eles tenham um olhar diferenciado para esse pleito eleitoral. Queremos participar da eleição de forma democrática”, declarou.

Nos dias antes da eleição, Rogério e um de seus aliados, José Carlos Peruano, tentaram impugnar o pleito, sem sucesso. Ele continuava alegando algumas irregularidades no procedimento eleitoral. De acordo com a oposição, o processo “fere de forma contundente a Constituição Brasileira”. As eleições de 2018 seriam realizadas no dia 27 de abril. Ela equivale para os anos de 2019 até 2022. Rogério afirmou que o edital foi publicado no dia 10 de abril, muito pouco tempo antes da data da eleição, 27 de abril. Além disso, o candidato à presidência da Ferj constatou outras irregularidades no processo eleitoral.

“A impugnação visa a questão da isonomia do processo eleitoral. Ele convocou as eleições no dia 10 desse mês, forma a comissão eleitoral no dia 11 desse mês. Eu notifico a Ferj para que eles possam me mostrar quem está apto para votar, quem tem poder de voto, mas isso ele não fez em momento nenhum. Temos vários clubes com pendências financeiras e administrativas, que não tem o poder de voto. Antes de colocar uma eleição em andamento, eles deveriam ter feito esse processo, mostrar quem está apto a votar ou não. Ele somente convocou e fez a comissão posterior”, afirmou o candidato.

A Ferj, por meio de seus canais de comunicação emitiu um comunicado oficial falando sobre o caso. “A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro ratifica todos os procedimentos relativos ao seu processo eleitoral, realizados rigorosamente em obediência à legislação, aos dispositivos estatutários e aos princípios da transparência e da lisura, publicizando-os a qualquer interessado na forma e prazos estatutários”.

Sem muitas surpresas e com muitas reivindicações, Rubens Lopes foi eleito novamente para presidente da entidade com 263 votos, no dia 28 de abril. O seu mandato valerá de 2019 a 2022. Vasco, Fluminense e Botafogo votaram para o presidente ser reeleito. O Flamengo se absteve. Este será o terceiro mandato de Rubens na federação. Junto à Rubens Lopes, foram eleitos na mesma chapa os vice-presidentes Cláudio de Albuquerque Mansur, José Luiz Martinelli, Plínio Clóvis Jordão, Izamilton Mota Goes, Jomeri Raymundo Calomeni, Mário Pereira Marques Filho, João de Deus Falcão Neto e Elio Fernandes Campos Filho.

Uma coisa pode ser afirmada, o novo mandato de Rubens Lopes continuará enfrentando turbulências e acusações de corrupção. Os principais clubes do Rio também precisam estar atentos, pois suas respectivas torcidas também estão de olho.


Reportagem de Phelipe Pacheco para a disciplina Jornalismo Investigativo

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